Psicopedagogia Clinica - DI e Múltiplas

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Psicopedagogia Clinica,
Educação Especial ,Deficiência Intelectual, Dificuldades de Aprendizagem. (43) 98488 3147 OI
APUCARANA-PR

02/27/2024
05/16/2023
03/29/2022

A EDUCAÇÃO PÓS PANDEMIA

Sabíamos que a pandemia traria sérios prejuízos para educação, mas ninguém poderia prever que o retorno de 100% dos alunos presencial escancaria tão rapidamente os impactos negativos que o ensino remoto/híbrido provocaram em alunos, professores, gestores, profissionais de apoio e auxiliares de classe.
Algumas pessoas tem a ideia erronea de que professores não fizeram nada durante a pandemia, mas não só os professores trabalharam muito, como gestores e profissionais de apoio que se dedicaram a busca ativa além de cursos para melhoria de suas práticas. As escolas particulares enfrentaram a perda de inúmeros alunos, obrigando muitas a fecharem as portas e outras a ficarem a beira da falência. As que resistiram, também enfrentaram a questão da sobrecarga de trabalho dos professores que se empenharam para manter os alunos interessados e mostrar aos responsáveis que ainda valia a pena manter os alunos matriculados, apesar do contexto pandêmico.
Professores tiveram muitas vezes sua privacidade invadida, usaram seus pacotes de dados, aparelhos de uso pessoal, tiveram que aprender a usar aplicativos, produzir vídeos aulas do dia para a noite, e ainda assim, escutar ofensas e inverdades.
Perplexa, por diversas vezes respirei fundo e rebati muitos comentários equivocados vindos de quem não entende nada sobre educação, e procurei manter os profissionais da escola que coordeno motivados, embora muitas vezes, só me restou oferecer o “ombro” para chorarem, mas o que não sabíamos, era que o pior estava vir.
Durante a pandemia, muitos alunos com necessidades educacionais especiais deixaram de receber acompanhamento médico, romperam o uso de medicamentos e regrediram. Várias famílias de alunos perderam seus empregos e muitos incluindo profissionais da educação perderam entes queridos e não receberam apoio psicológico.
Todos estavam ansiosos para o retorno presencial das aulas, mas o que a maiora não havia parado para pensar, é que a escola não seria como era antes da pandemia e os prejuízos acumulados nos últimos dois anos, levarão muito tempo para serem reparados, e em alguna casos, talvez nunca sejam.
Retornamos as aulas presenciais, mas tenho notado uma dificuldade imensa dos professores em retomar sua rotina de aula. A maioria dos responsáveis estão agressivos, destratando os profissionais e com uma dificuldade imensa em dialogar. Auxiliares de classe e professores impacientes, perdidos para não dizer desesperados em alguns casos. Gestores estão apagando incêndios constantemente, lutando para manter a equipe unida e motivada e em alguns casos, com o quadro de funcionários desfalcados, gerando sobrecarga de trabalho e ainda mais desmotivação.
Alunos de creche estão extremamente infantilizados e dependentes, mesmo os que tem idade para ter alguma autonomia.
Nos preocupamos muito com a adaptação/readaptação dos alunos, mas quem se preocupa com a adaptação e readaptação de toda equipe escolar?

Muitos devem estar se perguntando, o que fazer diante desse cenário?
Acredito que devemos urgentemente buscar apoio psisológico, buscar o equilíbrio emocional, além do exercício da empatia para que antes de julgar ações extremas do próximo possamos entender todo o contexto que justificaria tal ação.
A escola deve buscar uma aproximação com as famílias e trabalhar a questão do respeito e valorização de todos que estão no espaço escolar, além de trabalhar pontualmente as dificuldades dos alunos que precisam de maior atenção nesse momento, talvez estendendo em alguns casos mais difíceis o período de adaptação. Encaminhar para atendimento especializado os que necessitarem, e incentivar a retomada de tratamento de alunos laudados que não estão sendo acompanhados por profissionais da saúde.
As escolas de modo geral devem dar espaço para que os professores expressem suas dificuldades. Devem colocar em pauta de discussões em HTPCs/ATPCs temas como inteligência emocional, motivação docente, além de levar os professores a uma reflexão sobre o momento que estamos vivenciando, e buscar de modo coletivo sugestões para solucionar os desafios que estão surgindo nessa retomada das aulas.
Por fim, todas as escolas que puderem investir em psicólogos, propor vídeos, artigos ou palestras que fortaleçam emocionalmente seus colaboradores nesse momento, acredito que minimizariam os problemas que estamos enfrentando nas escolas “pós pandemia” mesmo que a pandemia ainda não tenha acabado.

Lariça Betfuer
Pedagoga, Coordenadora e Consultora pedagógica, Especialista em gestão pública.

Mobile uploads 09/20/2021
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