20/12/2025
COMO A MODA DO CANCELAMENTO OBSTRUI A FREQUÊNCIA DA NOVA ANGOLA
Vivemos numa época privilegiada, pois nunca foi tão fácil expressar uma opinião, partilhar ideias ou fazer-se ouvir. As redes sociais deram-nos visibilidade, influência e poder. Mas talvez a pergunta mais importante não seja se temos voz, e sim: o que estamos a fazer com tudo isso?
Pessoalmente, não sou de seguir, curtir, comentar ou partilhar conteúdos que não agregam valor ao meu crescimento ou assuntos que não me dizem respeito. Pois desde cedo entendi que as redes sociais devem ser usadas com intenção, consciência e responsabilidade, o que me leva a escolher com cuidado aquilo a que dou atenção, porque acredito que a nossa energia segue aquilo que alimentamos. Ainda assim, por causa de textos que escrevo e ideias que partilho, também sou alvo de ataques, ofensas e até ameaças por parte de alguns irmãos angolanos que acham que eu deveria falar apenas o que eles gostariam de ouvir, ou o que a maioria defende e acredita ser a verdade/correto.
Confesso que, em certos momentos, penso em responder na mesma moeda. Tal como pensei em escrever um texto ofensivo, chamando de idiotas os que promovem campanhas de cancelamento e de tolos os que seguem essas ondas sem refletir.
A vontade de “dar o troco” existe — sou humano. Mas parei. Respirei fundo. Refleti. E escolhi outra frequência.
Decidi colocar-me na frequência da Nova Angola para escrever este texto, escolhi escrever não a partir da raiva, mas da consciência. Não para acusar, nem corrigir ou fazer uma chamada de atenção ao irmão angolano, mas como um convite sincero à reflexão. Porque a pergunta que realmente importa não é quem está certo ou errado, mas: que Angola estamos a construir com este tipo de comportamento?
Nos últimos tempos, temos assistido a campanhas de cancelamentos nas redes sociais — e de modo particular esses dias com a campanha contra o músico C4 Pedro — motivadas não por crimes que Ele tenha cometido, mas por expressar Suas opiniões, e visão de mundo ou posicionamentos que não agradaram a muitos. Diante disso, talvez seja saudável parar um pouco, pensar, de forma neutra e sem sentimentalismos, e questionar com seriedade:
Quando foi que discordar passou a ser visto como uma ameaça?
Quando foi que alguém que expressa uma opinião contrária a nossa deixou de ser uma voz diferente, e passou a ser visto e tratado como um alvo a abater?
Num país com tanta diversidade como o nosso, pensar diferente não seria algo normal e natural?
Não é justamente na diversidade de ideias que uma nação amadurece?
Muitos de nós crescemos a ouvir, dançar, vibrar, cantar e emocionar-nos com a música de determinados artistas. Não entendo como, do dia pra noite, podemos apagar todas as boas memórias que esse artista/pessoa nos proporcionou apenas porque expressou/adotou uma visão de mundo diferente da nossa?
Estamos a agir por convicção própria… ou apenas a seguir o barulho do momento e nos deixar levar pelo contágio social?
Estamos a pensar… a reagir ou apenas a reproduzir comportamentos, como máquinas que não têm capacidade de discernir e fazer escolhas?
O que isso revela sobre o nosso estado emocional coletivo?
Se já não nos identificamos com determinada pessoa/figura pública, não é mais fácil deixar de seguir e continuar o nosso caminho?
Por que sentimos prazer ou necessidade de ofender, ameaçar, tentar destruir a imagem da pessoa, e denunciar sua conta sem remorso algum?
Será que a energia que desperdiçamos e o tempo que perdemos ao focar nessas campanhas ajudam a resolver os problemas que tanto dizemos querer solucionar… ou apenas revela a nossa pequenez enquanto sociedade?
A Nova Angola que muitos dizem desejar e esperar exige outro nível de consciência.
Ela não se constrói nas trincheiras digitais, na impulsividade ou na raiva organizada, com ofensas, humilhações, nem com ataques e cancelamentos nas redes sociais. Constrói-se numa frequência mais elevada — semelhante àquela que a Bíblia descreve como o Reino dos Céus: um estado de espírito que ressoe paz, domínio próprio, responsabilidade, fraternidade, perdão e amor consciente.
Cada angolano é como uma antena.
O que dizemos, partilhamos e promovemos nas redes sociais emite uma frequência que influencia o ambiente colectivo e define a aura do país.
Questione a si mesmo:
- o que estou a transmitir com as minhas palavras?
- Isso constrói ou destrói?
- Eleva ou adoece a consciência nacional?
Há uma grande diferença entre corrigir e cancelar. Entre chamar à razão e desrespeitar. Entre discordar com respeito e atacar para destruir o próximo.
Ensinar a pescar dá mais trabalho do que dar o peixe.
Da mesma forma, refletir, dialogar e ouvir exige mais maturidade do que atacar — mas é esse o caminho que gera crescimento, autonomia e verdadeira transformação.
A Frequência da Nova Angola não vibra na impulsividade, na vitimização constante nem na raiva coletiva. Ela vibra na autorresponsabilidade, na empatia e na capacidade de discordar sem transformar o outro em inimigo.
Talvez a pergunta mais importante que precisamos fazer seja esta:
que Angola queremos construir com essas divergências que não nos levam a nenhum lugar?
Uma Angola de cancelamentos e ataques… ou uma Angola de diálogo, consciência e elevação?
Este texto não nasce da raiva, nem da superioridade moral. Nasce da escolha consciente e vontade de querer vibrar mais alto.
Porque a Nova Angola começa dentro de cada um de nós.
E a pergunta necessária que não quer calar, e se impõe:
Que frequência estás a emitir para Angola?
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