19/12/2015
Charneca Em Flor
Enche o meu peito num encanto mago;
O fremito das coisas dolorosas…
Sob as urzes queimadas nascem rosas…
Nos meus olhos as lágrimas apago…
Anseio! Asas abertas! O trago em mim?
Eu oiço bocas silenciosas
Murmuram me as palavras misteriosas
Que perturbam o meu ser como afagol
E, nesta febre que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E já não sou, amor, Soror, Saudade…
Olhos a arder em êxtase de amor
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a Abril em flor
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