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Psicologia Clínica | Psicologia Organizacional e do Trabalho | Administração | Tecnologia | Ensino e Pesquisa

09/12/2025

O GOZO NA PSICANÁLISE LACANIANA
Por Caio Bezerra (Grupo Psicanálise)

Lacan afirma que não existe gozo absoluto porque o gozo (uma forma de satisfação ou prazer) está sempre mediado pela falta, pela linguagem e pelas estruturas que organizam a subjetividade humana. Ele está fundamentalmente ligado à ideia de que o desejo nunca é completamente satisfeito, e que sempre há algo que escapa ou falta no encontro com o objeto do desejo.

Razões para a inexistência do gozo absoluto segundo Lacan:

1. O Gozo é limitado pelo Simbólico
Na teoria lacaniana, o Simbólico (a estrutura da linguagem e da cultura) regula e limita o gozo. O sujeito, ao entrar na linguagem, perde a possibilidade de um gozo pleno e imediato, porque precisa traduzir seus impulsos e desejos em palavras, normas e significados compartilhados. O gozo absoluto seria um estado onde não há essa mediação, mas, para Lacan, isso é impossível para um sujeito estruturado pela linguagem.

2. A falta é constitutiva do sujeito
O sujeito humano é marcado pela falta-a-ser (manque-à-être), que é estrutural. Essa falta é o que move o desejo, mas também impede qualquer satisfação total ou absoluta. O gozo, nesse sentido, é sempre parcial, ligado à tentativa de preencher essa falta que nunca pode ser inteiramente preenchida.

3. O desejo é infinito, mas o gozo é finito
O desejo é sempre por algo além, algo que nunca se alcança completamente. Mesmo quando o sujeito obtém o objeto do desejo (o que Lacan chama de objeto a), o gozo obtido é apenas parcial e nunca absoluto. Isso porque o objeto a é, em última análise, uma construção fantasiosa que não pode corresponder plenamente ao que o sujeito busca.

4. A Lei do Pai e a interdição do gozo
Lacan afirma que a estrutura do desejo humano é organizada pela Lei do Pai, que impõe interdições e limites ao gozo. Essa lei proíbe o acesso direto ao gozo absoluto, redirecionando-o para formas mediadas e simbólicas, como o amor, o trabalho, a arte, etc.

5. O Real é inatingível
O Real, em Lacan, é aquilo que está fora da linguagem e da simbolização, mas que insiste e retorna como um núcleo traumático. O gozo absoluto estaria relacionado ao Real, mas é impossível de acessar plenamente porque ele escapa à compreensão e articulação do sujeito.

Tipos de Gozo na Psicanálise Lacaniana

Lacan distingue diferentes formas de gozo:

Gozo fálico: Mediado pela linguagem e pela diferença sexual, é o gozo ligado ao desejo, mas também ao limite imposto pelo Simbólico.

Gozo do Outro: Relacionado à alteridade e ao desejo do Outro, mas também é limitado.

Gozo feminino (ou "outro gozo"): Lacan sugere que há uma forma de gozo que escapa às estruturas fálicas, mas mesmo esse "outro gozo" não é absoluto; ele também é parcial e incompleto.

Conclusão

Para Lacan, a impossibilidade de um gozo absoluto é uma condição da existência humana. O gozo é sempre parcial, mediado pela linguagem e marcado pela falta. Essa impossibilidade, no entanto, é o que dá ao desejo sua força e movimento, sustentando a vida psíquica e a busca contínua por significados, experiências e satisfações. É na falta que o sujeito encontra seu campo de criação, transformação e desejo.

12/05/2025

NOSSA PROFISSÃO ESTÁ PREPARADA?

Tema: Psicologia Clínica 4.0 > Texto: 02

Por Alexandre Liber
06 de Janeiro de 2025

Para dar início a nossa reflexão, transcrevemos abaixo os primeiros parágrafos do interessante artigo publicado em 1º de agosto de 2024 no Jornal PSI nº. 205, um dos principais veículos de comunicação do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.

“Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais”. A frase que abre a apresentação do atual Código de Ética da Psicologia evidencia como as relações entre as pessoas são a base para diferentes dinâmicas estabelecidas na sociedade. São formatos que se constituem a partir de anseios, condições e necessidades, e acompanham valores e costumes que estão em constante processo de transformação. Mas se a mudança é inevitável, o que esperar diante da atual conjuntura de atualização constante? Como lidar com Inteligência Artificial, dispositivos de realidade virtual e experiências imersivas? A profissão está preparada para a hiperconectividade e o excesso de informações e de interações no ambiente digital?” (CRP-SP, 2024, p. 5-7)

É evidente que vivemos um tempo de profundas transformações, em que perceber e assimilar mudanças não é apenas uma escolha, mas sim uma necessidade. Nós, como profissionais da Psicologia, precisamos nos perguntar: estamos prontos para os novos paradigmas tecnológicos e os impactos – reais e potenciais – que eles trazem para as interações humanas e as estruturas sociais?

Compreender essas mudanças vai além de um exercício teórico; é um caminho para identificarmos as oportunidades e ameaças que emergem ao nosso redor. Esse entendimento também nos ajuda a mapear nossas próprias forças e fraquezas, tanto como indivíduos quanto como categoria profissional. E, entre as mudanças mais inevitáveis e transformadoras do nosso tempo, está a revolução trazida pela Inteligência Artificial (IA).

A IA já está moldando nossa realidade de formas que, há poucos anos, pareceriam ficção científica. Seu potencial de revolucionar áreas como medicina, educação, indústria e, claro, a Psicologia, é imenso. Vemos a promessa de diagnósticos mais precisos, automação de tarefas repetitivas ou intelectuais, e o desenvolvimento de tecnologias inéditas que podem beneficiar – ou prejudicar – toda a sociedade. Mas junto a essas possibilidades vêm também os desafios: até que ponto entendemos os limites éticos, legais e técnicos da IA? Como garantir que ela seja desenvolvida de maneira responsável e inclusiva, beneficiando a sociedade como um todo, e não apenas um grupo restrito de privilegiados?

Sabemos que a Psicologia não está isolada dessa revolução. Pelo contrário, ela está no centro das discussões sobre como a IA pode afetar a subjetividade humana. Precisamos, como categoria profissional, olhar com seriedade para essas questões. O que significa para a Psicologia, a Psicologia Clínica e, mais especificamente, para a Psicoterapia Individual, incorporar ou interagir com ferramentas baseadas em IA?

Ignorar ou minimizar essa transformação seria um erro grave. O risco de nos tornarmos obsoletos ou cristalizados em práticas anacrônicas é real. Precisamos nos posicionar: compreender a amplitude dessa revolução, explorar suas implicações e decidir, com responsabilidade, como integrar de forma legal e ética esses avanços à nossa prática.

Por outro lado, reafirmamos nosso compromisso com o respeito à liberdade de escolha de cada ser humano. Afinal, o protagonismo de quem busca o cuidado psicoterápico nunca pode ser negligenciado. Então, mais uma vez, nos perguntamos: estamos prontos para essa nova era? Nossa profissão está preparada?

Referência:

CRP-SP. Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. Os rumos dos próximos 50 anos: como as mudanças sociais e econômicas devem impactar no exercício psicológico. Jornal PSI, São Paulo, n. 205, p. 5-7, 01 ago. 2024. Disponível em:https://crpsp.org/uploads/impresso/354626/yRWbQV8VUw0MEQ7h3xk0tK6u5onokgOi.pdf . Acesso em: 08 jan. 2025.

10/05/2025

A TAL QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Tema: Psicologia Clínica 4.0 > Texto: 01

Por Alexandre Liber
06 de Janeiro de 2025

Para falar de Psicologia Clínica 4.0 será necessário apresentar primeiro o conceito que deu origem a essa proposta: a Indústria 4.0, termo que alude uma possível 4ª Revolução Industrial pela qual nossa sociedade hoje estaria passando.

