02/09/2026
No sentido figurado, "jabuticaba" designa qualquer fenômeno, lei, costume ou bizarrice burocrática que só existe no Brasil. Quando ela é empregada nesse sentido, pode ser considerada um neologismo semântico.
Mas o que é um neologismo semântico? É um expediente linguístico em que se atribui um novo signif**ado a uma palavra já existente na língua.
Segundo Flávio Rocha, em matéria publicada na Forbes em novembro de 2017, “embora não se possa afirmar que a jabuticaba seja exclusiva do Brasil, a palavra representa o país da mesma forma que o samba, o Cristo Redentor ou o carnaval.” Ainda segundo ele: “No contexto brasileiro, a jabuticaba é, na verdade, um símbolo das nossas peculiaridades.” Flavio Rocha lembra que esse emprego da palavra “remonta à teoria da jabuticaba, a qual foi enunciada pela primeira vez pelo economista Pérsio Arida, um dos pais do Plano Real, e que mencionou a família das mirtáceas para definir coisas que só existem no Brasil. Na ocasião, ele fazia uma alusão à elevada taxa de juros.”
Trago aqui alguns exemplos observados em matérias jornalísticas:
- Jabuticaba? Inflação no Brasil é quase estranha frente a problemas dos principais mercados, manchete de InfoMoney, em publicação do dia 23/4/2014.
- A 'jabuticaba' da economia: um pouco mais sobre a taxa de juros no Brasil, manchete de A Gazeta, em publicação do dia 3/10/2024.
- Juro real no Brasil: A jabuticaba e suas raízes, manchete do Valor Econômico, em publicação do dia 8/4/2026.
Embora textos estritamente técnicos evitem gírias ou neologismos, a palavra aparece com frequência em discursos de autoridades, pareceres de relatores, votos em tribunais e notas técnicas. Expressões como jabuticaba jurídica, jabuticaba tributária, jabuticaba judicial, jabuticaba legal ocorrem com muita frequência em ambientes políticos.
Como se pôde constatar, o uso da palavra “jabuticaba” costuma se concentrar em veículos de imprensa especializada e geral e em instâncias bem definidas, como os Salões do Congresso Nacional e os Tribunais Superiores.