Coletivo LGBT Círculo Cromático

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Coletivo LGBT do Instituto Federal do Rio de Janeiro - Campus Maracanã

Photos from Coletivo LGBT Círculo Cromático's post 13/02/2019

Photos from Coletivo LGBT Círculo Cromático's post 29/10/2018
29/10/2018

SE FERE A MINHA EXPERIÊNCIA EU SEREI RESISTÊNCIA

29/10/2018
15/04/2018

Precisamos entender que mesmo no século 21 ainda sofremos e ainda morremos por ser quem somos. O trecho da música abaixo mostra uma realidade de muitos que sofrem todos os dias com preconceito, com homofobia e com a transfobia no Brasil precisamos dar um basta em todos os ataques que soframos todos os dias, de pessoas da nossa rua, de pessoas na nossa escola e de pessoas em nossas famílias. Mas temos que continuar com a cabeça erguida e continuar lutando.

Brasil, país que mais mata pessoas trans
Espero que a estatística não suba amanhã
Me diz, por que o jeito de alguém te incomoda?
Fo***se se te incomoda
É meu corpo, e a minha história

E sobre a minha carne, cê não tem autoridade
Não seja mais um covarde, de zero mentalidade
Seja inteligente, abra a sua mente
O mundo é de todos, não seja prepotente

Seja gay, seja trans, negro ou oriental
Coração que pulsa no peito é de igual pra igual
O individual de cada um não se discute
Seja elevado, busque altitude

-TRIZ

22/10/2017

Vídeo gravado e editado no início de 2017, fruto de um trabalho de Língua Portuguesa realizado por um grupo de estudantes do IFRJ Campus Maracanã com a participação das integrantes do Coletivo Círculo Cromático.
Às envolvidas: o coletivo agradece pelo vídeo de coração

17/09/2017

Após dias e dias temos que lidar com todo esse discurso de ódio, em especial contra as pessoas trans. Atitudes como essa não mais serão toleradas! Transfóbicos nao passarão, esteja avisado. Providencias serão tomadas, legalmente, em relação ao ocorrido.
Não nos escondemos atrás de site de perguntas anônimas, botamos a cara, resistimos e ocupamos todos os espaços que são nossos por direito. Terá trans em escola técnica federal, sim! Terá trans em universidades e em qualquer lugar que essa pessoa queira estar. Não queremos sua aceitação, apenas exigimos respeito!!!

20/08/2017

O QUE É A TEORIA Q***R? E o que não é?

Antes de começar é importante ressaltar que este texto não cobre toda a gama potencial e teórica que a política q***r oferece. Afinal de contas, a q***r não trata apenas de gênero e sexualidade — esse nunca foi o único foco dela. Porém, como é comum que algumas páginas foquem nesta área do q***r, é justo que meu texto também tenha esse enfoque. Portanto, alguns pontos ficarão de lado: o propósito aqui é justamente retirar a deturpação que fazem da Teoria Q***r. O texto tem caráter de ensaio, não utiliza linguagem e termos próprios da TQ. Estamos na internet, isso aqui é pra descomplicar.

O QUE É?

Darwin criou a Teoria da Evolução das Espécies, Einstein formulou a Teoria da Relatividade, e Marx o marxismo. E quem criou a Teoria Q***r? Ninguém. A TQ surgiu advinda de trabalhos de vários filósofos e sociólogos: Michel Foucault, Judith Butler, Eve Sedgwick, Guy Hocquenghem e Michael Warner são apenas um dos nomes que foram pioneiros nessa área de estudo (embora Foucault nunca tenha usado o termo “q***r” sua obra foi de imensurável importância). Isso pode ser percebido quando se analisa a história. Os primeiros movimentos q***r aconteceram após a Rebelião de Stonewall (1969), estes movimentos não tinham uma “teoria” para se orientarem (e o uso do termo “q***r” não era tão popular), e se opunham ao assimilacionismo do Movimento Homófilo. De fato, só em 1990 que aparece o primeiro movimento que realmente adotou o termo q***r: o Q***r Nation. E o que é q***r?
Q***r é tudo que o discurso da sociedade transforma em anormal, em estranho, em abjeto, em subalterno (Miskolci, 2012). São os g**s afeminados, as lé***cas masculinizadas, as pessoas trans e travestis, as pessoas inters**o, e todos que estão na margem social. E não se engane, o termo “q***r” nunca foi uma forma carinhosa de tratamento. Ele é originalmente um palavrão de teor extremamente pejorativo. Não há tradução em português que consiga provocar tanta repulsa que o termo originalmente provoca, há tentativas de tradução para “estranho”, “bicha”, “viado”, “traveco” e “sapatão”. Mas simplesmente não há correspondência em português para o “q***r” como adjetivo pejorativo. Mas por que diabos alguém iria querer ser tratado por palavrão? Simples: o Q***r Nation acreditava, naquela época, que o termo poderia ser usado como uma forma de apoderar-se de uma arma LGBTfóbica e utilizar contra os próprios LGBTfóbicos. “Sim, nós somos viados”, diziam e ainda dizem.