A Indústria 4.0 é um conceito caracterizado pela integração de tecnologias digitais avançadas nos processos produtivos, criando fábricas inteligentes e conectadas. Ela combina tecnologias como a Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA), big data, computação em nuvem, impressão 3D, realidade aumentada e robótica avançada para otimizar a produção, reduzir custos e aumentar a eficiência.

O termo Indústria 4.0 foi introduzido pela primeira vez em 2011, durante a Feira de Hannover, na Alemanha, uma das maiores exposições de tecnologia industrial do mundo. Ele foi criado por um grupo de especialistas liderado por Henning Kagermann, em colaboração com o governo alemão e organizações industriais. O conceito foi formalizado em um relatório estratégico publicado em 2013, com o objetivo de posicionar aquele país como líder em inovação industrial.

O QUE DEFINE A INDÚSTRIA 4.0?

Caracteriza-se por quatro princípios fundamentais:

- Interoperabilidade: Máquinas, dispositivos e sistemas podem se comunicar e colaborar por meio da IoT.

- Transparência da informação: Dados coletados em tempo real permitem uma visão abrangente de toda a cadeia de produção.

- Assistência técnica: Sistemas inteligentes ajudam humanos a tomar decisões mais informadas e a resolver problemas complexos.

- Descentralização: Decisões são tomadas localmente por sistemas autônomos, sem a necessidade de supervisão humana constante.

IMPORTÂNCIA DA INDÚSTRIA 4.0

- Aumento da eficiência: Reduz desperdícios e melhora a produtividade por meio de processos otimizados.

- Personalização em massa: Permite a produção de bens personalizados em larga escala, atendendo a demandas específicas de consumidores.

- Redução de custos: Automação e monitoramento em tempo real minimizam erros e interrupções na produção.

- Sustentabilidade: Promove o uso mais eficiente de recursos naturais, contribuindo para a redução de impactos ambientais.

- Competitividade: Empresas que adotam a Indústria 4.0 conseguem se manter competitivas em um mercado globalizado.
Impactos globais

Embora o conceito tenha surgido na Alemanha, ele rapidamente se espalhou pelo mundo. Países como os Estados Unidos, Japão, China e Brasil adotaram iniciativas semelhantes, cada um com suas particularidades. Por exemplo, nos EUA, a abordagem é conhecida como Industrial Internet e no Japão como Sociedade 5.0.

DESAFIOS

Apesar de seus benefícios, a Indústria 4.0 enfrenta desafios significativos, como:

- Necessidade de infraestrutura tecnológica avançada.
- Alta demanda por mão de obra qualificada.
- Questões relacionadas à segurança cibernética e privacidade de dados.
- Adaptação de pequenas e médias empresas a tecnologias disruptivas.

FUTURO DA INDÚSTRIA 4.0

A evolução da Indústria 4.0 está intimamente ligada a conceitos emergentes, que enfatiza a colaboração entre humanos e máquinas, com foco em personalização e sustentabilidade. À medida que tecnologias como o 5G e a computação quântica se tornam mais acessíveis, espera-se que o impacto da Indústria 4.0 se amplie ainda mais.

Em resumo, a Indústria 4.0 é um marco revolucionário que está redefinindo como os produtos são concebidos, fabricados e entregues, impulsionando a inovação e moldando o futuro da economia global.

Referência:

BMWK-DE. German Federal Ministry for Economic Affairs and Climate Action. German Federal Ministry of Education and Research. What is Industrie 4.0?. Berlin: German Federal Government, 2024. Tradução livre. Disponível em: https://www.plattform-i40.de/IP/Navigation/EN/Industrie40/WhatIsIndustrie40/what-is-industrie40.html . Acesso em: 01 nov. 2024.

30/04/2025

O EFEITO DUNNING-KRUGER:
Um paradoxo de conhecimento e confiança

Este viés cognitivo descreve como pessoas com baixos níveis de habilidade tendem a sobrestimar suas capacidades. Eles cometem erros e tomam decisões erradas, mas a falta de conhecimento impede-os de reconhecê-los. Isso gera confiança excessiva e percepção falsa de superioridade.

