Olá, como vai

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Langue et culture du Brésil

10/05/2020

Maria Firmina dos Reis, primeira autora brasileira

Mulher, negra, filha ilegítima, criada com poucos recursos em uma pequena cidade no interior do Maranhão, Maria Firmina dos Reis ultrapassou as barreiras raciais, sociais e de gênero e se tornou a primeira autora brasileira, publicando em 1859 um romance pioneiro na crítica antiescravista da literatura do país, nomeado Úrsula.

“Mesquinho e humilde livro é este que vos apresento, leitor. (...) Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e a conversação dos homens ilustrados”.

Assim começa a apresentação do romance pela autora, que assinou apenas como “Uma Maranhense”, dentro das “regras” de invisibilidade feminina que eram costume na etiqueta literária do século XIX, marcada pelo anonimato, uso de pseudônimos e autodepreciação. Em 1860,diversos anúncios em jornais do Maranhão destacavam a obra como “excelente romance, que deve ser lido pelos corações senciveis e bem ormados e por aquelles que souberem proteger as lettras pátrias” (http://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=035156&pagfis=1064) e “digna de ser lida, não só pela singeleza e elegância com que é escripta, como por ser a estrea de uma talentosa maranhense.” (http://memoria.bn.gov.br/docreader/035156/1060).

Considerado o primeiro romance abolicionista publicado no país, Úrsula tem um enredo romântico com protagonistas brancos, porém apresenta, pela primeira vez, personagens negros – africanos e afro-brasileiros – que refletem em primeira pessoa sobre as relações opressivas que viviam numa sociedade violenta, escravista e patriarcal. Anos antes do famoso poema “O Navio Negreiro”, de Castro Alves, Maria Firmina dos Reis apresenta em sua obra descrições não só das senzalas e das violências da sociedade escravista, mas também um relato do tráfico negreiro, narrado em 1ª pessoa na voz da escravizada Susana:

“Meteram-me a mim me a mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no estreito e infecto porão de um navio, trinta dias de cruéis tormentos, e de falta absoluta de tudo quanto é mais necessário à vida passamos nessa sepultura até que abordamos às praias brasileiras. Para caber a mercadoria humana no porão fomos amarrados em pé e para que não houvesse receio de revolta, acorrentados como os animais ferozes de nossas matas. (...) Davam-nos a água imunda, podre e dada com mesquinhez, a comida má e ainda mais p***a: vimos morrer ao nosso lado muitos companheiros à falta de ar, de alimento e de água. É horrível lembrar que criaturas humanas tratem a seus semelhantes assim e que não lhes doa a consciência de leva-los à sepultura asfixiados e famintos!”

Maria Firmina dos Reis foi professora de primeiras letras em Guimarães durante 25 anos e, em 1880, abriu uma inovadora sala de aula mista, que causou escândalo numa época em que a igualdade de educação para as mulheres era bandeira de luta, e acabou fechada pouco depois. Poeta reconhecida em sua comunidade, colaborou com a imprensa e teve seus poemas publicados em diversos jornais do Maranhão, como

A Pacotilha (http://memoria.bn.gov.br/DocReader/168319_01/9008), Echo da Juventude (http://memoria.bn.gov.br/DocReader/738271/48)e Semanário Maranhense (http://memoria.bn.gov.br/docreader/720097/215). Em 1887 publicou também o conto abolicionista “A Escrava”. Sua obra inovadora, esquecida por mais de um século, foi redescoberta pelos pesquisadores mas está ainda à espera do reconhecimento público que merece.
(Maria Angélica Bouzada)





Photos 01/05/2020

Raízes da literatura brasileira 🍂 🍃 💫

Abolicionista negra, educadora brasileira e nordestina, Acredita-se que Maria Firmina dos Reis (1822-1917) tenha sido a primeira mulher a publicar um romance no Brasil, no ano de 1859. Trata-se da obra Úrsula, considerada um instrumento de crítica à escravidão.

A publicação da escritora maranhense, natural da Ilha de São Luís, marcou história na literatura, inclusive por ser precursora da temática da abolição da escravatura. Esquecido por décadas, seu livro foi recuperado somente em 1962 pelo historiador paraibano Horácio de Almeida em um sebo no Rio de Janeiro.

A relação de Firmina, filha de mãe branca e pai negro, com a literatura começou cedo, em 1830. Aos oito anos de idade, teve contato com referências culturais e também foi influenciada por familiares ligados ao meio cultural, como o seu primo Sotero dos Reis, um popular gramático.

Em 1847, Firmina foi aprovada num curso público na cidade de Guimarães, no Maranhão, e tornou-se professora no mesmo ano. À época, já tinha uma postura antiescravista mas, por ser mulher, ainda mais negra, tinha sua expressão abafada.

