Histórias De São João Da Barra

Histórias De São João Da Barra Sejam bem vindos a esse espaço de memória da cidade de São João da Barra-RJ. Essa página é administrada pelo historiador Fernando Antônio Lobato

O CARNAVAL DA LYRA DOS DEMOCRATAS                          1910                              Gazeta de Notícias 12/2/191...
17/05/2026

O CARNAVAL DA LYRA DOS DEMOCRATAS
1910
Gazeta de Notícias 12/2/1910
Não tivemos este ano uma festa de carnaval completa porque dela deixou de fazer parte, como nos demais anos, o Club Operários, no entanto o Club Democrata apresentou-se garrido e imponente, mantendo por completo as suas tradições, nos dois brilhantes passeios que fez nas tardes de domingo e terça feira.
O passeio do último dia, que foi o mais completo, constou do seguinte: abria o aparatoso préstito a briosa Banda Musical "Lyra Democratas" trajando uniforme branco, seguindo-lhes três clarins. Em seguida a estes desfilava a Guarda de Honra elegantemente vestida, montando cavalos ruços. O efeito que produzia era magnífico seguia-se o primeiro carro, que representava a Deusa da Vitória. De efeito deslumbrante, esse carro levava no centro o monograma do Club. E entre estes tremulava glorioso o estandarte do mesmo.
Via-se nesse carro duas interessantes meninas luxuosamente vestidas, sendo uma filha do senhor Tenente Francisco Oliveira e a outra do senhor Capitão Jose Henriques da Silva. A primeira conduzia o estandarte e a segunda empunhava as rédeas de dois belos cavalos pampas de tamanho natural.
Seguia-se o segundo carro, que se compunha de um grande cordeiro, do centro do qual se elevava uma haste que terminava por uma flor, destacando-se no centro da mesma a menina Adahil, interessante filhinha do senhor Luiz de Assis. Este carro já figurou no carnaval passado, mas é de um efeito tão agradável e revela tanta arte, que voltou ao préstito deste ano, sendo ao mesmo tempo uma lembrança do saudoso artista Manoel Simões, que foi o seu autor.
Terceiro carro, meninas elegantemente fantasiadas e a bela bandeira da Lyra Democrata.

Quarto carro,uma brilhante alegoria do milagre de Nossa Senhora de Nazareth. Um caçador montando soberbo ginete sobre uma montanha perseguindo um v***o. Chegando ao cume da montanha depara-se-lhe um abismo onde o fogoso animal vai com ele despenhar-se quando lhe aparece a Virgem que com o seu poder sobrenatural o salva da catástrofe, fazendo com um ligeiro aceno parar o animal. O cavalo era montado pelo menino Joca , filho do artista Joaquim Pavão e o anjo era representado pela galante menina Amélia Andrade.
Quinto carro, uma linda Gôndola ornamentada de flores naturais e puxada por três Cisnes. A gôndola conduzia três lindas crianças que representavam Cupido, Vênus e a Deusa da Música. Está alegoria era um perfeito cromo e agradou extraordinariamente.
Sexto carro, era um interessante bonde carregado de crianças fantasiadas com muito gosto e que em constante alegria davam vivas ao Club, ao Carnaval, à vitória dos Democratas, etc.
Em muitos pontos da cidade, grandes grupos de senhoritas aclamavam delirantemente o préstito. Em frente à residência do senhor Cândido Santana, comandante da Guarda de Honra, um grupo de senhoritas fez oferta de uma rica coroa de flores artificiais que foi colocada no estandarte por entre entusiásticas ovações e salvas de palmas.
Também o senhor José Teixeira de Castro Filho teve a extrema gentileza de oferecer uma linda coroa, que foi recebida com o mesmo entusiasmo.
Finalmente o préstito Democratas, mesmo sem competidor, em nada desmereceu dos outros anos, pelo que é digno de francos louvores a comissão de obras, com 'justaque' para o senhor Joaquim Pavão, que se revelou um artista de gosto.
Para o belo efeito que produziu a Guarda de Honra foram incansáveis Cândido Santana e Agenor Pessanha.
O vasto salão do Club mostrava um efeito deslumbrante, tais eram as caprichosas ornamentações ali organizadas pela comissão encarregada dessa missão e que fizeram parte Nelson Pereira, Amando Alves, Francisco Oliveira e Britaldo Viana.
Às dez horas da noite, depois da briosa Lyra Democrata executar belíssima overtura, usou da palavra o Presidente do Club para a abertura do baile que começou por uma animadíssima quadrilha.
A concorrência ao baile foi extraordinária, reinando no entanto, sempre muita ordem a par de muita alegria, sendo apenas asfixiante o calor que reinava.
O dia de segunda feira foi preenchido por máscaras avulsos, alguns até muito sem sal e até sem vinagre. Ao entrar a noite apresentaram-se os Clubes da petizada "Conchas" e "Periquitos" ambos muito interessantes com seus carrinhos puxados por cabritos. Infelizmente no entusiasmo do encontro que tiveram, deram-se ligeiros atritos em que tomaram parte alguns homens verificando-se ao final que um perverso qualquer deu navalhadas em três animais.
É um fato revoltante que se dá pela primeira vez nessa cidade e a polícia prestaria relevante serviço se trabalhasse com afinco para descobrir o autor dessa selvageria.
Do correspondente.

