12/01/2017
Definição
Déjà vu pode-se descrever como uma
sensação desencadeada por um fato
presente que faz com que quem o sofra lhe
pareça estranhamente que já presenciara
aquela específ**a situação, quando, em
verdade, não o fizera. Sabe-se que nossa
memória às vezes pode falhar; nem sempre
consegue-se distinguir o que é novo do que
já era conhecido. Eu já li este livro? Já
assisti a este filme? Já estive neste lugar
antes? Conheço esse sujeito? - essas são
perguntas corriqueiras de nossa vida. No
entanto, essas dúvidas não são
acompanhadas daquele sentimento de
estranheza que é indispensável ao verdadeiro
déjà vu. Eu posso até me sentir um pouco
confuso, ou indeciso, ou triste por sentir que
minha memória já não tem a limpidez de
outros tempos, mas isso é natural; o
sentimento associado ao déjà vu clássico não
é o de confusão ou de dúvida, mas sim o de
estranheza. Não há nada de estranho em não
lembrar de um livro que se leu ou de um filme
a que se assistiu; estranho (e aqui entra-se
no déjà vu ) é sentir que a cena que parece
familiar não deveria sê-lo. Tem-se a
sensação esquisita de estar revivendo
alguma experiência passada, sabendo que é
materialmente impossível que ela tenha algum
dia ocorrido. Em psiquiatria o termo é
utilizado para ilustrar pacientes que repetem
comportamentos compulsivamente
Transtorno Obsessivo Compulsivo , na
tentativa de sentir novamente as mesmas
sensações já experimentadas [1] . Mas, o que
é mais intrigante nesta questão é o fato do
indivíduo poder, nestas circunstâncias,
experimentar esta estranha sensação de já
ter vivenciado o que lhe ocorre, e além disso,
também poder relatar (antes de uma
observação) quais serão os acontecimentos
seguintes que se manifestarão nesta sua
experiência. [2]
No entanto, sabe-se que o uso pode mudar o
signif**ado das palavras, seja para ampliá-
lo, seja para restringi-lo. Embora se possa
lamentar algumas dessas mudanças (nos
casos em que se gostasse mais do
signif**ado primitivo, originário), é preciso
ver, nesse processo de mutação semântica,
um fator extremamente benéfico e
enriquecedor do idioma. Colocando em termos
bem concretos: os dicionários engrossam não
apenas pelos novos vocábulos que entram no
léxico, mas também (e principalmente) pelos
novos signif**ados que são acrescidos aos
verbetes já existentes. Quando a expressão
déjà vu saiu das publicações especializadas
em neurologia e psicologia para entrar na
imprensa comum, o público, atraído por sua
tradução literal ("já visto"), passou a usá-la
para designar aquelas situações em que a
pessoa tem a sensação de estar vivenciando
algo que lhe parece familiar. Pode parecer
ironia, mas a expressão que a linguagem
técnica associa à estranheza passou, na
linguagem usual, a indicar familiaridade. É
nesse sentido que escreveu um conhecido
comentarista político: "Assistir à instalação
na nova CPI trouxe-me uma triste sensação
de déjà vu " -, um lamento que equivale à
forma popular "eu já vi esse filme".
Os especialistas reagem contra a limitação
do "vu", que restringiria ao mundo do que
pode ser "visto", e já soltaram por aí formas
paralelas que fariam referência mais
específ**a aos vários tipos de situação: "déjà
vécus" ("já vivido"), "déjà lu" ("já lido"), "déjà
entendu" ("já ouvido"), "déjà visité" ("já
visitado") - o que pode um dia acarretar um
"déjà mangé" ("já comido") ou um "déjà
bu" ("já bebido"). [3]