Lya Parente

Lya Parente Sou comunicóloga, master coach, MBA em Gestão de Negócios e analista do Perfil Comportamental. Especialista em comportamento humano e lifestyle.

Expert no que diz respeito a estilos de vida e autoeficácia.

Já vi versões dessa história em muitas organizações.No discurso:“Queremos pessoas protagonistas.”“Precisamos de mais aut...
24/08/2026

Já vi versões dessa história em muitas organizações.

No discurso:
“Queremos pessoas protagonistas.”
“Precisamos de mais autonomia.”
“As pessoas precisam assumir responsabilidade.”

Na prática:
Uma decisão atravessa quatro níveis.
O gestor precisa consultar o diretor.
O diretor quer revisar.
Alguém pede para colocar mais uma pessoa em cópia. E decisões pequenas sobem pela organização até encontrarem alguém autorizado a dizer sim.

Depois a liderança pergunta: “Por que as pessoas não têm autonomia?”

Talvez porque autonomia não seja uma competência que simplesmente ensinamos às pessoas. Autonomia também é uma característica do sistema.

Não adianta pedir protagonismo se a arquitetura de decisão foi construída para controle.
Não adianta desenvolver líderes se eles não têm espaço real para liderar.
Não adianta contratar pessoas excelentes e continuar concentrando decisões no topo.

Por isso, cada vez mais acredito que transformação organizacional não acontece apenas mudando comportamentos.
Às vezes precisamos mudar como o trabalho foi desenhado.

Quem decide?
Quem precisa ser consultado?
O que realmente precisa de aprovação?
E o que poderia simplesmente acontecer?

Talvez uma das perguntas mais importantes para uma liderança hoje seja: o que ainda passa por mim que já não deveria passar?

Contratamos um cérebro. E o ocupamos com burocracia.Essa frase resume uma inquietação que vem crescendo durante meus est...
21/08/2026

Contratamos um cérebro. E o ocupamos com burocracia.

Essa frase resume uma inquietação que vem crescendo durante meus estudos sobre transformação organizacional.

Durante décadas, empresas aprenderam a identif**ar desperdícios:
Desperdício de dinheiro.
De materiais.
De processos.
De tempo.

Entretanto, existe outro que talvez estejamos medindo muito pouco: desperdício cognitivo.

Ele acontece quando alguém capaz de criar passa horas alimentando controles que ninguém usa.

Quando alguém capaz de decidir precisa atravessar cinco aprovações.
Quando um especialista passa boa parte do dia produzindo apresentações para explicar aquilo que poderia simplesmente estar fazendo.
Quando contratamos inteligência, mas desenhamos o trabalho para ocupação.

E talvez essa discussão fique ainda mais importante agora. Porque a tecnologia está assumindo uma parcela cada vez maior do trabalho operacional.

A pergunta que mais escuto nas empresas é: “O que podemos automatizar?”
Talvez exista uma pergunta anterior: “O que nunca deveríamos ter pedido para um ser humano fazer?”

Tenho pensado que uma das próximas fronteiras da transformação organizacional será justamente essa. Não apenas aumentar produtividade, mas diminuir o desperdício da inteligência humana.

Quanto da inteligência que sua empresa contratou está realmente disponível para pensar?

Trabalho com líderes há anos e existe uma contradição que começou a me incomodar.Esperamos que um executivo pense estrat...
20/08/2026

Trabalho com líderes há anos e existe uma contradição que começou a me incomodar.

Esperamos que um executivo pense estrategicamente, antecipe cenários, tome boas decisões, desenvolva pessoas, inove
e enxergue o que ninguém ainda enxergou.

Agora abra a agenda dele.

9h reunião.
10h reunião.
11h reunião.
12h30 almoço falando de trabalho.
14h reunião.
15h30 call.
17h reunião.

E entre tudo isso: mensagens, e-mails e decisões urgentes.

Então, comecei a fazer uma pergunta muito simples: em que momento exatamente esperamos que essa pessoa pense?

Quanto mais estudo atenção e funcionamento cognitivo, mais percebo que talvez estejamos diante de um problema de desenho do trabalho.

