15/01/2026
📖 No Pentateuco, o Reino de Deus não aparece como conceito abstrato, mas como realidade histórica, jurídica e cultual.
Desde Gênesis, Deus se revela como Rei soberano (mélek), Criador que governa a ordem do cosmos e delega autoridade ao ser humano (Gn 1). Com o chamado de Abraão, o Reino assume forma pactual: Deus reina por meio da aliança (berit), prometendo uma descendência e uma terra sob seu governo.
Em Êxodo, o Reino se manifesta de modo explícito: Deus liberta Israel do Egito e se apresenta como Rei-redentor, vencendo Faraó — símbolo de um poder rival. No Sinai, o Senhor estabelece sua teocracia, dando a Lei (Torah) como constituição do Reino: “sereis para mim um reino de sacerdotes” (Êx 19).
Em Levítico e Números, o Reino de Deus é vivido no cotidiano santo. A presença divina no tabernáculo indica que o Rei habita no meio do seu povo, regulando culto, ética e vida social. A santidade não é opcional, mas exigência do governo divino.
Por fim, em Deuteronômio, o Reino é reafirmado como reinado moral e espiritual: Deus governa corações por meio da obediência amorosa. A fidelidade à Lei não cria o Reino, mas expressa submissão ao Rei.
Assim, o Pentateuco apresenta o Reino de Deus como Deus reinando, o povo como súditos da aliança e a Lei como expressão concreta desse governo — fundamento para toda a teologia bíblica do Reino.
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