24/03/2018
PRECISAMOS FALAR SOBRE RACISMO
"A menina na favela é criada pra ser mãe solteira e o moleque pra ser bandidinho”
“A África é um ‘país’ sequelado pela AIDS”
“Eu que não quero meus netos em um mundo povoado por negros e islâmicos”
"Tem que ter ab**to pra pobre sim. As mulheres pobres não sabem fechar as pernas, tem que ter controle da população"
"Gente pobre deveria ser proibida de procriar"
Esses são apenas alguns exemplos de falas ouvidas em aulas do professor ra***ta José Guilherme de Almeida. São frases anotadas por uma aluna em sala de aula e que infelizmente não foram gravadas, e só o que resta são os alunos que ouviram esses absurdos para testemunhar que, sim, isso foi real. Não nos surpreende em saber que esse mesmo professor postou em seu Facebook que “odeia pretos e pardos”. Não nos surpreende em saber que o mesmo foi afastado do curso de Turismo por chamar uma aluna de vadia, e “aconselhar” ela a se prostituir já que ela não era do “tipo acadêmica”. Não nos surpreende ver esse tipo se postura vindo de um professor, já que ele não é o único, não é o primeiro.
Dias depois do caso do professor, vemos esse ódio escancarado na nossa cara da forma mais explicita possível. Marielle Franco, que lutava contra a intervenção militar e pelas vidas de milhares de jovens negros que são assassinados nas periferias é executada com 9 tiros. E quem acredita que foi uma simples coincidência a munição que a matou ser comprada pela Polícia Federal é por que ainda não entendeu a gravidade do momento em que estamos passando. Quem não entendeu que isso foi uma tentativa de calar sua voz e de muitos que lutam contra o genocídio da população negra, então não entendeu nada.
E mais uma vez, vemos uma polícia despreparada, autoritária, ra***ta, ditadora, e dessa vez dentro do Instituto Federal de São Paulo. Ontem à noite, após uma falsa denúncia de que um aluno estaria armado e ameaçando um professor, a Polícia Militar foi acionada pelos seguranças do IF (tão despreparados quanto). No vídeo podemos ver a forma truculenta como o aluno foi abordado, uma ação completamente desnecessária e violenta. O autor do vídeo também foi agredido pelos policiais e intimidado, tendo seu documento de identidade confiscado.
Aqueles que defendiam a liberação dos alunos ainda levaram spray de pimenta na cara. Uma série de ações desnecessárias da polícia. 6 viaturas presentes. 2 alunos detidos. O resultado é nenhuma prisão, já que eram ambos inocentes.
Esse texto é pra dizer que nada disso passará batido. Tentaram calar a voz de Marielle mas ela ressoa em todos nós. Os três casos estão interligados, precisamos entender seus significados, debater, questionar, exigir. Precisamos falar sobre o racismo! O racismo institucional, os casos no IFSP, o genocídio da população negra, a polícia assassina e a intervenção federal (militar).
O Coletivo Três Marias deixa claro que: desprezamos e condenamos qualquer forma de discriminação racial, seja dentro ou fora do IFSP. Apoiamos as ações e decisões dos nossos colegas do Quilombo Cabeça de Nego e expressamos solidariedade àqueles que sofreram as agressões, àqueles que resistem ao racismo que infelizmente persiste nas diversas esferas de nossa sociedade. Repudiamos veemente a ação da Polícia Militar, e reivindicamos medidas para a melhor segurança dos alunos em razão da incompetência da equipe que atua no Instituto.
Coletivo Feminista Três Marias