31/12/2025
Vou me vestir como eu quiser
e não como o aplicativo da Amazon,
super machista, insiste em dizer:
“MEU MARIDO APROVOU…”
(aprovou o quê mesmo?)
Serei muitas coisas
que um dia duvidei se podia ser.
Serei feminina.
Empoderada.
De vanguarda.
Cheirosa demais.
De batom vermelho —
mesmo que não seja nem o lugar
nem a hora adequada.
Falo baixo, sim.
Mas quando preciso, rugido.
Seja mimimi, dizem.
(Se for falsa, f**a melhor na fita.)
Mas a verdade é outra.
Eu queria ser
como a cerejeira do Japão,
como o ipê amarelo —
da copa maior, mais linda.
Queria ser um canguru na Austrália,
um mergulho em piscina térmica de verdade,
queria correr num carro de corrida,
queria ter jogado na Mega-Sena
(e não joguei…).
Queria me ajoelhar
aos pés de Nossa Senhora de Fátima, em Fátima.
E isso talvez seja meio feio de confessar,
mas eu queria ser
o amigo invisível dos meus netos.
Eu queria ser tantas…
mas aprendi que, às vezes,
o muito cabe inteiro no simples,
e o pouco pode ser profundamente suficiente.
Quero ouvir o Martim me chamar de Vovó Nana,
mas confesso:
meu sonho mesmo
é que um neto, um dia,
simplesmente me chame de Voinha.
Quero mais netos.
Quero uma família ainda mais unida.
Quero uma família feliz.
E se ainda não ficou claro,
deixa eu dizer sem metáfora,
sem filtro,
sem permissão:
EU QUERO VIVER.
OUSE
Silvana Góis