CARTA PROGRAMA EDUPOVO
Cursinho popular pré-vestibular
A educação pública brasileira vive um aprofundamento do descaso e da falta de investimento no último período. Situação que não pode ser denominada de crise, pois, na realidade, é fruto um projeto econômico e político em que prevalece a ampliação do lucro de pequenos grupos sociais, em detrimento do direito à uma educação pública, de qualidade e laica para toda a população. A última década foi marcada por um leve crescimento na oferta da educação superior pública, no entanto, muito longe de se equiparar a demanda por ensino. Ao contrário de aumentar o investimento público no sistema educacional, sucessivos governos se propuseram a incentivar e desonerar o ensino privado, o resultado foi: o crescimento de grandes setores empresariais que atuam na área da educação. Tais instituições de ensino privilegiam a formação mercadológica, onde o estudante é apenas preparado para o mercado de trabalho e não tem nenhum espaço de desenvolvimento da cidadania e senso crítico. Ainda mais, encontram muitas vezes falta de estrutura física e humana para o aprendizado. Nesse contexto, as Universidades Públicas também não escapam. Após um pequeno crescimento no número de campis, o corte de investimento dos últimos anos na área tem colocado as Universidades em situações de risco, resultado concreto é o crescente no número de greves de funcionários, estudantes e professores. Não só somada a forma desgastante para o ingresso nas universidades públicas pelo vestibular o qual é marcado por ser excludente (dificilmente a educação pública consegue preparar de forma adequada o estudante) e o sucateamento dos ensinos superior e médio, os jovens de baixa renda são colocados à margem da constituição federal no que concerne ao ensino superior público. Muitos já estão fadados a sair da escola e ir procurar oportunidades de emprego visto que a competição é incentivada antes do tempo. Nas escolas mais periféricas, muitos estudantes não sabem ou conhecem essas instituições públicas; dessa forma, havendo um distanciamento deles com o ensino público. O baixo incentivo à educação torna ainda mais distante a realidade da juventude da trabalhadora como participante do bem comum. Para atuar nesse contexto e como ferramenta de transformação da realidade o Cursinho EduPovo é composto por: professores, estudantes universitários e secundaristas. Os primeiros contribuindo com um importante acumulo teórico e da vida acadêmica e os segundos contribuindo com a vivencia da sala de aula pela perspectiva do estudante. Porém, longe de constituir uma estrutura binária, na realidade, um todo que age em conjunto para formular um processo educacional democrático e amplo, onde todos têm espaço para construção de um conhecimento coletivo. O Cursinho EduPovo propõe auxiliar os estudantes inserido-os nas matérias escolares previstas no ENEM (Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Ciências Exatas e Linguagens e Códigos), e no como que as matérias se inter-relacionam, de modo que, que os estudantes possam levar isso para fora da sala de aula. Além disso também priorizamos a formação política do estudante, de forma que ele estimule seu senso crítico e possa contribuir para a sociedade. Esta iniciativa tem a intenção de auxiliar a ida do jovem para a faculdade, porém queremos que esse mesmo jovem entre na faculdade entendendo seu papel de cidadão e que saia de lá questionando o mundo e com a intenção de mudá-lo de forma que possamos ter uma sociedade mais justa e igualitária. Já dizia o grande educador Paulo Freire:
“Educação não muda o mundo, educação muda pessoas, pessoas mudam o mundo”.