08/09/2019
UM FLASH À FOTOGRAFIA ANGOLANA
Por: Cíntia Gonçalves - palavraearte.co.ao
Ao falar da fotografia em Angola, não se pode esquecer das instituições mais importantes no desenvolvimento, evolução e história da mesma. O DIP (Departamento de Informação e Propaganda), a actual ENFOTO (Empresa Nacional de Fotografia), e o Jornal de Angola. Eram estes os órgãos que cobriam as grandes actividades do país.
Os vietnamitas e os chineses trouxeram o estilo Kónica que trazia uma fotografia muito mas polida e vendiam as máquinas fotográf**as a preço baixo, porque sabiam que teriam rendimento. Deram aulas práticas ensinando a utilizar o material. Contudo, uma das primeiras escolas de fotografia foi criada entre 1996 a 1997 no Maculusso pelo fotógrafo Paulo Oliveira Pinda, no sentido de dar mais conhecimento sobre a fotografia para profissionais e amadores.
Ao longo do período das eleições de 1992, a fotografia desempenhou um papel muito relevante ao registar tal período marcante para o nosso país. Nesta etapa, houve interacção e troca de experiências entre fotógrafos angolanos e os estrangeiros que vinham reportar o que se passava. Muitos fotógrafos foram capacitados para as eleições em seminários ministrados por brasileiros, alemães, americanos e portugueses.
Dentre os principais pioneiros da fotografia em Angola, destacam-se:
Francisco Bernardo, Paulino Damião (kota 50), Rogério Tutti, Pauolo Toneth, Lucas de Sousa, Pedro Salvador, Carlos Guimarães, Maurício Makembe, Carlos Mocco, Amper Rogério, Quintiliano dos Santos, Pinto Afonso. Entre outros.
Muitos desses eram funcionários de jornais enquanto outros faziam fotografia independente e amadora, devido carência de escolas especializadas na área. O amadorismo excessivo na fotografia é um fenómeno que até hoje se faz presente.
O avanço tecnológico melhorou o dia-a-dia da profissão, mas não mudou a essência da forma de se fazer fotografia. No que toca ao transporte internacional de imagens, observou-se uma enorme melhoria. Anteriormente, era necessária uma máquina chamada telefoto que tinha de estar unida a uma Companhia telefónica e custava o preço de uma máquina fotográf**a moderna. Tinha de se ligar a agência Angola-Telecom, marcar a chamada e, por sua vez, a agência ligava ao destinatário que f**ava à espera ao ligar também o seu telefoto. Precisava-se de muita atenção e cautela, porque se a ligação fosse interrompida tinha de se repetir o processo que durava quase duas horas. Actualmente, é um processo que se realiza em segundos.
Com as câmaras digitais, o trabalho ficou melhorado e facilitado. Começam a surgir em 1990 e chegam em Angola entre os anos 1998 a 2000. As primeiras usavam disquetes com capacidade de armazenar dez a quinze fotos, dando uma imagem mais nítida e próxima à realidade.
De 2000 até hoje a fotografia em Angola desenvolve de forma preguiçosa, discute-se a formação do fotógrafo e existência de escolas e centros de formação. Vão surgindo diversas associações destinadas a capacitação técnica e teórica do fotógrafo, observa-se cada vez mais a inclusão da fotografia nas diversas áreas sócias e principalmente como contribuinte económico. Desde o século XIX até hoje é visível uma evolução signif**ativa das máquinas, dos suportes de armazenamentos, assim como da própria fotografia. O contexto fotográfico angolano, fora as capturas, publicações de livros de fotografias e exposições, em um pensamento clama por uma soma de reflexões. Nesse jogo de primazias entre a técnica e a teoria vem à tona a relevância de artigos mais desenvolvidos do que este, para que se possa resgatar a imagem histórica como aquela que permite paralisar o olhar e, deste modo, fazer emergir desejos e questionamentos, construindo vínculos entre o conhecimento histórico/sociológico e o técnico. Mereceria uma análise mais aprofundada sobre as premissas e implicações do trajecto da fotografia em Angola, no entanto os dados que tenho são insuficientes, sendo que, assim, forneço ap***s uma chave interpretativa e eficiente para tentarmos compreender, analisar e investigar o que na verdade é a fotografia em Angola.