Ao mesmo tempo em que os q***rs (mesmo que não se denominassem assim) se organizavam na rua em movimentos sociais, também se organizavam nas universidades. Foi apenas em 1991, vinte anos depois de Stonewall, que Teresa de Lauretis usou pela primeira vez a frase “Teoria Q***r”. A partir daí, o termo se popularizou. Ela usou como uma forma de escárnio ao Movimento Homófilo que repudiava o uso do termo pois acreditavam que não iriam incluir-se na sociedade deste jeito. E, de fato, não iriam se incluir mesmo. A TQ não quer a inclusão dos q***rs na sociedade atual, ela quer transformar a sociedade para que não mais existam os “normais” e os “anormais”. Afinal de contas, o Movimento Homófilo era composto majoritariamente por g**s brancos de classe média e não-afeminados enquanto o q***r abrangia as pessoas que estavam de fora das classificações homófilas. Uma teoria crítica e pós-identitária orientada pela política das diferenças (e não da diversidade) e da subversão.

A Teoria Q***r é, então, uma linha de pensamento filosófico e sociológico surgida da aliança entre feministas e movimento LGBTQ. É uma teoria que ainda está em construção e que foi altamente influenciada pelo existencialismo de Beauvoir, pelo marxismo, pela psicanálise, pelos estudos pós-coloniais, e por Foucault. Postula contra a classificação e padronização das identidades, contra o assimilacionismo cultural, contra a cisnormatividade e heteronormatividade, contra o patriarcado, contra o (pink) capitalismo e contra o sistema binário de gênero/sexualidade. Não é, como alguns pensam, uma política identitária.

E aqui, quando falamos de não-binarismo de gênero, não estamos falando apenas dos terceiros gêneros ou gêneros não-binários que associam à TQ. Estamos falando também que a identidade mulher não pode ser o oposto da identidade homem. Essa concepção binária de gênero naturaliza que o que o homem pode fazer, a mulher não pode e vice-versa. Por exemplo, nesta concepção binária, mulheres devem utilizar maquiagem, enquanto homens não. E tantos outros exemplos que não caberiam aqui sem fazer o texto ficar demasiadamente longo. O que está em questão é desnaturalizar as oposições que ocorrem entre estas identidades, pois elas fazem algo que a TQ postula contra: a normatização e padronização das identidades. E por se opor ao sistema binário, a TQ não se opõe à mulher ou ao homem: ela se opõe ao “sistema de gêneros como instituição social [que] cria uma hierarquia, colocando os homens em uma posição superior à das mulheres” (Não Me Kahlo, 2016, p. 33).

O QUE NÃO É?

A TQ não é uma tentativa de criar uma “infinidade de gêneros” como algumas pessoas podem afirmar. Quanto ao gênero, a TQ tem o objetivo de subverter as identidades para que não mais possam classificar algo como Y ou como X:
A multidão q***r não tem relação com um “terceiro s**o” ou com um “além dos gêneros”. Ela se faz na apropriação das disciplinas de saber/poder sobre os s**os, na rearticulação e no desvio das tecnologias s**opolíticas específicas de produção dos corpos “normais” e “desviantes”. Por oposição às políticas “feministas” ou “homossexuais”, a política da multidão q***r não repousa sobre uma identidade natural (homem/mulher) nem sobre uma definição pelas práticas (heterossexual/homossexual), mas sobre uma multiplicidade de corpos que se levantam contra os regimes que os constroem como “normais” ou “anormais” […]. O que está em jogo é como resistir ou como desviar das formas de subjetivação s**opolíticas. (Preciado, 2003/2011, p. 16).

Sabe aquelas imagens que circulam no Tumblr com uma descrição sobre algum gênero? Esquece isso (e não associe mais ao q***r), a Teoria Q***r nunca nomeou, descreveu ou criou nenhum desses gêneros (e duvido que irá fazer isso). Porém, é inegável a existência de gêneros não-binários. Os estudos em português sobre estes gêneros são escassos, e por isso é necessário recorrer ao estudos em inglês. Mair Cayley, em sua tese de PhD intitulada de “Xwhy? Stories of non-binary genders”, analisou e descreveu estes gêneros além de ter dado perspectivas multidisciplinares sobre a formação destas identidades. Além dela, Christina Richards et al escreveu o artigo “Non-binary or genderq***r genders”. Margaret Mead, antropóloga estadunidense, escreveu “Sexo e temperamento” em 1935 (muito antes de qualquer teórico q***r) onde nos mostra como a feminilidade e masculinidade pode fluir independente do s**o. Em português, pode-se encontrar o “Gêneros não-binários, identidades, expressões e educação” de Neilton dos Reis e Raquel Pinho.

Existem outras afirmações absurdas como “a TQ é uma cura gay”, “é misógina e sexista” que não compensam a escrita sem parcimônia deste texto. A TQ não é uma “cura gay/lé***ca” porque ela advoga a favor da não-heteronormatividade, tampouco é “misógina e sexista” justamente por se opor ao patriarcado. Estas afirmações geralmente (se não sempre) são feitas sem argumentação lógica nenhuma e torna-se impossível ter ideia de como alguém chegou a tal conclusão, e isso impede a contra-argumentação.