10/05/2026

UM AVIÃO NA PRAÇA DE SÃO JOÃO EM 1917
A história, exaustivamente contada pelo meu avô materno, Antenor Lobato, testemunha ocular; começava sempre, com o centenário narrador, dizendo que em São João da Barra, tudo era tão bizarro, que o avião chegou antes do automóvel.
"Era época do fim da Primeira Guerra Mundial, um dos vapores que trafegavam do Rio para São João da Barra, encontrou flutuando no oceano, próximo de nossa costa, um aeroplano, que por ser em parte de madeira, não afundara...!!!
Sobre ele, o piloto pedia socorro. Rebocado até a cidade, foi conduzido pelo cais do Imperador até a praça, na época um extenso campo gramado; a curiosidade geral logo encheu o entorno da igreja Matriz, de gente querendo ver a "Bizarria"...!!!
Morava na cidade, na época, um sanjoanense muito inteligente, Maneco Lima...filho do Major Lima...chamado , foi junto com o piloto, ver o motor - ele costumava consertar os motores dos vapores e navios...depois de algumas horas, ja trabalhavam no problema. ..!!!!!
No dia seguinte, após taxiar pela extensa Praça, o aeroplano alçou vôo e partiu sob os olhares estupefatos e aplausos de todo o povo da Cidade...!!!
Anos depois, numa campanha eleitoral, o candidato ao governo do Estado, Protógenes Guimarães, discursando na praça, lembrou o fato, declarando ser ele o piloto salvo e socorrido pela nossa cidade...
Foi ovacionado. ..!!!!"
Essa era a história predileta do repertório de meu avô Lobato, que arrematava;" ...só muitos anos depois Dr . Newton Alves chegava com o Primeiro automóvel..! !!!"

10/05/2026
30/04/2026

UMA ESCRAVA RICA
Em 31 de agosto de 1834, o reverendo Vicente Ferreira Ribeiro lavrou no livro de óbito da paróquia o Testamento Solene da negra Domingas Rosa Borges da Silva.
Ditado em 28/05/1834 declara que a testadora era natural da Costa Leste, Nação de Gentio Guiné, foi escrava em Campos de D. Rosa Oliveira e por morte desta do filho Joaquim Antônio Rodrigues Lima, tb ja falecido. Declarou-se forra pela compra que fez de sua liberdade com carta de alforria passada no cartório em Campos. ..
Era casada com o negro João Fernandes, preto liberto a bastante tempo, sem que tivessem filhos..
Declarou que do casal havia vários bens móveis e semoventes, adquiridos por ela e o marido com fruto de suas agências. ..
e descreve os bens...
Uma casa onde vivem que deixa de herança para a irmandade de N.Senhora da Boa Morte, outra casa, contígua a primeira, que deixa para São Benedito; um sítio em Cassimbas, com forno e roda de ralar mandioca, uma canoa, um cavalo e acessórios. ..
Dois escravos de nomes João e José, que deixa libertos após a morte do marido a quem servirão até a morte . ..e herdeiros do sítio onde poderão arranjar suas vidas ..
Deixa também para as irmandades uma mesa em bom uso e um caixão de guardar açúcar. ..
Sem filhos nem herdeiros, solicita ao marido e aos presidentes das duas irmandades que sejam seus testamenteiros...
Tendo levado a vida trabalhando, possivelmente como quitandeira, posteriormente fabricando farinha e plantando cana , para algum engenho vizinho, saiu da escravidão tornando-se proprietária de terra e escravos. ..
Uma lutadora que fez história. ..!

