Republica-se hoje, dada a contínua procura. Gratos por isso.
Mensageiros de Apolo: Carlos Trincheiras (1937 — 1993)
Quando o Grupo Experimental de Ballet foi constituído, um dos nomes que acompanhou Isabel Santa Rosa, Wanda Ribeiro da Silva, Albino de Morais, ou Antonieta Ribeiro, bailarinos que haviam passado, quase todos pelo "Verde Gaio" e pelo C.I.C., foi o de Carlos Trincheiras. E se é verdade que é já na idade adulta que se concentra no ballet, guiado por Margarida de Abreu no Círculo de Iniciação Coreográf**a, Carlos Trincheiras foi inquestionavelmente o mais errático dos mensageiros de Apolo, o mais inquieto, o mais andarilho - como andarilho fosse condição da sua arte. Completando a sua formação em Paris, Londres e Essen, poucos bailarinos portugueses terão trabalhado com uma diversidade de bailarinos e coreógrafos portugueses e estrangeiros tão ampla.
Envolvido directamente com Léonide Massine, Anton Dolin, Serge Lifar, Nicholas Beriozoff, Yurek Lazowski, John Butler, Hans van Manen, Norman Walker, Milko Sparemblek, Maurice Béjart e Lar Lubovitch - teve os encontros certeiros e a audácia de assumir-se desde sempre como um criador. Talvez por isso, tenha sido membro fundador do Ballet Gulbenkian e, a par de Isabel Santa Rosa (que foi sua esposa), Jorge Garcia, Armando Jorge e Ger Thomas, dirige artisticamente a mesma companhia, entre os anos de 1975 e 1977, para a qual cria dezenas de obras, de que são exemplo "Os Últimos Segundos do Último Sonho de…", "Amor de Perdição"). Porém, cria, outrossim, para a Companhia Nacional de Bailado e para um teatro que viria a ser sua dilecta casa: o Teatro Guaira,em Curitiba, no Brasil.
Esta é uma casa que magistralmente dirige entre 1979 e 1993, ano da sua morte. Com efeito, a sua experiência brasileira deixou longos frutos, que hoje têm manifestação reif**ada nas galas de homenagem que são prestadas a si e à sua obra. Do seu engenho e arte saíram quer a revivif**ação dos clássicos quer as obras da sua contempora(ne)idade: "Sagração da Primavera", "Archipel 3", "Variações de Paganini", "O Grande Circo Místico", "Lendas do Iguaçu", "Da Vida e da Morte de uma Mulher Só" e "Mandala de Maria Bueno".
O actual chamado diálogo interartes muito teria a aprender se recordasse obras como Homenagem a Florbela Espanca, com coreografia de Norman Nixon e de que foi um dos intérpretes, ou "O Grande Circo Místico" (Teatro Gauíra). Com efeito, Carlos Trincheiras encarna o artista plural, não porque domine as artes, mas sim porque serve a arte em todos os seus rostos. Sabe-se que foi Carlos quem oferece os sonetos da formidável poetisa portuguesa a Nixon e que o trabalho em cena com Isabel Santa Rosa causara a sensação de sonho real dentro de um palco cuja ficção fora, afinal, realidade. Ou vida. Talvez seja mesmo essa vida e esse entusiasmo que Nixon celebra em Carlos Trincheiras
Um poema de Jorge de Lima, mais poemas de Chico Buarque, música de Edu Lobo - vão compondo aquilo a que Trincheiras chama de produção "muito corajosa" e "muito ambiciosa". E porquê?
Com "O Grande Circo Místico" pretendia tornar-se o bailado acessível, por forma a que pudesse viajar por todo o Brasil - e assim o público pudesse aprender e apreciar o "manancial que existe dentro da expressão corporal". "O Grande Circo Místico" oferece uma viagem pela história da própria dança teatral e teatralizada e prova que o seu criador tem uma pátria bem maior do que Portugal - ou, para usar as habituais palavras de Fernando Pessoa - do que a língua portuguesa. Não existe um ditame folclórico - mas sim uma vontade de fazer do palco casa da cultura e da história. Que é, também, uma das voltas da arte. Existe uma sensibilidade que é a dança à flor da pele de Carlos Trincheiras, o seu corpo, sim, pátria da dança porque ao serviço da intemporalidade. Como não dizer que, como Beatrice, também a dança conduz a uma estranha luz que não se vê, sustentando a existência humana? Como não dizer que, como Dante, também a dança f**a à mercê de um amor por si que é sempre o corpo quando, através do gesto, acena?
Assim Carlos Trincheiras. Tradutor de sonhos e mensageiro de um corpo total e sem nome. Porque dança e, então, é mais do mundo do que dos homens. E, por esse motivo, pioneiro dos pioneiros.
