08/03/2020
“É comum relacionar o Dia Internacional de Luta das Mulheres ao incêndio ocorrido em Nova York no dia 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens. Entretanto, a data do 8 de Março vem de uma manifestação ocorrida na Alemanha. Em 1910, a comunista Clara Zetkin propôs a criação de uma jornada anual de manifestações que visibilizasse as condições de trabalho das mulheres nas fábricas. A proposta de Zetkin era de uma jornada anual de manifestações das mulheres pela igualdade de direitos.
O primeiro dia oficial da mulher seria celebrado, então, em 19 de março de 1911. Em 1917, houve um marco ainda mais forte daquele que viria a ser o primeiro 8 de Março. Naquele dia, um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que seria o pontapé inicial da Revolução Russa. O protesto aconteceu em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo – 8 de março no calendário gregoriano, que os soviéticos adotaram em 1918 e é utilizado pela maioria dos países do mundo hoje.
Entretanto, para falar do sentido do 8 de março como marco de resistência feminina é imprescindível negritar que a luta das mulheres é muito mais antiga que essas resistências europeias e norte-americanas. Essa história oficial sempre tentou apagar a enorme resistência protagonizada pelo povo negro, especialmente as mulheres negras. No Brasil e na América Latina, as mulheres negras resistem desde o século XVI quando foram traficadas de África para este país. Dandara, Aqualtune e Luiza Mahin são mulheres negras símbolos, tanto no campo quanto na cidade, da luta contra a escravidão no Brasil. Elas estiveram em constante rebeldia para libertar a si e a seu povo da escravidão e violência. Estas e outras mulheres negras deram um sentido especial ao significado de revolta das mulheres no Brasil. Eram mulheres que iam às ruas vender quitutes e lavar roupas, conseguiam dinheiro para alforriar companheiros e se envolviam em rebeliões e aquilobamentos."
(Continua no comentário) @ Manifestación 8M