22/04/2026
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Todas as crianças, quando entram na escola, são sensíveis, curiosas, criativas, inteligentes, fantasiosas, intuitivas, atentas e perguntadoras. Como se compreende, então, que tantas tenham dificuldades escolares e que muitas reprovem e reprovem? E como se explica que muitas se zanguem com a escola?
O que é que a escola tenta, muitas vezes, fazer com elas? Educá-las do zero, à mesma velocidade e da mesma maneira. Tê-las quietas, atentas, caladas e com bons resultados escolares. Tenta uniformizar as aprendizagens. E tenta tê-las a escutar, a decorar e a repetir, mais do que a perguntar, a duvidar, a construir, a participar em raciocínios ou a criar.
A escola serve a educação estimulando a igualdade? Como se põem alunos muito diferentes a pensar tendencialmente da mesma maneira? Como se compatibiliza a diversidade de cada criança com a equidade?
E o que é que, em muitos momentos, esperam os pais? Que elas tenham bons resultados! Bons resultados independentemente das horas de trabalho, do tempo que se rouba à infância, daquilo que não brincam, das condições e das escolas que tenham ou não tenham, das exigências de todo o lado com que convivem, do stress do seu dia a dia e do medo com que vivem a escola. E nem sempre bons resultados significam melhores aprendizagens!
Afinal, o que é devia ser o sucesso na escola: formar líderes, jovens tecnocratas de qualquer coisa (que ganhem muito dinheiro muito depressa) ou pessoas sábias, autónomas, criativas e proactivas?
Não estaremos a trocar a escola que ensinava a medo, que premiava as respostas que um professor queria ouvir sempre na ponta da língua e que penalizava os erros com castigos, por uma escola que ensina a medo, tal é a forma como colocamos pressão nos nossos filhos para terem sempre muito bons resultados? Trocar o medo pelo medo faz com que se ame a escola e a liberdade de aprender?
E, se for assim, a escola serve sempre para nos tornarmos todos mais inteligentes? Será que os alunos saem sempre da escola mais inteligentes do que quando lá entraram? Não era altura - considerando as crianças, as famílias, as escolas e o mundo do século XXI - de nos sentarmos todos a conversar sobre o que queremos da escola?
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