06/05/2026
No dia 3 de maio de 1926, nascia em Brotas de Macaúbas, na Bahia, o filho de professores que se tornaria o maior geógrafo do Brasil e o único latino-americano a ganhar o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel da Geografia.
Milton Santos não era só um acadêmico. Era um homem negro que atravessou a ditadura, a prisão e 13 anos de exílio para construir um pensamento que o mundo inteiro passou décadas tentando alcançar. Foi no exílio que ele percebeu que as teorias europeias não davam conta de explicar a realidade dos povos do sul global, e decidiu construir as suas próprias.
O que ele deixou é uma obra de mais de 40 livros que une geografia, filosofia, economia e política para responder uma pergunta que ainda não tem resposta fácil: por que o mundo f**a mais desigual quanto mais se integra?
Para Milton, a globalização não era um processo neutro. Era um sistema desenhado para concentrar riqueza nos centros e distribuir pobreza nas periferias, operando pela tirania do dinheiro e da informação. Mas ele nunca foi pessimista. Acreditava que a transformação viria exatamente de onde o sistema menos esperava: das periferias, das culturas que resistem, das pessoas que existem fora da lógica do mercado.
Cem anos depois do seu nascimento, o mundo que ele descreveu ainda está aqui. E a aposta que ele fez também.
Fotos: Claudio Rossi/ Site Milton Santos/ Tv Cultura/ Itaú Cultural/ Afrofile/Reprodução
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