19/06/2020
Recomendação da semana: "O escândalo" disponível no Amazon Prime.
Página criada pelo Coletivo Feminista Minas Mobilizadas, fundado por alunas do Ensino Médio da Escola Móbile
Essa página foi criada pelo Coletivo Feminista Minas Mobilizadas, fundado pelas alunas do Ensino Médio da Escola Móbile, e tem como objetivo o compartilhamento de textos, fotos e vídeos de cunho feminista para divulgar nossa ideologia com todos.
19/06/2020
Recomendação da semana: "O escândalo" disponível no Amazon Prime.
16/06/2020
Mulher incrível de hoje: Nathália Rodrigues!
04/06/2020
Hoje estamos trazendo duas recomendação de livros : "Pequeno manual antirracista" de Djamila Ribeiro e "Para educar crianças feministas" de Chimamanda Ngozi Adichie. 🙂
Mais uma arte da minas da escola. Dessa vez a produção de uma música protesto ao coronga. Voz anônima ❤️
03/06/2020
Oii, gente, a mulher incrível de hoje é a filósofa Djamila Ribeiro.
Link para entrevista dela com o Nexo jornal:
https://youtu.be/0k1mh7N8Caw
01/06/2020
No nosso coletivo não há espaço para fascismo!!
01/06/2020
Novo texto de uma menina da escola:
"Insistência"
Sobe, sobe, pisa, sobe. Sobe, sobe, pisa, sobe. Pisa, pisa, sobe-sobe-sobe bate!
Como de costume, subia as escadas cinzentas e monótonas da escola mergulhada na batida da música em meu fone de ouvido. Cada passada marcava o tempo e meus braços, os acordes da guitarra. Bem no momento clímax de Stairway to Heaven, enquanto eu tocava bateria no ar freneticamente, senti um empurrão no ombro, seguido de um “desculpa” murmurado e da imagem de um vulto correndo até o andar de cima.
Foi apenas depois de alguns milissegundos de completa confusão que me lembrei de onde estava e me desliguei da música. A pessoa que atrapalhou meu momento dança matinal estava entrando no corredor do segundo andar. Só consegui ver a mochila antes de ela sair do meu campo de visão; era a Maria.
Estranhei. O que levaria minha amiga a agir assim? Será que ela não viu quem eu era? Ou pior, viu e resolveu me ignorar? De todo modo, ela estava muito distraída e dava para sentir que algo estava errado. Os movimentos bruscos, a corridinha ansiosa para se afastar de mim… Eu nunca a vi assim. Me apressei e fui atrás dela.
- Oi, Ma! Tudo bem?
- Ahn? Ah, oi Le. Eu to meio atrasada, nota de classe de química, você sabe como é. A gente se vê no recreio.- Ela deu um sorrisinho fraco e se virou para ir embora.
Fiquei parada no meio do corredor, vendo a Maria se afastar depressa, com a cabeça baixa, sem cumprimentar ninguém. Nesse momento percebi que era algo realmente sério. Uma onda que preocupação me atingiu em cheio e fiquei imaginando o que poderia ter acontecido com ela.
Durante as duas primeiras aulas não consegui me concentrar. Não parava de pensar em minha amiga, no jeito como ela agiu essa manhã. Fiquei revisitando a cena na escada e depois a estranha conversa trocada no corredor, tentando notar algo de diferente nela, algo que pudesse indicar o problema.
Então, lembrei de um detalhe: ela estava usando uma blusa com gola. Pode parecer irrelevante, mas ela já me disse repetidas vezes que odeia a sensação de ter roupa em contato com o pescoço. Além disso, não era um dia particularmente frio... Logo depois do meu insight, o sinal do recreio tocou e eu fui correndo para a sala dela.
- Ma, a gente precisa conversar. Eu to preocupada com você.
- Não tem motivo para se preocupar, relaxa, eu tô bem.
- Pois não parece. Você está mais quieta, distraída e a sua blusa tem gola.
- Letícia, pelo amor de Deus! Gola? O que que a minha gola tem a ver com a história? Eu já falei que eu to bem, desencana!
- Ma… calma. Só estou querendo te ajudar. Eu só quero o seu bem, você sabe disso, não sabe?
- Sim, claro… Mas deixa pra lá, não é nada.- Ela olhou para baixo e ajeitou a gola, claramente desconfortável.
- Olha, obviamente tem algo muito errado nessa história. Dá para perceber que a gola está te incomodando sim, mas tudo bem se você não quiser me contar. Não sei quero te forçar a nada. Só não esquece que eu estou aqui para te ouvir e apoiar no que você precisar, ok?
Ela balançou a cabeça em silêncio. Ficou assim por um instante, como que absorta em seus pensamentos. Então, suspirou profundamente e olhou em meus olhos. Vi que escorriam lágrimas por seu rosto. A sua expressão controlada desfez-se de imediato, e ela desabou.
Me aproximei um pouco e dei um abraço apertado em minha amiga. Senti seu peito se enchendo e esvaziando violentamente contra minha pele, em arfadas desesperadas por ar.
Maria soluçou em meus braços por alguns minutos antes de conseguir se acalmar o suficiente para falar. Começou pedindo para eu não julgar e, principalmente, não falar para ninguém. Então, abaixou a gola lentamente. Vi uma mancha roxa em seu pescoço, se entendendo de um lado até o outro.
