05/04/2026
Para ler na minha coluna do Jornal de Angola de 5 de Abril.
Luísa Fresta, com este livro, procura, em cada conto, três fábulas e duas semi-fábulas, levar os leitores a pensarem nos sentimentos fundamentais para a humanização. Por meio do direito à literatura, os leitores destes contos do livro Bichos de má catadura entendem que o amor, a solidariedade, a coragem, a diligência, a cooperação e os sonhos são as alavancas para a humanização das crianças e dos adultos.
11/05/2025
Hoje, a partir das 17h, no auditório do edifício do grupo Abreu Advogados, no Cais da Lingueta, vamos ou VAMOS?
Sintam-se convidados!
03/05/2025
A CIVICOP - Comissão para a implementação do plano de reconciliação em memória das vítimas dos conflitos políticos - devia também incluir o desaparecimento de intelectuais escritores no seu trabalho de busca de ossadas das vítimas do longo conflito armado causado pelos três históricos movimentos políticos de Angola e pelos seus principais agitadores (EUA, Rússia, China, Portugal, África do Sul, Cuba, Congo Democrático).
O talentoso Mota Yekenha (1962-1993!), escritor pouco conhecido pelos angolanos e pelos amantes da literatura angolana - autor da inovadora obra Kambonha (1992) - também quase desconhecida, desapareceu entre 1991 e 1993. Foi “sacudido pelo vento”(usando o título de uma das narrativas do escritor e jornalista Isaquiel Cori). Nem chegou a ver a sua potente prosa a ser publicada em Portugal, pela Europress. Nenhum osso do teólogo e escritor do Huambo - à época com mais ou menos 30 ou 31 anos - aparece até hoje. Será que teve o mesmo fim das pessoas a quem dedicou o seu relevante romance (“Ao José Maria Cigarro; disse a verdade e desapareceu. Ao R.C.W.; foi de boa fé até ao fim. Ao Prata, Irmão Sofredor; inspirou muito.”)?
Mota Yekenha combateu o bom combate no que a palavra lavrada diz respeito. Perdeu o país, perdeu o mundo com o desaparecimento de um jovem talentosíssimo.
A história regista tudo. O anjo da história não deixa que os melhores e os piores escapem da tradição. Deixo uma passagem de Kambonha, um retrato das consequências do fratricídio e do perigo dos totalitarismos:
“os gajos complicavam até duvidar do Bilhete de Identidade das pessoas, apoderavam-se, às vezes, de artigos alheios, dinheiro, rasgavam documentos dificílimos de serem novamente tratados e detinham cambas (camaradas) muito arbitrariamente. Num percurso de duzentos quilómetros, pelas vias terrestres cheias de crateras, as guias caducavam, sujavam-se, rasgavam-se!” (Mota Yekenha, 1992)
01/05/2025
Ontem, na sessão de Abril das Poéticas Afro-atlânticas em Lisboa
01/05/2025
Ontem, na sessão de Abril das Poéticas Afro-atlânticas em Lisboa
30/04/2025
O mundo ocidental urbano é quase totalmente automático. Numa sociedade onde um apagão dá cabo de muita coisa (pessoas fechadas no metro que vai a meio caminho, lojas, mercados, bibliotecas, farmácias, bancos encerrados) e onde há pessoas cujas vidas dependem de máquinas, urge termos sempre um gerador, algum dinheiro em espécie, rádios de comunicação, power banks e outros bens de sobrevivência em casa.
Eis o grande problema da modernidade: tudo o que é líquido gaseifica-se num instante (quebra de acordos e contratos, guerra económica). Vivendo os indivíduos momentos de torturas modernas: falta de energia, de visto, de sinal de internet ou viagens adiadas, calor e frio ao máximo ou falta de acesso ou impedimento na saída de casa ou do trabalho devido ao automatismo das portas.
Nestes moldes, saberemos cada vez menos o que é a segurança. Porque ela mesma também pode ser uma prisão. A economia do poder está em crise e os agentes dos panópticos estão confusos. Quem controla quem? E o que controla?
Assim, há um espectro que paira no ar da globalização: o espectro da nacionalização dos bens com o objectivo de se reduzir a interdependência dos estados.
Ora, estarão preparadas as corporativas do sistema mundial capitalista para a desaceleração do consumo e o levantamento de parte da pecúnia dos indivíduos dos bancos afim de garantirem o dinheiro em espécie para casos extraordinários?
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Foto:©️Fundação José Saramago
27/04/2025
O colonialismo é uma das atrocidades da humanidade. Numa sociedade colonial, o contacto entre as epistemologias dos povos que devia ser celebrado passa a ser corrompido em benefício de uma pequena elite política e dos seus aliados, nomeadamente, agentes do sistema político vigente, igrejas e corporativas do sistema mundial capitalista. Operando como um sistema violento, o colonialismo exalta parte de uma cultura, anula ou caricatura as culturas que encontra em dada localidade e falsifica uma ideia de união na divirsidade, quando o que se institui como o ideal de cultura já não é de todo o mudus faciendi da sociedade da qual saiu o colono e muito menos é o da sociedade dos colonizados. Ora, cria-se assim um elo falso entre os indivíduos. A sociedade colonial opera em diferentes espacialidades. Sejam elas económica, política, ideológica, jurídica, antropológica e até cultural.
Leia este texto na minha coluna do Jornal de Angola.