28/11/2019
Excited Insightful dad:
#1
Sou muita coisa: pai, companheiro, músico, coach, professor, pensador, espiritual, etc etc etc; sou uma data de coisas e acredito que “EU” é algo que não se esgota em nenhuma delas individualmente - nem nas mais importantes para a minha identidade - nem sequer na soma delas todas.
Há mais qualquer coisa. Há um “EU” que não é uma pessoa, não é uma identidade, e sobre o qual não consigo propriamente escrever, porque aí, na fonte (que tão pouco é um lugar físico), não há distinção entre EU, ELE(S), OUTROS, NÓS, aí somos todos um e eu sou isso tudo. Nessa fonte (que não é um lugar físico) também não há tempo cronológico, porque o passado e todo o futuro potencial se fundem num eterno agora, que é fora do tempo. O tempo é uma ilusão tão grande como o espaço ou a divisão entre os seres que existem.
Para o “eu” que estou habituado a ser no meu dia-a-dia, tudo isto é muito abstracto (quando não mesmo revoltante), e no entanto, acredito que estar em contacto com esse EU, e manifestar em realidade física o que afirmei acima, ainda que pareça desafiar a lógica, é possível na prática e sem Nihilismo.
Eu existo; outras coisas e pessoas que não são eu, existem; os acontecimentos sucedem-se no tempo... ou melhor: eu (EU?) sou um ponto de consciência que experiencia acontecimentos a sucederem-se, coisas e pessoas a existirem no tempo.
E eu, como pessoa, existo de uma forma muito complexa; ou seja, o EU como ponto de consciência auto-percepciona-se como pessoa, com pensamentos (incessantes), muitos sentimentos e emoções (por vezes violentos); enfim, percepciona-se, observa-se e analisa-se naquilo que me faz pessoa; igual e diferente de todas as outras pessoas - porque no fundo, mais medo “x” aqui, mais coragem “y” ali, com mais desta história pessoal e menos da outra; todos, enquanto pessoas, existimos da mesma maneira, como “eus” que se esqueceram que são EUS, e acreditam que os seus importantes pensamentos, emoções, filtros através dos quais experienciam a realidade, são os únicos verdadeiros e importantes; em suma, que aquilo que percepcionam é a (única) realidade... quando provavelmente não é o caso!
Não há nada fundamentalmente errado com as pessoas serem pessoas... o erro, ou ilusão, ou armadilha, é acreditar que isso é tudo o que existe da realidade, e que as pessoas (pelo menos todas as que vivem sendo sempre só pessoas) acabem por acreditar e identificar-se totalmente com o seu ser pessoa - com os pensamentos, emoções, com o seu corpo, etc etc (tudo o que faz parte das pessoas).
Eu certamente faço isso! Vivo o meu dia-a-dia na ilusão do Zé - a pessoa que me habituei a ser, mesmo com todas as mudanças e aprendizagens que já tive - que não deixa de ser uma identidade da qual não estou pronto, nem quero, desapegar-me.
A minha intuição, ou um outro tipo de inteligência que não sei bem descrever, mas ultrapassa em muito a lógica e a razão, dizem-me que mesmo tudo o que eu conheça ou consiga imaginar como “Zé” não é nem de longe nem de perto a totalidade do EU, do meu ser - que É, fora do tempo e do espaço; É a totalidade da consciência, que por acaso se manifesta aqui e agora como um ponto de consciência racional, como uma pessoa (... e é tão difícil escrever coerentemente sobre isto... porque ainda é o Zé, ou o Excited Insightful dad, quem o faz).