19/06/2014
Criação do próprio posto de trabalho em Portugal
Microcrédito pode ajudar desempregados
O microcrédito tem o potencial de ajudar até os desempregados menos empreendedores a criarem o próprio posto de trabalho em Portugal, acredita o presidente da Rede Europeia da Microfinança, que se reúne em Lisboa na quinta e sexta-feira.
A escolha do local para a Conferência Anual da organização quis refletir, segundo Faisel Rahman, "as especificidades" do país, onde a crise económico-financeira fez subir a taxa de desemprego jovem para o topo das mais altas da Europa, apenas atrás de Espanha e Grécia. "Nem todos os desempregados são empreendedores. Mas, ao mesmo tempo, muitas pessoas desempregadas têm talentos e quando existem tão poucos empregos, há poucas opções senão criar o próprio posto de trabalho e neste sentido é importante para as pessoas terem acesso a crédito", disse Faisel Rahman, em Londres.
A solução, argumentou, pode estar em criar parcerias para disponibilizar outro tipo de apoios à criação de microempresas, como informação sobre gestão ou criação de capacidades, razão pela qual o governo português foi convidado a participar na conferência. "Portugal é uma região chave [na Europa] marcada pela crise e cortes de postos de trabalho, onde há dificuldade de as pessoas obterem crédito e criarem negócios. Queremos apontar o projetor para o potencial que a microcrédito pode ter em Portugal", adiantou.
O microcrédito é uma forma de empréstimo de montantes baixos, até 25 000 euros, destinado a pessoas sem acesso a crédito pela banca tradicional e que pretendam desenvolver uma atividade económica que crie emprego e seja sustentável. A microfinança, que pode também oferecer outros serviços como seguros ou produtos de poupança, tem vindo a crescer na Europa entre 10% a 15% por ano, movimentando "vários milhares de milhões de euros" por ano, afirma Rahman. Todavia, continuou, ainda é um setor "marginal" em relação aos grandes bancos, pelo que, para ter impacto, precisa de ganhar escala.
Esta evolução tem motivado críticas devido ao envolvimento com instituições financeiras tradicionais com um modelo de negócio virado para o lucro.
Recentemente, a Fair Finance, sociedade que Rahman criou em 2004, conseguiu obteve dois milhões de libras (2,5 milhões de euros) junto de três grandes bancos comerciais, a Société Générale, BNP Paribas e Banco Santander, através de um programa da União Europeia para promover o microcrédito. "É preciso manter obrigações sociais no centro do negócio, mas também ter obrigações para com a empresa e isso implica encontrar financiamento. É preciso encontrar esse equilíbrio", defendeu Faisel Rahman, que foi condecorado pela rainha Isabel II na semana passada por serviços à comunidade financeira britânica.