Núcleo da Marcha Mundial das Mulheres de Vitória da Conquista, Bahia. Quem foi Maria Rogaciana? Portanto, SOMOS TODAS MARIA ROGACIANA!
Maria Rogaciana da Silva não foi escrava, mas foi filha e irmã de escravos. Nasceu depois da “Lei do Ventre Livre”, promulgada em 28 de setembro de 1871. Menina crescida viu seus irmãos serem vendidos para as “matas do café” (como era conhecido, entre os negros nas senzalas, o Estado de São Paulo). E a cena dos seus irmãos vendidos não saiu, jamais, do seu pensamento e era sempre recordada por sua
s palavras em momentos oportunos. Ela veio para Conquista como serviçal do Padre José Muniz Cabral Leal de Menezes, Comendador da Ordem da Rosa e Vigário Colado da Freguesia de Nossa Senhora da Vitória da Conquista. Maria Rogaciana ficou conhecida por promover, numa iniciativa inicialmente solitária e sem recursos, manifestações nos dias 13 de Maio, que passaram a ocorrer todos os anos, com passeata pela cidade, trazendo para as ruas a luta contra a escravidão, e a importância de se discutir a emancipação das negras e negros, para além da abolição. Maria Rogaciana desapareceu assim: símbolo de reconhecimento, amiga humilde da cidade e do seu povo e entusiasta do 13 de maio, luta que amava e promovia. Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, compreendemos a importância de resgatar a história das mulheres lutadoras do nosso povo, sempre apagadas dos escritos oficiais, bem como de criarmos um identidade a partir da nossa realidade local.
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