Pelo contrário, aqueles que possuem mais competências tendem a subestimar as suas habilidades e a duvidar de si mesmos. Este paradoxo psicológico nos acompanha em muitas áreas da vida, especialmente em ambientes profissionais e acadêmicos.

Dunning e Kruger se inspiraram em frases famosas como:

"A ignorância gera confiança mais vezes do que o conhecimento" - Charles Darwin

"Um dos problemas do nosso tempo é que os ignorantes estão seguros de tudo e os inteligentes, cheios de dúvidas" - Bertrand Russell

Recordar este efeito ajuda-nos a ter mais consciência das nossas limitações e a promover uma atitude de aprendizagem contínua.

Fonte: Reflexiones AA

13/04/2024

PEGA ESSA…

“No passado, a censura funcionava bloqueando o fluxo de informação. No século XXI, ela o faz inundando as pessoas de informação irrelevante.”

“Em tempos antigos ter poder significava ter acesso a dados. Atualmente ter poder significa saber o que ignorar.”

Yuval Noah HARAR em Homo Deus: uma breve história do amanhã (2016, p. 398)

03/03/2024

“Muitas pessoas pensam que pensam, mas não pensam, porque pensam com o pensamento dos outros (…), ou contra o pensamento dos outros (…), ou de uma forma circular esterilizante, com os pensamentos sempre voltando para o mesmo ponto (…), ou com ataques auto-acusatórios, primitivos e desqualificatórios (…), ou orbitando em torno de seu próprio umbigo (…)”

David Zimerman, 1999, p. 71

04/02/2024

PARA REFLETIR…

A FALSA PROMESSA DO CHATGPT

Noam Chomsky fala sobre a inteligência artificial:

“A mente humana não é uma máquina estatística como o ChatGPT e seus semelhantes, ávida por centenas de terabytes de dados para chegar à resposta mais plausível para uma conversa ou à resposta mais provável para uma questão científica.

Pelo contrário... A mente humana é um sistema surpreendentemente eficiente e elegante que trabalha com uma quantidade finita de informações. Ela não tenta corromper correlações dos dados, mas sim tenta criar explicações.

Vamos então parar de chamá-lo de ‘Inteligência Artificial’ e chamá-lo pelo que é, um ‘software de plágio’ porque “ele não cria nada, mas copia obras existentes de autores existentes e as modifica de tal forma que possam escapar dos direitos autorais.

Este é o maior roubo de propriedade intelectual já registado desde que os colonos europeus chegaram às comunidades indianas.”

Noam Chomsky
New York Times, 8 de março de 2023

Artigo completo em: https://www.nytimes.com/2023/03/08/opinion/noam-chomsky-chatgpt-ai.html

14/01/2024

Evolução, sua linda…

26/12/2023

Para refletir…
SOBRE O DESEJO

“O desejo é tão importante que a maneira de ser de cada um é resultado das estratégias que o desejo utiliza para se realizar e das estratégias que o indivíduo utiliza para se proteger da realização dos seus desejos – [aliás,] dos seus desejos e da agressão. O desejo entendido no seu sentido amplo, do querer. São essas duas forças [desejo e agressão] que movem o indivíduo e de cujo equilíbrio depende a cultura, que é a possibilidade de vários indivíduos viverem em conjunto – como são essas duas forças, em uma situação de desequilíbrio, que concorrem para que as culturas possam se extinguir.”

Psiquiatra e Psicanalista Luiz Tenório O. Lima (1998)

22/12/2023

Para refletir…
SOBRE A FALSA EPIDEMIA DE TDAH DA PSIQUIATRIA ATUAL (continuação…)

“Dificuldades de aprendizagem e distúrbios de comportamento na infância precisam ser examinados levando em conta a complexidade de fatores que podem estar presentes por trás dos sinais e sintomas da criança. De fato, (…) o uso abusivo do diagnóstico psiquiátrico nessas condições responde mais a uma necessidade de controle imediato de perturbações no funcionamento escolar, que nem pais nem professores se sentem capazes de enfrentar, cabendo à psiquiatria – ancorada frequentemente em discursos neurocentrados – o papel de agente de controle.