*Referências*
COLETIVO NÃO ME KAHLO. MeuAmigoSecreto: Feminismo Além das Redes. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro, 2016.
MISKOLCI, Richard. Teoria Q***r: um aprendizado pelas diferenças (2012). 2ª ed. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2016.
PRECIADO, [Paul] B. Multidões q***r: notas para uma política dos “anormais”. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 19, n. 1, p. 11–20, jan. 2011. (O autor é um homem trans que, ao publicar este artigo, não havia adotado seu nome social: Paul B. Preciado).

20/08/2017

DESCOBRINDO A DIVERSIDADE: VAMOS FALAR SOBRE TRANSEXUALIDADE?

Pessoas transexuais ou transgêneras são pessoas que não se identificam com o gênero designado pela sociedade, que é sempre dado de forma falocêntrica, ou seja, em relação com ao órgão sexual com o qual nasceu. Se no ultrassom veem que o bebê tem va**na, logo é providenciado um quarto cor-de-rosa, bonecas e etc. No senso comum temos uma ideia de gênero estática, binária e sexista. Mas, no meio disso, temos um mar de diversidades, de expressões e de formas de experienciar a identidade de gênero.

Uma pessoa transexual pode se identificar com os dois gêneros ao mesmo tempo, com um ou com outro em momentos diferentes, com nenhum, com um apenas o tempo todo, enfim como eu disse um mar de formas.
Uma confusão muito frequente é entre identidade de gênero e orientação sexual. Vamos separar:

- Identidade de gênero diz respeito a forma que você se percebe socialmente, individual seu.
- Orientação sexual é definida levando em consideração a sua identidade de gênero e a identidade de quem lhe atrai afetivamente ou sexualmente. Por exemplo: Uma mulher transexual lé***ca, ela se identifica como mulher, e se sente atraída por mulheres.

Procedimentos médicos:

A necessidade da cirurgia de resignação sexual, que adéqua seu órgão sexual, também é variável, ou seja, algumas pessoas transexuais precisam dela, outras não. E essa necessidade, quando existe e a pessoa não tem acesso, pode levá-la a atos desesperados e de risco na tentativa de adequação. Existem relatos de mutilação ge***al que levaram transexuais à morte, pois a única escolha muitas vezes é fazer isso em casa com qualquer objeto cortante. O seriado Orange is the new black, do Netflix, retrata um caso onde uma mulher transexual recorre a medidas drásticas para conseguir o dinheiro do procedimento. Apesar de ser um episódio ficcional, representa o problema de muitas pessoas trans.

Problemas sociais:

A expectativa de vida de travestis (termo usado comumente pra se referir a mulher transexual que não fez a cirurgia de resignação sexual) é em torno de 35 anos, de acordo com uma pesquisa realizada pelo doutor em Psicologia Social, Pedro Sammarc. Já a média dos brasileiros é de 73 anos. Essa diferença absurda vem de vários fatores, dentre eles a marginalização, a falta de oportunidade de emprego, e a violência transfóbica.

Outro problema enfrentado é o nome. No Brasil temos o ‘’nome social’’, que por lei deve ser respeitado em todo órgão público, mas que na prática não é bem assim. Muitas vezes é tratado como “nome fictício”. E o processo de mudança de nome civil, além de caro, pode ser simplesmente negado pela justiça.
A marginalização se dá quando elas não são aceitas em quase nenhum ambiente social público ou privado, sofrem discriminação na escola, universidade e qualquer ambiente acadêmico. Sofrem discriminação no trabalho, sendo frequentemente colocadas, quando aceitas, em subempregos e situações precarizadas de trabalho. A única forma de sustento pra grande parte delas é a prostituição.

O Brasil é o país que mais mata transexuais, entre 2008 e 2014 foram registradas 604 mortes no país. Ser transexual não é crime legalmente falando, mas elas são punidas socialmente com pena de morte. São constantemente mostradas na mídia como bizarras, ou motivo de riso.

No Brasil existe também uma cultura de fetichização das transexuais, ou seja, são tratadas como objeto sexual. Em relacionamentos afetivos, outro problema que encontram é o relacionamento invisível, onde o parceiro se recusa a assumir publicamente o relacionamento com uma pessoa transexual, trazendo o sentimento de ser motivo de vergonha e rejeição.
É evidente, se olhar para a história da humanidade, que a transexualidade é natural do ser humano, e sempre ocorreu. Já a discriminação, essa não ocorre em todos os tipos de sociedade. Existem tradições de povos indígenas onde a transexualidade é sinônimo de poder, nos nativos norte-americanos, por exemplo, o líder xamânico chamado de Berdache é necessariamente transexual.

Uma das maiores dúvidas é como se referir a uma pessoa transexual sem ofendê-la ou causar constrangimento. Pode ser resolvido perguntando pra pessoa o seu nome. Se você tem alguma dúvida sobre a forma de tratamento que deve usar (ele ou ela), pergunte, de forma educada e sempre com bom senso, pra própria pessoa em questão como ela prefere ser tratada.

Texto por: Lucas Panek

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