26/05/2026
Fui até Vila Real, a Provesende, a terra da minha amada avó Branca.
Mas a vida, quando quer ser generosa, não entrega só aquilo que pedimos.
Entrega um pouco mais.
Lá estava o meu tio-avô António.
Irmão da minha avó.
Com 93 anos.
À minha espera.
E eu, que achava que ia só conhecer uma aldeia, acabei sentada diante de uma vida inteira.
Histórias de infância.
Memórias de família.
Emigração.
Sacrifícios.
Trabalho.
Alegria.
Dor.
Sentido.
O corpo dele carrega o tempo.
Mas o olhar… ah o olhar parecia guardar uma alma ainda muito viva.
Foi ali que percebi, de uma forma simples e profunda, que há dois tempos.
O tempo do relógio, que passa por todos nós.
E o tempo que f**a dentro da gente quando algo é vivido de verdade.
Eu tentei não chorar.
Falhei miseravelmente. 😅
Os olhos inchados fizeram questão de contar a verdade.
O Eduardo conseguiu gravar alguns momentos desse encontro.
No início, era só para nós. Para a família. Talvez um dia para os nossos filhos.
Mas saí de lá com a sensação de que algumas histórias não são só nossas.
Elas atravessam-nos para acordar alguma coisa em quem as escuta.
Por isso, em breve, vou partilhar um vídeo muito íntimo e especial no YouTube.
Não é apenas sobre a minha avó Branca.
Nem apenas sobre Vila Real.
Nem apenas sobre um tio-avô de 93 anos.
É sobre origem.
Sobre tempo.
Sobre sentido.
Sobre o que permanece quando quase tudo passa.
E talvez, ao veres a minha história, te lembres um pouco da tua.
Com carinho,
Estela
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