06/12/2023
Descobrindo o seu eu observador
Mindfulness pode levar a uma jornada interessante de descoberta pessoal. A palavra pessoa vem da palavra latina persona, originalmente signif**ando um personagem em um drama ou uma máscara. A palavra descoberta signif**a des-cobrir, ou tirar uma capa. Então, neste sentido, a descoberta pessoal baseia-se em descobrir sua máscara.
Como disse Shakespeare: “Todo o mundo é um palco e todos os homens e mulheres são meramente atores.” Com a prática do mindfulness, você começa a ver seus papéis, suas personas ou máscara(s) como parte do que signif**a ser você mesmo. Você ainda faz tudo o que fazia antes: pode continuar ajudando as pessoas, ganhando dinheiro ou o que quer que goste de fazer, mas sabe que esta é somente uma maneira de ver as coisas, uma dimensão do seu ser.
Você provavelmente usa todo tipo de máscara específ**a nos diferentes papéis que desempenha. Pode ser um pai, uma filha ou filho, parceiro, empregado. Cada um destes papéis pede que desempenhe certas obrigações. Você pode não ter a consciência de que isso é possível: tirar todas as máscaras por meio da prática do mindfulness.
Mindfulness é uma oportunidade de ser você mesmo. Ao praticar a meditação, você tem, às vezes, experiências nítidas de um sentimento de ser. Pode ter a sensação profunda e inteira de paz, calma e estabilidade. Seu corpo físico que, normalmente, parece tão sólido, às vezes sai do foco da sua consciência e você tem um sentimento de conexão com o seu entorno.
Algumas pessoas se apegam muito a estas experiências e tentam repeti-las muitas vezes, como se elas estivessem ‘chegando mais perto’ de alguma coisa. No entanto, ao longo do tempo, você começa a se dar conta de que mesmo estas experiências, de uma aparente benção, também vem e vão. Aproveite quando elas vierem e, depois, deixe-as ir.
Com a prática do mindfulness, você pode vir a descobrir que é uma testemunha das experiências da vida. Pensamentos, emoções e sensações corporais vêm e vão durante a sua prática do mindfulness e, ainda assim, uma parte sua está observando tudo o que está acontecendo — a consciência em si. Isto é algo muito simples que todo mundo pode ver e experimentar. Na verdade, ser naturalmente você mesmo é tão simples que, às vezes, pode facilmente ser ignorado.
De acordo com a filosofia oriental, como esta testemunha, você é perfeito, inteiro e completo exatamente como é. Você pode não se sentir perfeito porque identif**a-se com seus pensamentos e emoções, que estão sempre mudando. Finalmente, não precisa fazer nada para atingir este estado natural, porque você é este estado natural o tempo todo — bem aqui e bem neste momento.
Por esses motivos, o mindfulness não busca a melhora pessoal. No centro do seu ser, você é perfeito exatamente como é! Os exercícios e meditações mindfulness são apenas para ajudar a treinar seu cérebro a ser mais focado e calmo e seu coração a ser aberto e acolhedor. A atenção plena não busca modificá-lo: é dar-se conta de que você é perfeitamente belo por dentro, exatamente como é.
Eckhart Tolle, autor de Um Novo Mundo: O Despertar de uma Nova Consciência, diz: ‘Que libertação é dar-se conta de que a “voz na minha cabeça” não é quem eu sou. Quem sou eu então? Aquele que se dá conta disso.’
Uma vez que você descobrir que é uma testemunha de toda a experiência, passa a se incomodar menos com os altos e baixos da vida. Este conhecimento oferece um caminho para uma vida feliz. É um pouco mais fácil seguir o fluxo e ver a vida como uma aventura em vez de somente uma série de lutas.
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Mindfulness para leigos, Shamash Alidina. Alta Books