16/08/2026
Hoje, no Sesc Pinheiros, assisti Fabiana C***a – 50 anos. E houve momentos em que não assisti apenas: fui atravessada pelo espetáculo.
O repertório percorre as referências que ajudaram a formar sua trajetória, mas Fabiana não se limita a revisitá-las. Ela as toma para si, transforma, interpreta com o corpo inteiro e devolve ao público com uma identidade absolutamente própria.
Em “Canto de Ossanha”, veio uma das grandes surpresas da noite. Uma leitura como eu nunca havia visto: dança, gestos que evocam o universo religioso do Candomblé e uma construção musical arrebatadora. A bateria assume a força e o chamado dos atabaques, enquanto violão, cello e piano constroem uma paisagem sonora sofisticada, ancestral e contemporânea ao mesmo tempo.
Depois, a delicadeza muda de lugar.
Em “Samba é Meu Dom”, de Wilson das Neves, Fabiana canta sentada, próxima à plateia, quase como se diminuísse a distância entre palco, artista e público.
E quando chegam as canções eternizadas na voz de Emílio Santiago, a memória afetiva toma conta.
“50 anos” é mais que um inventário de influências. É uma artista madura olhando para aquilo que a constituiu e fazendo essas referências respirarem outra vez.
Fabiana C***a não apenas resgata sua memória musical.
Ela nos devolve parte da nossa.
E talvez esteja aí uma das maiores forças do espetáculo: lembrar que a música brasileira não vive apenas da saudade de seus clássicos. Ela permanece viva quando grandes intérpretes têm coragem, repertório e musicalidade para reinventá-los.
Saí emocionada. E com a sensação bonita de ter reencontrado músicas que eu já conhecia — como se as estivesse ouvindo pela primeira vez.
Obrigada por compartilhar sua arte conosco Fabiana Santos 🩷☘️
Obrigada pela Cia Ricardo Mendes
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