Joana Duarte Bernardes
O Projecto Laçarote e Asas
*Contrariamente ao que é habitual, não deixamos fotografias. Deixamos, sim, um encontro. Bravo, Carlos Trincheiras!... Os bailarinos Eleonora Greca e Jair Moraes, do Ballet Teatro de Guaira, em O Grande Circo Místico, 1983.
Projecto Laçarote e Asas - The Ribbon and Wings Project
Our first aim was to gather ballet clothes for children in need. We took flight and now we fly over Portuguese young dancers - and other balletic worlds.
No início foi ... a atenção. Porque a muitas crianças é dada a possibilidade de frequentarem aulas de ballet, sem que, contudo, seja imediata, por dificuldades económicas, a aquisição de vestuário adequado para as aulas, Laçarote e Asas pretende mover o olhar distraído dos outros para o direito ao sonho destas crianças. Trata-se, pois, de um projecto de recolha de roupa, acessórios e material para
15/03/2018
Faria 100 anos neste ano de 2018. Dos Mestres inesquecíveis.
"He continued to pepper me with questions about the rumors my friends and I had heard about the Siren who lived in the land beyond, and, in the end, he reminded me never to walk into the studio again without having done my research for a role."
Why Jerome Robbins Was More Than Just a Task-Master In a windowless subterranean studio under the New York State Theater, I pulled back an imaginary arrow and let it fly.
01/03/2018
Seja quem se prepara para ir ao Norte, ao Centro ou ao Sul do país, seja quem se prepara para Moscovo, Barcelona, ou Nova Iorque, a todos e a todas deseja o Projecto Laçarote e Asas uma preparação com domínio, dedicação e dança vinda coração.
01/03/2018
Da importância da precisão no início e no fim do movimento.
Artigo realmente interessante sobre a metódica dança contemporânea em detrimento de modismos. Como um bom artigo, prós e contras são apresentados. A reflectir.
"Flowing continuously through movements without arriving in clear positions is a choreographic choice, but dancers who only move in that style limit their options."
Is Contemporary Class Bad for Dancers' Technique? In today's dance world, it seems to go without saying: The more varied the training, the better. But is that always the case? Rhonda Malkin, a New York City–based dance coach who performed with the Radio City Rockettes, thinks trendy contemporary techniques that emphasize improvisation and organic...
Da alegria, do amor a si e do amor aos outros - dos exemplos que são nossos.
23/02/2018
Outras histórias que são também História da Dança. Vale a pena descobrir o link!...
https://www.theguardian.com/stage/gallery/2018/feb/06/sets-picasso-matisse-art-dance-sadlers-wells-in-pictures?CMP=share_btn_fb
22/02/2018
É com enorme orgulho que partilhamos a fotografia de Mafalda Fideles no Peasant Pas de Deux do I acto de Giselle, pela Ooppera & Baletti da Finlândia, em produção criada por Cynthia Harvey para o Oslo Ballet em 2009. Mais ainda: Mafalda, a bailarina, inicialmente formada pela Escol de Dança do Colégio Rainha Santa Isabel, dá toda a sua expressividade ao vídeo (no link abaixo) que anuncia a temporada da Primavera de 2018 - bem como ao outdoor que o edifício exibe. Bravíssima, Mafalda!...
http://oopperabaletti.fi/kaudet/
Embora a semana esteja no fim... todos sabemos que não paramos ;)
18/09/2017
A nossa querida e talentosa Inês presenteou o Projecto Laçarote e Asas com os fatos de ballet que a acompanharam nos últimos dois anos e que, porque bailarina cresce muito, este ano já lhe não servem.
E destinatárias procuram-se!...
Obrigada, Inês, pelo gesto!... Orgulho de menina e bailarina 😘💪
03/09/2017
O primeiro dos textos que o Projecto Laçarote e Asas foi escrevendo sobre bailarinos portugueses teve como protagonista Mafalda Fideles, antiga aluna da Escola de Dança do Colégio Rainha Santa Isabel, em Coimbra. É com imensa alegria que anunciamos, para os mais desatentos (que não devem ser muitos!) o primeiro solo da Mafalda no Ballet Nacional da Finlândia: o papel de Nichette, na adaptação de A Dama das Camélias realizada pelo coreógrafo americano Val Caniparoli. Brava, Mafalda Fideles!...
Sirva para inspiração de todos neste início de ano lectivo!...
O Projecto Laçarote e Asas, a seu tempo, retomará as pontas por atar deste Verão, a propósito do já consagrado e bravíssimo Marcelino Sambé e da jovem bailarina Teresa Borges, da Oporto Ballet School. Até lá, outros voos nos esperam e f**aremos a planar até podermos, de novo, parar para vos escrever ;)
Havíamos já dado conta da notícia. Porém, com tal vídeo, passado e presente f**am claros. São estes os exemplos. Bravooooo!
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