Trocar constantemente de assunto tem um custo. Ser interrompido tem um custo. Sair de uma reunião pensando no problema anterior e entrar imediatamente em outra tem um custo.

Não administramos apenas horas. Administramos atenção.

Talvez a agenda de um líder diga muito mais sobre a cultura de uma empresa do que imaginamos.

Porque uma organização que ocupa 100% do tempo de seus líderes pode estar ocupando também o espaço de onde surgiriam suas melhores decisões.

Sua agenda mostra o que você precisa fazer, mas ela deixa espaço para aquilo que você precisa pensar?

As melhores ideias da sua empresa talvez estejam acontecendo no banho. Parece brincadeira, mas pense nas suas melhores i...
19/08/2026

As melhores ideias da sua empresa talvez estejam acontecendo no banho. Parece brincadeira, mas pense nas suas melhores ideias.

Quantas surgiram quando você estava sentado diante do computador, tentando desesperadamente encontrar uma solução?

E quantas apareceram no banho, caminhando, dirigindo ou simplesmente sem fazer nada?

Tenho estudado bastante sobre atenção, criatividade e como o nosso cérebro funciona. E uma coisa tem me chamado atenção: pensar não acontece apenas quando estamos conscientemente tentando pensar.

Quando diminuímos os estímulos e deixamos nossa mente vagar, o cérebro continua trabalhando.

- Ele conecta informações.
- Recupera memórias.
- Cria associações.
- Encontra caminhos que talvez não aparecessem enquanto estávamos tentando resolver o problema.

Agora olhe para o trabalho que construímos.
- Agenda cheia.
- Notif**ações.
- Reuniões.
- Mensagens.
- Mais reuniões.

Preenchemos praticamente todos os espaços e depois perguntamos: por que as pessoas não estão sendo mais criativas?

Talvez uma parte da resposta esteja justamente nos espaços que eliminamos.

Se queremos pessoas capazes de criar, imaginar e resolver problemas complexos, talvez precisemos começar a proteger algo que aprendemos a considerar improdutivo: tempo para pensar.

E na sua empresa: ainda existe espaço para isso?

Cultura organizacional também é gestão de risco.Durante muito tempo, cultura foi tratada como um tema de RH, mas cultura...
17/08/2026

Cultura organizacional também é gestão de risco.

Durante muito tempo, cultura foi tratada como um tema de RH, mas cultura determina como as pessoas tomam decisões, como líderes exercem poder, o que é tolerado e, principalmente, o que acontece quando ninguém está olhando.

Uma empresa pode ter bons resultados e, ainda assim, estar construindo riscos silenciosos.

Quando ninguém se sente seguro para discordar, existe risco.

Quando resultados são valorizados a qualquer custo, existe risco.

Quando a sobrecarga vira sinônimo de alta performance, existe risco.

Quando problemas são escondidos para não desagradar a liderança, existe risco.

Porque cultura não é apenas aquilo que uma empresa declara valorizar. É aquilo que ela tolera, recompensa e repete. E essa também é uma conversa de Conselho.

Porque governança não é apenas acompanhar indicadores financeiros, estratégia e compliance. É entender quais comportamentos estão sustentando ou colocando em risco o futuro da organização.

Talvez uma das perguntas mais importantes para CEOs e Conselhos hoje não seja apenas: “Que cultura queremos construir?”

Mas: “Que riscos a cultura que temos hoje está criando para o negócio?”

📍 Conversa de Conselho é uma série semanal sobre as conversas que chegam à mesa de CEOs, CHROs e Conselhos.

Quanto mais inteligente a IA se torna, mais valiosa se torna a nossa humanidade.Daniel Goleman publicou ontem uma reflex...
12/08/2026

Quanto mais inteligente a IA se torna, mais valiosa se torna a nossa humanidade.

Daniel Goleman publicou ontem uma reflexão que toca em uma das grandes questões do futuro do trabalho: “Why AI Needs EI” - por que a Inteligência Artificial precisa da Inteligência Emocional.

