07/09/2026
QUANDO O FOGO FICOU EM SELÊNCIO.
Há dias em que uma ilha inteira parece perder a voz.
O dia 05 de setembro de 2026 ficará marcado na memória de Cabo Verde como um daqueles dias em que o silêncio pesa mais do que qualquer palavra. Na ilha do Fogo, uma viagem que deveria terminar com sorrisos transformou-se numa despedida que ninguém estava preparado para fazer.
E agora ficam as famílias.
Ficam mães que esperavam ouvir uma chave abrir a porta. Pais que aguardavam o regresso dos filhos.Irmãos que ainda talvez não consigam acreditar. Avós que guardavam sonhos para aqueles pequenos olhos que, tão cedo, foram obrigados a fechar-se.
Há casas onde, esta noite, haverá uma cadeira vazia.
Há quartos onde permanecerão roupas, fotografias, livros e pequenos objetos que, de repente, passaram a carregar uma saudade imensa.
E há uma pergunta que ninguém consegue responder: Porquê? O Fogo, terra de gente forte, hoje chora. As suas montanhas testemunharam uma das dores mais profundas que uma comunidade pode suportar. E Cabo Verde inteiro sente essa dor como se fosse dentro da própria casa.
Aos familiares das vítimas, talvez nenhuma palavra seja suficiente. Porque diante da morte de um filho, de uma mãe, de um irmão ou de alguém amado, até o silêncio parece pequeno.
Mas saibam que não estão sozinhos.
Que cada lágrima derramada seja também uma prova do amor que existiu. Que cada fotografia guardada seja uma forma de manter viva uma presença. E que cada nome pronunciado seja uma maneira de dizer ao tempo:
"Tu partiste, mas não serás esquecido."
Hoje, o Fogo não é apenas uma ilha. É uma mãe que chora. É um pai que procura forças. É uma família abraçada à saudade. É Cabo Verde inteiro de luto.
E talvez, perante tamanha tragédia, a única coisa que nos resta seja baixar a cabeça, abraçar quem amamos e agradecer por mais um dia ao lado daqueles que ainda podemos chamar de "meu filho", "minha mãe", "meu pai", "meu irmão", "meu amigo".
Que Deus receba as almas daqueles que partiram.
E que dê força às famílias para continuarem a caminhar com uma ausência que jamais será preenchida.
Às famílias enlutadas da ilha do fogo, o nosso abraço, a nossa solidariedade e o nosso silêncio.
Porque há dores que não precisam de palavras.
Precisam apenas de amor.
Por: Helio Dacruz