04/07/2022
Na verdade entendo bem porque os cursos de Parentalidade Consciente têm poucos homens e pais.
É difícil admitir que, na maioria da vezes, não sabemos bem o que estamos a fazer.
É desafiante abdicar da segurança e das “certezas” que uma Parentalidade Tradicional nos traz. Nós, no fundo, até percebemos que não funciona, mas socialmente estamos em terreno seguro e num espaço aceite.
Nós, homens e pais, não gostamos de ser questionados e muito menos explicar ou justificar os nossos comportamentos (até porque na maioria das vezes não os sabemos explicar).
Nos últimos dias tive o privilégio de pertencer à equipa de assistentes na certificação de Parentalidade Consciente, entregue pela Mikaela Övén. A experiência foi profunda e transformadora, como habitual.
Gostava mesmo muito que mais pais entendessem a importância do seu envolvimento nesta missão, nesta obrigação de educar para um mundo melhor e, cada vez mais, compreendo que esta irá ser (mais) uma tarefa das mulheres e mães. Existe grande diferença na forma como a coragem se expressa nas mulheres e nos homens.
Identifico esta diferença e esta coragem quando ajudo pessoas ir a uma banheira com gelo (Método Wim Hof), identifico em sessões de coaching, em formações em empresas, exercícios de respirações e, claro em certificações de parentalidade. Nós, homens, mantemos a necessidade de lutar e lidar com os desafios com a única ferramenta que conhecemos, a força.
Acredito que essa força pode vir de vários sítios, assumir várias formas e manifestar-se de maneiras bem diferentes.
Na realidade a minha intenção e o meu foco está para lá do pai ou da mãe, a minha verdadeira intenção está no equilíbrio e na relação que as crianças irão ter com os pais e com elas próprias. Para viver esta minha intenção é mesmo fundamental envolver os pais, neste caso as mães… os pais chegarão, a seu tempo, com o seu ritmo, com as suas dúvidas e incertezas, mas chegarão, estou certo.
Entretanto, como sempre, confiamos nas mães e nas mulheres que assumem com coragem o leme da mudança e da esperança num mundo melhor, com crianças e adultos melhores.