17/12/2025
Harriet Tubman, uma escrava que ganhou sua liberdade após fugir da escravidão e dedicar sua vida a libertar outros escravos, eternizou uma verdade inquestionável, porem desconfortável:
“Libertei mil escravos e teria libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos.”
Essa frase não fala apenas de correntes visíveis ou liberdade/independência física, mas fala de consciência, da única prisão onde somente nós podemos nos libertar: a prisão interna.
Quando afirmamos que os pobres não precisam de caridade, mas de inspiração, estamos tentando libertar aqueles que acreditam que a fome, a miséria e a pobreza são erradicadas apenas com politiquices, ativismo ou assistencialismo.
Num nível mais elevado de entendimento da realidade, tudo começa e termina na frequência interior do indivíduo.
Para termos um país próspero, que ressoe paz em vez de conflitos desnecessários, fraternidade em vez de divisão, autorresponsabilidade em vez de vitimização, espírito de sacrifício em vez de comodismo, mentalidade de abundância em vez de escassez, elevação da consciência em vez de resignação, capacidade de produzir em vez de dependência, ajuda como um meio e nao assistencialismo eterno... Precisamos alinhar pensamentos, emoções e ações, ou seja, escolher palavras que constroem, atitudes que unem e decisões que elevam.
Se considerarmos que cada angolano é uma antena, só resta fazer uma pergunta simples:
- Que frequência estamos a transmitir como nação?
A História mostra que muitos escravos, mesmo após libertos, preferiam voltar aos antigos senhores.
Não por amor à escravidão, mas por medo da liberdade. Pois a escravidão oferecia uma falsa segurança:
Comida garantida, a mesma rotina e ausência de responsabilidade.
A liberdade, por outro lado, exigia: decisões, correr riscos, trabalhar por conta própria, autonomia e sair da zona de conforto.
A mesma mentalidade aparece na Bíblia, no relato em que após 400 anos no Egipto, quando os hebreus finalmente saem da escravidão, passam anos a vaguear no deserto. Não porque Deus falhou. Mas porque, parafraseando Dr. Myles Munroe, a mentalidade de escravo ainda vivia dentro deles.
Eles reclamavam:
“No Egipto, ao menos não faltava pão.”
Sinal que preferiam a escravidão confortável à liberdade responsável.
O saudoso mestre Dr. Myles Munroe ensinava que:
“É mais fácil tirar uma pessoa da escravidão do que tirar a escravidão de dentro da pessoa.”
Hoje, em Angola vive-se um cenário parecido.
A ajuda é necessária, a solidariedade é importante, mas quando a caridade se torna estilo de vida, ela paralisa e nos torna parasitas sociais. Ou seja, viciados na cultura de esperar salvadores externos,
endeusar doadores, aplaudir esmolas e rejeitar transformação,
atacar quem questiona o assistencialismo, cancelar quem fala de consciência, produção e responsabilidade.
Nas redes sociais, as vozes dos angolanos fazem lembrar o mesmo grito dos hebreus no deserto:
“Ao menos os brasileiros estão a dar o pão/ajudar.”
E se alguém ousar dizer:
“não basta dar o peixe, é preciso ensinar a pescar”
é apedrejado — hoje não com pedras, mas com cancelamento, criticas e ofensas.
Essa frase de Harriet Tubman expõe a maldição dos povos africanos:
muitos continuam presos não porque não haja formas de se libertar, mas porque não sabem que estão presos.
Não se trata de negar a fome, mas de não eternizá-la.
Não se trata de recusar ajuda, mas de não idolatrar a dependência.
Não rejeitamos quem dá. Mas também não aplaudimos quem dá apenas para ganhar likes, seguidores ou falsa comoção, enquanto as pessoas ajudadas se mantêm no mesmo lugar. Isso não é ajuda, é institucionalizar o espírito de mendigo.
É só olharmos para a quantidade de angolanos (inclusive crianças), que se especializaram em ganhar a vida pedindo esmolas. E num nível mais sofisticado, centena de milhares de mulheres angolanas se especializaram em "partir braço" (ou viver do game), ao invés de produzirem/empreenderem, como fazem milhões de mulheres pelo mundo afora. Tudo porque estão viciados(as) na cultura de obter as coisas da forma mais fácil possível: o assistencialismo.
Dar o peixe mata a fome de hoje, mas ensinar a pescar nos liberta.
A verdadeira ajuda deve: despertar a consciência, devolver a dignidade, criar autonomia; tornar produtores e não dependentes.
Por isso, a Nova Angola não procura salvadores, mas cidadãos despertos. Pois entrar na Frequência da Nova Angola é:
deixar de se ver apenas como vítima, recusar a mentalidade de escassez, parar de esperar soluções mágicas, assumir o papel de coautor na construção da nação.
É compreender que: uma nação não se levanta com esmolas eternas, mas com consciência elevada e capacidade produtiva.
Harriet Tubman libertou escravos, mas nos queremos despertar consciencias. Porque enquanto não soubermos que estamos presos, qualquer liberdade parecerá ameaça, ou cairemos na tentação de aceitar qualquer coisa que nos é ofertada.
Se queremos uma Angola próspera, não basta sonhar com ela. Precisamos vibrar nela.
Cada pensamento conta. Cada palavra constrói. Cada ação nos colocara mais perto ou distante da frequência da Nova Angola.
- Que frequência estás a emitir para Angola?
Por Mwangolé Premium