05/10/2026
Dia Mundial do Professor: tenho orgulho em ser professor, mas a escola mudou, e os números mostram-no.
Dou aulas de Educação Física desde setembro de 2002. Nessa altura, os alunos respeitavam quem estava à frente deles. No último ano letivo, a PSP registou 4.075 ocorrências nas escolas, 1.426 delas ofensas corporais, mais 10,5% do que no ano anterior.
Muitas agressões a professores nem chegam a ser contadas. Num inquérito a 2.529 professores, do movimento Missão Escola Pública, 59% disseram já ter sido vítimas de agressão verbal ou física, 1 em cada 10 física, quase sempre por alunos. Só 18% denunciaram.
A profissão envelhece sem substitutos: 62% dos professores do 3.º ciclo e secundário têm 50 ou mais anos, e vão ser precisos cerca de 38 mil novos até 2034.
E o ministro? A 29 de setembro, com 664 horários por preencher, 238 no 1.º ciclo, disse que «400 horários no país não é um problema para ninguém». Para cada aluno sem professor, é o problema todo.
E não é a primeira vez. Na correção dos exames nacionais, vimos colegas receber provas de outros grupos disciplinares, itens a desaparecer da plataforma e classificações atrasadas. O ministro começou por dizer que «não houve nenhum percalço» e que a maioria dos relatos era falsa. Depois culpou os diretores e a Fenprof. Responsabilidade própria, nunca. A mim parece-me arrogância.
Custa-me escrever isto, mas estou desiludido com a escola pública de hoje. Não com os colegas nem com os alunos que querem aprender, mas com o caminho que a escola tomou. E nós, professores, não estamos unidos.
A todos os professores e auxiliares: obrigado! Partilha com um professor que te marcou.
Let's go!
Fontes:
PSP, Programa Escola Segura, balanço de 2025/26 (29/09/2026).
Missão Escola Pública, inquérito a professores (janeiro de 2025; amostra não representativa).
DGEEC, Perfil do Docente 2023/24 e Estudo de necessidades docentes 2025-2034.
Declarações do ministro da Educação: Education at a Glance 2026 (29/09/2026) e exames nacionais (1/07, 13/07 e 25/09/2026).