16/12/2020
Eu acho e entendo que não é fácil compreender um policial. Temos uma escala de Plantão que nos leva a f**ar acordados à noite toda. Às vezes dias. Não respeita natal, feriado, fim de semana.
Sentimos saudades de alguns eventos, de algumas liberdades, aniversários que não pudemos ir.
Em determinados momentos somos vistos como frios. Insensíveis, pois não nos emocionamos muito ou não entendemos certos “casos e problemas” pois vivemos coisas muito piores no trabalho. Vemos a pior parte do ser humano.
Na maioria da vezes chegamos em casa cansados, não queremos falar. Falamos o dia todo. Não queremos sair, corremos o dia todo.
Queremos paz.
O bom policial ama o que faz. Por isso talvez suspeito que não seja fácil nos dar amor. Mas saiba de uma coisa: nós precisamos, amor, compreensão, respeito, não só quando você PRECISA DE NÓS.
Não só quando sua casa é assaltada ou você vai num golpe. Não é só quando você quer processar um desafeto ou usar-nos “pra dar um susto”.
É no nosso peito de carne, e não de aço, que perfura uma munição, num dia tranquilo de trabalho, numa abordagem de rotina.
É na nossa cara de verdade e não com armadura, que a gente recebe as mais variadas ofensas, e que ainda somos “obrigados a suportar”.
É no nosso bolso que dói ver colegas com salários sucateados, ganhando o merecido para tentar evitar uma “guerra”, enquanto já estamos nela. Tudo isso pra comer, morar e pagar um plano de saúde que as vezes nem dá.
Somos nós, que levamos trabalho pra casa, que envolvemos nossa família, que 24h estamos de alerta, pois por incrível que pareça em alguns lugares, ser policial é uma ameaça.
Então essa postura mais dura, esse olhar menos sensível, não afasta a HUMANIDADE que temos.
É difícil amar quem é policial. Por isso gostaria de agradecer aqueles de vocês que nos permite fazer este trabalho, este chamado.