20/05/2021
A pandemia criou o ambiente perfeito para o aumento de casos de Síndrome de Burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional. Isolados dentro de casa, trabalhadores passaram a ser cobrados a manter a mesma produtividade que tinham antes no escritório. Para dar conta de todas as demandas, muitos estenderam a jornada de trabalho. O excesso de serviço desequilibrou os limites entre vida pessoal e profissional, que são tão importantes para a saúde mental. Para piorar esse cenário, a pandemia aumentou o desemprego e reduziu a renda do brasileiro, aumentando a preocupação das pessoas com seu futuro profissional. O distanciamento dos chefes também aumentou a insegurança sobre a satisfação com as entregas realizadas.
A pandemia criou uma situação diferente de tudo que as pessoas já viveram. Os processos de trabalho mudaram e os funcionários f**aram muito preocupados em provar para os gestores que estão conseguindo manter a performance.
A preocupação com a manutenção do emprego gera um círculo que empurra o profissional para a Síndrome de Burnout: ele passa a trabalhar mais, f**a mais esgotado e, por fim, rende cada vez menos, já que está doente. Para mostrar para o chefe que está segurando o rojão, a pessoa passa a trabalhar mais. Junta-se a isso o medo enorme de ser mandado embora em um momento de crise sem precedentes e sem perspectiva de melhora.
As pessoas com Síndrome de Burnout costumam passar por três fases:
1. Aumento brusco de produtividade
Se a pessoa está trabalhando muito mais que oito horas diárias, isso é um sinal de alerta. Ela está empregando mais tempo no trabalho e menos em outras coisas que fazia antes.
2. Surgimento de fatores ansiosos
A pessoa começa a perceber alguns sintomas no corpo. Está trabalhando e, do nada, tem taquicardia. Outros sintomas comuns são falta de ar, dores musculares frequentes, dor de cabeça, insônia, mudança na alimentação, pensamento acelerado.
3. Exaustão total
Como o ambiente de trabalho e o comportamento não mudaram, a pessoa f**a cada vez mais exausta. Ela se cansa do ambiente estressor, tem a sensação de que já fez de tudo para contornar a exaustão, mas nada deu certo e desiste de reagir. Essa fase se caracteriza pelo aumento do número de faltas no trabalho, descumprimento de prazos de entrega, mudanças de comportamento.
É comum que aumente a irritabilidade, dentro e fora e do trabalho. O pavio f**a mais curto, a pessoa perde a paciência e responde com rispidez a todos.
Por que o distanciamento físico potencializa os riscos?
Por conta do distanciamento físico, ficou ainda mais difícil para os gestores identif**arem um funcionário com Síndrome de Burnout. Antes, havia o contato físico, o funcionário estava ali do lado, dava para perceber por meio de alguns sinais que algo não ia bem. Hoje, por mais que se façam videochamadas, não dá para saber se a pessoa está bem ou não só pelo contato digital.
Por isso, muitas empresas contratam empresas especializadas em analisar o padrão de trabalho dos colaboradores.
Burnout é doença do trabalho?
A Síndrome de Burnout já é reconhecida como doença do trabalho, com direito ao afastamento das atividades. É o estresse crônico resultado do cansaço físico e emocional decorrentes do trabalho.
Uma vez que o funcionário consiga reconhecer que está com Síndrome de Burnout, ele tem direito ao afastamento do trabalho por no mínimo 15 dias.
O que as empresas estão fazendo para prevenir isso?
Dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho mostram que a concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez devido a transtornos mentais e comportamentais atingiu o número recorde de 576,6 mil casos em 2020, um avanço de 26% em relação a 2019.
Esse aumento no número de afastamentos acendeu o sinal de alerta dentro das empresas.