- Ai meu Deus! Ma… eu sinto muito. Quem fez isso com você?
- M-meu amigo.- Ela parou por um tempo, tentando recuperar o fôlego. Seus soluços estavam mais fortes e constantes que nunca, e ela mal conseguia respirar.- E-e-ele n-não é uma p-pessoa ruim… Ele se arrependeu, pediu perdão. M-mas eu não sei o que fazer! Eu… eu não consigo parar de pensar nisso.
- Maria, você percebe a gravidade dessa situação, certo? Como isso aconteceu? Alguém tentar te enforcar não é brincadeira.
-Eu fui para a casa dele no sábado, a gente ia estudar juntos para a prova dessa semana. Como a gente acabou mais cedo, resolvemos ver um filme. Estávamos na sua cama vendo o filme no computador, então ele...ele colocou... colocou a mão… em mim. Logo em seguida, ele começou a me beijar e eu virei o rosto. Não falei nada, não pedi pra ele parar, só virei. Ele segurou meu rosto e voltou a me beijar. Nessa hora eu me desesperei. Empurrei-o para longe e tentei levantar, mas ele falou “Para Maria. Você sabe que você quer”. Não parei. Tava com medo. Então ele fez isso- apontou para os hematomas.- Ele ficou me segurando por uns cinco segundos, não mais que isso, e assim que ele me largou, eu comecei a chorar. Parece que nessa hora ele caiu em si e começou a me pedir desculpas desesperadamente, falou que aquilo não era ele, que não sabia o que tinha acontecido. Eu fui embora. Ele bombardeou meu celular com 42 mensagens, um textão e mais muitos pedidos de desculpas. Não respondi. Meus pais não sabem, não tive coragem de contar.
Fez-se um silêncio pesado. Não sabia o que dizer. Senti um aperto em meu peito, como se, depois de ouvir algo tão terrível, todo o ar do mundo tivesse subitamente deixado de existir. Como se ele não devesse existir. Um mundo com pessoas tão cruéis não deveria existir.
Peguei na mão de minha amiga, apertei bem forte e simplesmente disse:
-Eu sinto muito. Ninguém merece passar por isso…
Nos abraçamos e ficamos assim, sem falar nada, ouvindo apenas a respiração pesada uma da outra. Eu senti que a Maria estava pelo menos um pouco aliviada depois de contar. Agora ela não precisa carregar esse peso sozinha.
31/05/2020
Vamos falar sobre assédio sexual? Flerte é assédio sexual? Você já conhece a nova # do twitter na qual meninas de todo o Brasil estão expondo seus agressores e suas histórias? (nome da cidade). Vamos falar um pouco sobre tudo isso nesse post!
31/05/2020
Mulher incrível da semana: Maria Quitéria.
31/05/2020
Recomendação da semana: " Nada ortodoxa". Você pode ver pelo netflix!
27/05/2020
Oi, gente.
Viemos recomendar essa playlist incrível!
"Grandes e poderosas vozes da música brasileira"
https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DX9zF9ZmsyHKt?si=_vXdAQ5DRNKW23tN-YBTIg
Escuta as Minas, a playlist by Spotify Grandes e poderosas vozes da música brasileira em uma única playlist. Foto: IZA
23/05/2020
Continuando nossos posts com artes das meninas da escola, aqui vai um mini conto:
Para Maria
Chegou maria do decote exagerado e perfume de baunilha, doce como uma banana amadurecida, talvez passada. Uma mulher abriu a porta e a viu passando. Maria deu sorrisos e coloriu a sala de esperas ansiosas e esperançosas. Foi ao encontro do chefe, velho Hermes, hermético, de palavras contidas, às vezes doloridas. Maria, maria, do decote excitante e vestido solto. Maria, a funcionária mais bonita, jamais havia sido tão notada pelo velho. Homens. A mulher cobre os seios com a pasta que trazia, sutilmente. O velho só percebe pois o entretenimento acaba. Aí sim pôde olhar para ela. Foi lembrado da importantíssima reunião que haviam marcado, seria decidido se a menina receberia ou não a promoção. A conversa foi rápida, ela nem precisou falar tanto, nem conseguiria. Ele parecia ter pressa nas palavras, concordava com qualquer coisa que maria falava. A menina comprometida prometeu fazer de tudo no trabalho novo. Ele não se arrependeria, mantinha um sorriso oculto na face e fazia movimentos lentos, planejadas. Acompanhou-a até a saída e para surpresa de maria se aproximou e tentou forçar um beijo. Maria desviou perplexa tentou abrir a porta ele fechou e trancou a fitou com sua testa franzida puxou-a e agarrou sua pele quente e inquieta parecia que o coração de tantos pulos cansaria os olhos ardidos apreensivos adentravam o caos, impotente, o grito não achou o caminho. Inábil e esgotada maria sentiu. Algo que pessoa nenhuma jamais entenderá é a sensação de ser nula como o nada, muda. Mundo muda, maria vai como as outras. Debilitada de esperanças tentou fechar os olhos e esperar, pensou em não abrir mais. Como com qualquer outra maria, tentaram culpar o decote exagerado. Maria não usou mais vestidos e carregou uma paleta preta e branca nas costas. Hermes seguiu sendo o hermes que era, enigma que é melhor não desvendado. E homem.
17/03/2019- Ana Piovesan