A IA já consegue analisar contextos, interpretar emoções, organizar informações e apoiar decisões com uma velocidade que dificilmente conseguiremos acompanhar, mas existe uma diferença fundamental:

Ela pode reconhecer uma emoção.
Não pode sentí-la.
Pode identif**ar que alguém está frustrado.
Não pode se importar com essa pessoa.
Pode recomendar como conduzir uma conversa difícil, mas não tem uma relação a preservar depois dela.

E talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes mudanças provocadas pela IA nas organizações. Durante décadas, valorizamos profissionais pela capacidade de saber, analisar e executar.

Agora, parte crescente dessas capacidades pode ser ampliada ou realizada por máquinas.

O que ganha valor?
* Autoconsciência.
* Empatia.
* Autorregulação.
* Confiança.
* Capacidade de criar vínculos.
* Coragem para conduzir conversas difíceis.
* Liderança.

A tecnologia não está tornando o humano menos relevante. Está mudando o que signif**a ser um profissional de alto valor.

“E o que precisamos desenvolver nos humanos quando as máquinas se tornam cada vez mais inteligentes?”

O futuro do trabalho não será IA ou inteligência emocional. Será sobre o que conseguimos construir quando colocamos as duas a serviço de organizações mais inteligentes e mais humanas.

E na sua empresa: estão investindo tanto no desenvolvimento da inteligência humana quanto na adoção da inteligência artificial?

Presta atenção na sua próxima reunião.Não no que está na pauta, mas no que acontece fora dela.Quem fala?Quem nunca fala?...
11/08/2026

Presta atenção na sua próxima reunião.
Não no que está na pauta, mas no que acontece fora dela.

Quem fala?
Quem nunca fala?
O que acontece quando alguém discorda?
Alguém ri nervoso antes de dar uma opinião?
Alguém olha para o líder antes de responder?
Esses detalhes dizem mais sobre a cultura da sua organização do que qualquer pesquisa de clima, qualquer valor escrito na parede ou qualquer programa de engajamento já lançado.

A reunião não é onde o trabalho acontece.
É onde a cultura se revela.
Se as pessoas concordam com tudo, não é alinhamento. É medo disfarçado de harmonia.
Se ninguém traz problema sem já ter a solução pronta, a equipe aprendeu que problemas sem resposta não são bem-vindos.
Se as mesmas pessoas falam sempre e as mesmas nunca falam, o líder tem uma informação crítica sobre segurança psicológica que nenhum dado vai capturar melhor do que esse silêncio.

Cultura se pratica em reunião.
E o líder que aprende a ler o que acontece na sala (antes, durante e depois da pauta) tem em mãos a ferramenta de diagnóstico mais poderosa que existe.
Não custa nada. Só exige presença de verdade.

💬 O que a sua última reunião revelou sobre a cultura do seu time?

Crescer não é a mesma coisa que permanecer relevante.Uma empresa pode aumentar faturamento, ganhar mercado e contratar m...
10/08/2026

Crescer não é a mesma coisa que permanecer relevante.

Uma empresa pode aumentar faturamento, ganhar mercado e contratar mais pessoas e, ainda assim, começar a perder sua capacidade de enxergar o que está mudando ao seu redor.

Empresas que apenas crescem tendem a proteger aquilo que as trouxe até aqui.

Empresas que permanecem relevantes têm coragem de questionar o que precisa mudar para levá-las adiante.

Elas revisitam a estratégia, desenvolvem novas lideranças, transformam a cultura e redesenham estruturas antes que o mercado as obrigue a fazer isso.

E essa também é uma conversa de Conselho. Porque governança não é apenas proteger o negócio de hoje. É garantir que a organização continue capaz de existir, competir e gerar valor amanhã.

O maior risco talvez não seja deixar de crescer. É crescer sem perceber que o mundo ao redor já mudou.

A pergunta que f**a é: sua empresa está apenas crescendo ou está se transformando para continuar relevante?

📍 Conversa de Conselho é uma série semanal sobre as conversas que chegam à mesa de CEOs, CHROs e Conselhos.

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