30/04/2026

A LYRA DE OURO - A LYRA DOS DEMOCRATAS
Desde tempos imemoriais os sanjoanenses se dedicam à música; na primeira festa do Divino em 1775, os quatro açorianos que instituíram a devoção já tocavam seus instrumentos que animaram a 'Folia'.
Na visita do Imperador D. Pedro II, em 1847, uma banda de escravos do Comendador João Batista de Castro Moraes Antas, foi posicionada num palanque nas margens do rio, por onde passou a comitiva, em frente a Fazenda Barra Seca do Norte, de sua propriedade...
Contudo demorou para se formar uma organização musical na cidade.
Nos festejos do 17 de junho de 1850, quando da elevação da Vila em Cidade, apresentou-se a banda chamada 'Os Invencíveis' de curta existência.
Efetivamente só nos anos de 1870 é que surgiram as mais duradouras bandas de música daquele século : a Lyra de Ferro e a Lyra de Ouro... As duas, entre rivalidades, animaram os eventos da cidade no final do Séc XIX.
A Lyra de Ouro estava em 1878, animando a inauguração da Usina Barcelos, que teve a presença do Imperador.
Em 1879 tinha como regente o maestro Pedro Ricardo de Santana, professor de música, piano, canto e diversos instrumentos.
Já em 1880 era regida pelo professor Lourenço Antônio Soares, que exercia as mesmas funções na entidade.
A Lyra de Ouro, tinha como patrocinador e mecenas o rico latifundiário Major José Fernandes Lima, em seu sobrado eram realizados os ensaios e tido como sede da instituição.
No Carnaval de 1883, a Sociedade Carnavalesca e Musical Lyra de Ouro se fez apresentar garrida com um grande desfile por muitas ruas da cidade... Naquele mesmo ano, vai até a foz do rio,em Junho, receber a nova imagem do padroeiro após o incêndio da matriz no ano anterior...
É nesse período que entra em crise declinando gradativamente com o findar do século.
Das cinzas da Lyra de Ouro, qual fênix, surge em 1907 a Lyra dos Democratas, associada ao já existente Club dos Democratas, que havia sido inaugurado como uma Sociedade Carnavalesca em 08/02/1893.
Segundo um correspondente do jornal campista 'Gazeta de Notícias' de 22/12/1907, " a nossa cidade agora dotada de duas importantes bandas de música: a Lyra Democrata e a União dos Operários, essa nascida da extinta Lyra de Ferro.
O mesmo jornal, de 22/12/1909 diz que " ... mudou-se para a sede do Club dos Democratas a Lyra dos Democratas...em 1911fez animada recepção com entrega de títulos de sócios aos beneméritos, missa cantada, passeata, baile concerto e a inauguração do 'Gaz Acythleno'...
Em 26/11/1912, em cartório, foi feita a escritura de compra e venda de uma casa térrea na rua Dr. Motta Ferraz número 58, com seu terreno, nesta cidade, dividindo pelo lado de cima com Manoel Rodrigues Lopes e pelo de baixo com prédio de sobrado do vendedor, fundos com D. Joana Coelho, tendo saída para a rua São Benedito.
Adquirido pelo Clube Carnavalesco e Musical Democrata, com sede nesta cidade, representada pela sua diretoria: presidente Capitão Nelson Zuanny Delphin Pereira, secretário Joaquim Silva de Oliveira, tesoureiro tenente Eutíquio José C. de Almeida; custou 800$000 (oitocentos contos de réis) sendo o vendedor o Coronel José Fernandes Lima...
No Carnaval de 1917, em sua sede, ricamente decorada, a banda animou um magnífico baile de máscaras...
E, na grande festa do Sagrado Coração de Jesus, daquele ano é a banda que anima o evento com missa Cantada pela Senhorita Maria Umbelina dos Santos Salva, suas discípulas e a orquestra da Lyra Democrata.
Essa banda era parte importante dos desfiles
carnavalescos que os Democratas fizeram por diversos anos, sempre se apresentando montada em belos cavalos de raça.
Essa banda desapareceu em 1931 após uma série de desentendimentos políticos entre o presidente da entidade Nelson Pereira e o tenente Jatir de Carvalho Cereja chefe da Capitania dos Portos...
Um dos principais músicos da Lyra era subordinado do tenente, que tantas vezes lhe negou licença nos dias de apresentação da banda impedindo a partir de então o funcionamento da importante sociedade musical Sanjoanense...
Após a extinção da Lyra, apenas o Club continua a existir mas também já sem seus famosos desfiles Carnavalescos.

