28/11/2023
・・・
É uma coisa muito curiosa e que não consigo entender muito bem mas, apesar de trabalhar com escrita e usar a palavra como ferramenta, penso através de imagens. Se você me conta uma história, visualizo tudo que é dito, como um filme em minha mente. Cada detalhe se transforma em uma cena vívida, detalhada. Sou espectadora da sua fala. Mas, uma espectadora muito presente – se a sua história me interessa, claro – a tal ponto de me desconectar da realidade que me rodeia.
Outro fato interessante é que esse tipo de imaginação é bem semelhante ao que acontece em meus sonhos. Acordo como se os tivesse vivido e me sinto triste, feliz, ansiosa, cansada, melancólica, assustada, etc., por causa deles.
Na minha infância, muitas vezes, precisei parar e pensar: “será que vivi isso, me contaram, vi num filme, sonhei ou li num livro?”. A resposta, geralmente, chegava depressa mas, a dúvida existia.
Talvez, por essa mesma razão, sempre prefiro os livros às adaptações para o cinema. Acho que tudo f**a mais legal e detalhado na minha mente. Consigo me concentrar absolutamente no que leio. No filme, as imagens já estão postas e nem sempre correspondem ao que imaginei pra aquela cena.
Esse tipo de pensamento acaba interferindo na comunicação e não vou falar a respeito porque não entendo exatamente como funciona. Talvez, em outra ocasião. Mas, sei: é um fato. E é um fato que atrapalha – e muito – as relações (de qualquer espécie).
Também acho importante ressaltar que pensar através de imagens coloca você em situações constrangedoras porque você visualiza TUDO, mesmo o que não gostaria… e aquela imagem não vai embora da sua mente, simplesmente, porque você quer! F**a lá, cria morada, pelo tempo que quiser e isso é bastante inconveniente, às vezes. Às vezes, não.
Acabei de ler o seguinte: “nem toda pessoa com autismo pensa em imagens, mas pesquisas demonstram que a maioria de fato pensa com cortex visual primário. De fato, o pensador visual é só um tipo de mente. A mente autista tende a ser uma mente especialista – boa em uma coisa, péssima em outra”