04/06/2026
FESTA DO SANTÍSSIMO CORPO DE DEUS
Depois do dogma da Santíssima Trindade, é o da Encarnação de Jesus que o Espírito Santo nos recorda, fazendo-nos celebrar com a Igreja o Sacramento por excelência que, resumindo toda a vida do Salvador, dá a Deus gloria infinita e aplica às almas, em todas as épocas, os frutos da Redenção. Jesus nos salvou sobre a cruz, e a Eucaristia, instituída na véspera da paixão de Cristo, ficou sendo o seu memorial. O altar é o prolongamento do Calvário, a Missa «anuncia a morte do Senhor». Jesus ai se acha em estado de vítima, pois, as palavras da dupla consagração nos mostram que o pão só é mudado no corpo de Cristo e o vinho só é mudado em seu sangue, de modo que, por essa dupla ação de efeitos diferentes, que constitui o sacrifício da Missa, as espécies do pão têm titulo especial em chamar-se o corpo de Cristo, embora contenham Jesus inteiro, visto ele já não poder morrer, e as espécies do vinho titulo especial em chamar-se o sangue de Cristo, embora contendo também Jesus inteiro. E assim o próprio Salvador, o principal Sacerdote na Missa, oferece, de modo não sangrento, ao mesmo tempo que seus padres, o seu Corpo e o seu Sangue, que foram realmente separados sobre a cruz e que somente são separados de modo representativo ou sacramental (matérias diferentes, palavras e efeitos diferentes) sobre o Altar. Por ai se vê que a Eucaristia foi instituída sob forma de alimento a fim de podermos unir-nos à vítima do Calvário. A hóstia santa se toma assim « o trigo que alimenta as almas ». E, como o Cristo, tornando-se Filho de Deus, recebeu a vida eterna do Pai, da mesma forma os cristãos participam dessa vida eterna unindo-se a Jesus pelo Sacramento que é o Símbolo da unidade. A participação antecipada da vida divina, neste mundo, pela Eucaristia, é o penhor e o começo da que havemos de g***r, em sua plenitude, no céu. « O mesmo Pão dos Anjos, que comemos agora, sob os véus eucarísticos, diz o Concilio de Trento, no céu havemos de comê-lo sem véu. »
Consideremos a Missa como o centro de todo o culto da Igreja em relação à Eucaristia, e vejamos na Comunhão o meio estabelecido por Jesus para participarmos mais plenamente ao divino Sacrifício; deste modo, a nossa devoção para com o Corpo e Sangue do Salvador nos obterá ef**azmente os frutos de sua Redenção.
A procissão que segue a Missa relembra como os Israelitas honravam a Arca da Aliança, que simbolizava entre eles a presença de Deus; ao executarem as marchas triunfais, a Arca Santa prosseguia, levada pelos levitas, envolta em nuvens de incenso, ao som dos instrumentos de música, cânticos e aclamações da multidão entusiasta. Nós cristãos, temos um tesouro incomparavelmente mais precioso: na Eucaristia possuímos o próprio Deus. Orgulhemo-nos santamente de tomar parte no seu cortejo, enaltecendo quanto possível o seu triunfo.
Fonte: Missal Quotidiano e Vesperal, Dom Gaspar Lefebvre, 1940. Págs. 839
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MARIA SEMPRE!
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