BARCELOS 147 ANOS DE EXISTÊNCIA
23/11/2025

BARCELOS 147 ANOS DE EXISTÊNCIA

A USINA BARCELOS
Inaugurada em 23 de novembro de 1878, a usina Barcelos, propriedade da Companhia Agrícola de Campos contou na sua inauguração com a presença ilustre do Imperador D.Pedro II, da Imperatriz Thereza Cristina e grande número de ilustres do Império como o Visconde de Tamandaré, o Barão de Cotegipe,Duque Estrada Meyer, Beaurepair Rohen, Barão de Maceió, Visconde do Bom Retiro, Visconde de Itabapoana, Visconde de Araruama, Drs João José Carneiro da Silva, Freitas Coutinho, Tte Cel José Caetano, Comendador José Ribeiro de Castro, Tte Cel Joaquim Antônio Lobato de Vasconcelos e a diretoria da Companhia Agrícola.
Instituída por decreto N. 5277 de 1876 para estabelecimento de engenhos centrais no Brasil, tendo estabelecido o engenho Central "Barcelos" à margem do Paraíba, distante 19 km de S. João da Barra e 18 Km de Campos, servindo a ambas as cidades pela estrada de ferro da Leopoldina Rayway...
Teve um capital inicial de 600$000$000, aumentado para 8.000$000$000 em 1905...
Seus fundadores foram Dr. João da Silva Cordeiro, o Barão de Barcelos, Dr Manoel Rodrigues Peixoto, Major Eduardo José Manhães, Major Manuel Antônio Oliveira Cruz, Dr. Antônio Carneiro Antunes Guimarães, João Gonçalves Oliveira Bastos...dentre outros...
Produzia anualmente 120.000 arrobas de Açúcar e 900 pipas de aguardente em seus primeiros anos.
Sua capacidade era moer em 24 horas, 250 toneladas métricas de cana; tinha 12 km de linha férrea para o centro da lavoura, atendendo ainda a usina Tahy de propriedade do Dr. Olimpio Joaquim da Silva Pinto...!!!

20/11/2025

O VISCONDE QUE MORREU POR AMOR
O preconceito estrutural de nossa sociedade, algumas vezes atinge aqueles que mais se utilizam dele.
Vamos contar a história do Segundo Barão e Visconde de São João da Barra Francisco José Alves de Siqueira Rangel.
Nascido em São João da Barra em 1832, filho de D. Isabel Josefa Alves Rangel e do Sargento Antônio Joaquim de Carvalho Siqueira, neto paterno de Manoel José de Carvalho Siqueira e D. Maria Clara Joaquina da Costa, neto materno dos Barões de São João da Barra, D. Maria Francisca Alves e José Alves Rangel.
Casou no oratório da fazenda Calabouço com sua prima D. Ignácia Alves Manhães Rangel, filha de sua tia Rachel Josefa Alves Rangel e do Comendador Feliciano José Manhães.
Proprietário de diversas fazendas, dentre elas a magnífica "Barra Seca" uma das mais afamadas do município, recebeu do Imperador D. Pedro II, o título de Segundo Barão de São
João da Barra, em 24/3/1881, sendo elevado ao título de Visconde em 18/1/1882.
Proprietário de muitos escravos, a quem tratava com severidade, acabou vítima de seu próprio preconceito.
Havia na propriedade, uma jovem mulata Maria Francisca da Rosa, por quem o Visconde se apaixonou desesperadamente, tendo desse relacionamento nascido um filho, Manoel Alves Rangel, posteriormente herdeiro dos bens paterno.
Membro da mais alta sociedade do Norte Fluminense, ostentando títulos de nobreza, Presidente do Partido Liberal Chefe da Guarda Nacional de São João da Barra, senhor de muitos escravos, numa sociedade totalmente preconceituosa, o Visconde não suportou o dilema.
Na tarde do dia 5/10/1883, às 16h, em sua fazenda 'Barra Seca', com dois tiros na boca, colocou fim a sua vida.
Em extensa carta ao primo o Barão de Barcelos, relatou sua desdita e as razões pelas quais cometia tão grave ato...
E dessa forma, mais uma vez o Preconceito promove vítimas de sua insensatez.

Endereço

São João Da Barra, RJ
28200000

Telefone

+22999132493

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