08/03/2026
Essas frases existem antes de nós. Foram ditas pras nossas mães. Pras nossas avós. Pras mulheres que vieram antes e engoliram em silêncio o que não tinha nome.
“Se não for minha, não será de mais ninguém.”
“Você deveria agradecer que eu ainda estou aqui.”
“Sem mim você não é nada.”
“Ninguém vai te querer.”
“Eu faço isso porque te amo.”
A gente ouve essas frases e faz algo terrível com elas: guarda. Aceita. Repete baixinho pra si mesma até acreditar que são verdade. E quando acredita, para de lutar. De reagir. De se reconhecer. A frase entra pela orelha, desce pro peito e faz moradia. E de dentro do peito, governa. Decide o que você merece, o que você pode, o tamanho que você tem permissão de ocupar no mundo.
Nesse vídeo, mulheres rasgam essas frases. Com as mãos. Na frente da câmera.
Rasgar uma frase no papel parece gesto pequeno. Mas quando aquela frase mora dentro de você há dez, vinte, trinta anos, rasgar é um ato de desobediência contra tudo que te disseram que você era.
A sociedade vai continuar matando mulheres, violentando, abusando, enquanto a gente tratar essas frases como “coisa que se diz”. Enquanto normalizar. Enquanto ouvir e calar, pra não incomodar.
Cada vez que uma mulher engole uma frase dessas e finge que não doeu, uma parte dela morre sem barulho. E ninguém fala. E a vida segue, como se tudo ao redor estivesse “normal”.
Esse vídeo é um convite. Pra assistir. Pra se arrepiar. Pra lembrar de alguma frase que te disseram e que ainda está inteira dentro de você.
E talvez começar a rasgá-la. Por dentro. Devagar. Sozinha, de madrugada, em silêncio, se precisar.
A frase que você rasga, deixa de te governar.
E a mulher que para de acreditar na mentira que plantaram nela, é a mulher mais perigosa que existe: pra quem precisa dela pequena!