Depois de quase 12 anos de carreira como professora, Maria Firmina dos Reis conseguiu estabilidade e respeito, que a fizeram lançar o seu primeiro livro, o romance Úrsula. Daí pra frente, a autora conseguiu publicar poesia, ensaios e histórias em jornais e revistas maranhenses.

Anos depois, em 1887, quando o movimento abolicionista já estava difundido no Brasil, a escritora nordestina publicou na Revista Maranhense o conto “A Escrava”, que descreve a história de uma participante ativa contra a abolição.

Clarice Lispector - Perdoando Deus 20/12/2016

PERDOANDO DEUS / PARDONNANT DIEU / FORGIVING GOD – Ou o desafiante exercício de somar as incompreensões no ato de amar a si, ao outro e a Deus, tendo como pano de fundo o medo e a violência latente. Conto-poema da escritora brasileira, de origem ucraniana, Clarice Lispector, na voz da atriz brasileira, de origem armênia, Aracy Balabanian:

« Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de ‘mundo’ esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que ‘Deus’ é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu Ocontrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu.”

https://youtu.be/E5CX_PX0gVs

Clarice Lispector - Perdoando Deus Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, soman...

Renato Russo entrevista rara para o programa cidade mágica 15/08/2016

CIDADE MÁGICA - O cantor brasileiro Renato Russo (1960-1996), nascido em Brasília, deu uma entrevista antológica no começo de sua carreira, hoje uma verdadeira raridade. E lá se vão 30 anos! Interessante conhecermos a opinião de um dos compositores brasileiros que marcaram uma geração da música brasileira junto com a sua lendária banda Legião Urbana, quando era ainda tão jovem. Dez anos depois, em outubro de 1996, ele nos deixava. E cantávamos todos: "Ainda é cedo!"

https://youtu.be/XE0OjOBjrCQ

Renato Russo entrevista rara para o programa cidade mágica Entrevista rara de renato russo ainda em começo de carreira.

Photos 09/08/2016

"Cigarra boêmia, eu sou; e vivo entre a folhagem
de uma árvore que tem as frondes levantadas
para o infinito Azul... E canto as consteladas
regiões, onde campeia o sonho, o amor-miragem.

Aplausos não espero e enjeito a vassalagem;
cantando livre e só, envolvo em exaltadas
torrentes de harmonia as rudes vergastadas
da vida e, deste mundo, a tétrica paisagem.

Pobre cigarra eu sou. Mas, em minh'alma guardo
o misticismo estranho e medieval de um bardo,
e, criadora, fulge em minha mente a ideia;

não me seduz a gloria e nem me tenta o ouro;
não sou ninguém, no entanto, espalho o meu tesouro,
— rainha sem reinado — à multidão plebeia!"

[Yde Scholoenbach Blumenschein, "Eterna cigarra"]

Photos 09/08/2016

YDE SCHOLOENBACH BLUMENSCHEIN - Adelaide ou Yde, mais conhecida como "Colombina", foi uma poeta brasileira (1882-1963). Mulher emancipada para sua época, vivia sozinha, fumava, frequentava meios literários e organizava saraus em sua casa. Sempre cercada de poetas e escritores, em 1932, teve a ideia de fundar a "Casa do Poeta Lampião de Gás". Inicialmente funcionando em sua casa, foi oficialmente criada em 7 de novembro de 1948. O nome da casa foi uma homenagem dos intelectuais que a frequentavam à sua idealizadora, pois este é o título de um de seus livros. Yde foi uma de suas diretoras, tornando-se a responsável pela edição de seu jornal mensal "O Fanal".

Buraka Som Sistema - Sound of Kuduro 09/08/2016

VIVA ANGOLA ! - Série musical em homenagem aos leitores angolanos de nossa página.

Buraka Som Sistema - Sound of Kuduro New video from Buraka Som Sistema featuring DJ Znobia, M.I.A., Saborosa and P**o Prata. Single out 16 February on Fabric Records in the UK. www.myspace.com/b...

Photos 04/08/2016

&

Papopoético 15.antologia 1 Manuel Bandeira 21/07/2016

"Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...

Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...

Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linda a arder!
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Portanto, mal se satisfaça
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...

A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas...tem de ser...
Amor?...- chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa."

[Manuel Bandeira BANDEIRA, M. Bandeira de bolso: uma Antologia Poética, Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.]


https://youtu.be/qFl5Vfk0n3Y

Papopoético 15.antologia 1 Manuel Bandeira Antologia Manuel Bandeira cap 1 O nascimento na Cinza das Horas

31/05/2016

ESCRITA CRIATIVA - "A gramática é uma cosmologia da língua. O medo da gramática não é o medo da gramática. É o medo de quebrar uma barreira de autoridade infantil, do teor moralista que reveste o certo e o errado no idioma. Para apropriar-se do idioma, será preciso errar. E errar com curiosidade, com sede de saber, com jogo. Com astúcia e um pouquinho de petulância." [Tiago Novaes]

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