04/07/2025
CADÊ O NOSSO VALE DO SILÍCIO?
(Manifesto sobre inovação, futuro e coragem de investir em nós mesmos)
A inovação nasce quando alguém tem a coragem de acreditar no impossível. Mas é preciso um ecossistema que não mate a ideia antes dela respirar.
Em Angola, o potencial criativo existe. A juventude é inquieta, pensa diferente, sonha grande. Mas o sistema ainda está preso ao passado: centralizado, burocrático, desconectado da realidade. Faltam condições. Falta coragem.
O verdadeiro poder do futuro está na capacidade de resolver grandes problemas com soluções simples, escaláveis e locais.
Por que importamos software de fora se temos jovens que sabem programar? Por que compramos soluções caríssimas do exterior se temos mentes brilhantes a desenhar soluções para água, saúde, educação e finanças, com baixo custo e real impacto?
Por que não conseguimos criar um ambiente onde um jovem de Angola possa lançar uma startup de impacto global?
A resposta é simples, não há capital de risco real.
Não há políticas consistentes. E, pior ainda, não há visão estratégica de longo prazo.
O QUE OS ECONOMISTAS DIZEM?
Defendem que o desenvolvimento sustentável exige investimento público inteligente e direcionado, capaz de criar mercados, e não apenas “deixar o mercado funcionar.
Lembrar que nenhum país se desenvolveu sem proteger e fortalecer as suas indústrias e tecnologias locais.
Hoje, Angola precisa dessa postura.
O empreendedorismo digital precisa ser tratado como infraestrutura estratégica, tal como estradas, energia e saúde.
Porque é ele que vai conectar tudo.
POR QUE NÃO TEMOS NOSSO VALE DO SILÍCIO?
Porque ainda:
- Tratamos jovens criativos como sonhadores e não como ativos de desenvolvimento;
- Rejeitamos o risco, esquecendo que a inovação nasce no risco, e morre na zona de conforto;
- Planeamos no papel e não no campo;
- Importamos tecnologia, mas exportamos os nossos cérebros.
ENTÃO, O QUE FALTA?
- Criar um ecossistema real de inovação com laboratórios, incubadoras, hubs e parques tecnológicos conectados com a realidade local;
- Estimular o capital de risco nacional, com regras claras, incentivos fiscais e proteção ao investimento inteligente;
- Valorizar o feito em Angola com inovação, não apenas o artesanal, mas o digital, o escalável, o que resolve;
- Mudar a mentalidade: parar de ver o jovem empreendedor como problema e começar a vê-lo como alavanca de transformação nacional.
Cadê o nosso Vale do Silício?
Está onde está a coragem de apostar em nós mesmos.
O futuro de Angola depende de quem tiver a ousadia de criá-lo, com visão, investimento e ação.
Por: Valdemar Dulo