Não quero dizer com isso que não haja crianças (e adultos) que não possam eventualmente se beneficiar do uso de medicamentos como o metilfenidato. Eu mesmo tenho amigos psicanalistas que já fizeram um bom uso dele – digo, eles próprios usam o medicamento. Mas admitir que haja situações clínicas em que o uso do medicamento se justifique e seja benéfico não é o mesmo que transformar toda criança inquieta e desatenta em portadora de uma doença neurobiológica. O fato de que a desatenção implique um certo padrão de funcionamento cerebral é algo trivial, ocorre com qualquer experiência subjetiva. Além disso, é preciso lembrar: nem todo problema que exige cuidado é necessariamente doença, e nem todo tratamento implica medicação.”

Fonte: BEZERRA JUNIOR, Revista Percurso 53, p. 124-125, 2014

22/12/2023

Para refletir…
SOBRE A FALSA EPIDEMIA DE TDAH DA PSIQUIATRIA ATUAL

“O TDAH é um dos diagnósticos mais polêmicos do DSM. Diferentemente do que ocorreria com seus precursores (como a disfunção cerebral mínima dos anos 60), que eram raramente aplicados, o TDAH tem sido utilizado numa escala assustadora, mesmo para os representantes da psiquiatria oficial.

Não por acaso, um dos maiores críticos de seu uso abusivo é Allen Frances, o responsável pela edição do DSM-4 que, num mea culpa recente, o incluiu entre as três “falsas epidemias” da psiquiatria atual – as outras duas são o autismo e o transtorno bipolar.

É bom lembrar que esse é o quadro da psiquiatria americana. Nos Estados Unidos, cerca de 10% de crianças e adolescentes recebem esse diagnóstico, muitas são medicados com psicoestimulantes.

Na França, esse número não chega a 1%, e o tratamento não recorre necessariamente medicamentos.

O Brasil se aproxima do modelo americano, com cerca de 5% de prevalência estatísticas oficiais.

Como entender essa disparidade?

A comparação com os dados de patologias com diagnósticos de validade indiscutível (por exemplo, esquizofrenia, cerca de 1% em todo o mundo) mostra como muitos elementos entram em jogo no uso desse diagnóstico junto a crianças: o contexto cultural é decisivo.

Nos Estados Unidos, o TDAH é visto como uma doença neurobiológica, cujo tratamento é medicamentoso; na França, o TDAH é visto como uma condição clínica com causas predominantemente e psicossociais, o que faz com que o tratamento vise ao contexto relacional em que a criança se encontra situada. No Brasil enfrentamento de posições é muito acirrado e, como tende a acontecer nessas situações, o debate perde muito.”

Fonte: BEZERRA JUNIOR, Revista Percurso 53, p. 124, 2014

14/12/2023

PARA REFLETIR:
SOBRE O NORMAL E O PATOLÓGICO

“A anomalia designa um fato, uma simples diferença em relação ao que é mais constante comum. Trata-se de um termo apenas descritivo, sem nenhuma avaliação quanto ao seu valor vital. Ela expressa a diversidade e a plasticidade da vida. Na verdade, a variedade e a mudança é que são, muito mais do que a estabilidade e a forma fixa, a essência do fato vital. Afinal, a história da evolução das espécies é o resultado de anomalias que acabaram se impondo como normas por conta de seu valor normativo superior. Só quando uma anomalia se mostra de alguma maneira prejudicial a vida passamos a qualificá-la de modo negativo, e a chamamos então de anormalidade ou patologia.”

Referência:
Psiquiatra e Psicanalista Benilton Bezerra Jr. (em Revista Percurso, v53, p.119, 2013) citando a obra “O normal e o patológico” de Georges Canguilhen (de 1945)

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