Manipulação Fascial é uma terapia manual desenvolvida pelo fisioterapeuta italiano Luigi Stecco. Este método engloba mais de 35 anos de estudo e prática de tratamento em diversos casos de problemas musculo-esqueléticos. O método foca na fáscia, particularmente na fáscia muscular profunda, incluindo epimísio e retináculo e considera que o sistema miofascial é um continuum tridimensional. Esta técnica apresenta um completo modelo biomecânico que descifra o papel da fáscia nas desordens músculo esqueléticas. O principal pilar desta técnica manual consiste em identificar uma área específica e localizada da fáscia em conexão com o movimento limitado. Uma vez que o movimento limitado ou doloroso é identificado um ponto específico da fáscia estará relacionado a ele e, através da manipulação apropriada desta parte da fáscia, o movimento pode ser restabelecido. Analisando a anatomia miofascial, Luigi Stecco percebeu que o corpo pode ser dividido em 14 segmentos e que cada segmento possui 6 unidades miofasciais (UMF) que consistem de fibras musculares unidirecionais mono e biarticulares, sua fáscia profunda e a articulação á qual movimentam em sua direção e plano específicos. A fáscia é formada por fibras colágenas e elásticas organizadas em folhetos específicos e que estão alinhados em uma direções diferentes. Devido ás fibras colágenas onduladas a fáscia pode ser estirada e, devido ás suas fibras elásticas, pode retornar ao seu estado original de repouso.Devido á fascia se adaptar ao alongamento muscular ela é incapaz de transmitir força como um tendão ou aponeurose. Se esta distinção funcional e histológica não é feita pode-se confundir fáscia com aponeurose ou confundir fáscia profunda com fáscia superficial (tecido conectivo subcutâneo). A fáscia superficial forma uma membrana elástica e deslizante essencial para regulação termal, trocas metabólicas e proteção de vasos e nervos, enquanto que a fáscia profunda engloba os músculos e envolve as aponeuroses musculares até a sua inserção óssea. A fáscia profunda é uma estrutura eficaz na percepção e assistência da organização do movimento. Sempre que alguma parte do corpo se move em qualquer direção do espaço ocorre um rearranjo miofascial tensional com a fáscia correspondente. Qualquer impedimento no deslizamento da fáscia pode resultar em movimentos incoerentes. A fáscia pode estar envolvida na propriocepção e controle motor periférico em colaboração com o SNC. IMPLICAÇÕES TERAPÊUTICAS:
A fáscia é muito extensa e seria dificil e inapropriado trabalhar sobre toda sua extensão. A localização de pontos precisos ou áreas chaves fazem a manipulação mais eficaz. Uma análise precisa das conexões miofasciais baseada no entendimento da anatomia fascial fornece informações de qual melhor local de intervenção. Uma alteração não fisiológica da fascia profunda pode gerar mudanças tensionais ao longo de uma sequencia relacionada resultando em ativação incorreta dos receptores nervosos, movimentos incoordenados e, consequentemente, aferências nociceptivas. A massagem profunda de pontos específicos pode restabelecer o equilibrio tensional. Esta técnica permite que o terapeuta trabalhe á distância da área dolorosa , que está frequentemente inflamada devido á tensões não fisiológicas. Para cada unidade miofascial (UMF), a área onde a dor é comumente sentida foi mapeada e é conhecida como centro de percepção (CP). É importante colocar atenção na causa da dor, rastreando a origem da tensão anormal, ou mais especificamente ao CC (centro de coordenação) ou CF (centro de fusão) localizados na fáscia profunda.