06/09/2025
No último sábado (23), o historiador Bruno Lima lançou uma obra que joga luz à história de vida de Luiz Gama, o Patrono da Abolição da Escravatura no Brasil. O livro “Pai contra mãe: As origens perdidas de Luiz Gama na Bahia” (ed. Hedra) revela documentos inéditos sobre a infância do intelectual baiano.
O agora descoberto “assento de batismo” (registro do sacramento pela Igreja Católica) estabelece uma nova data de nascimento do advogado baiano (de junho de 1830 para junho de 1831) e confirma que sua mãe foi de fato Luiza Mahin, figura emblemática do movimento negro.
O documento aponta que o pai de Gama se chamava Antônio Agostinho Carlos Pinto da Gama e morreu em estado de miséria em 1852, apenas quatro anos depois de o filho conquistar a liberdade. E identif**a a mãe do abolicionista como Luiza Nagô que, para Lima, trata-se sem dúvida de Luiza Mahin.
Outro achado importante é o testamento de Maria Rosa, tia-avó que nomeia Luiz Gama, “nascido livre de qualquer escravidão”, como herdeiro legítimo de seu patrimônio e com direito à educação assegurado até a maioridade. Escrituras posteriores revelam, porém, que Antônio Agostinho, conhecido por sua inclinação ao jogo e à bebida, dissipou os bens antes que o filho tivesse a chance de herdá-los.
Após vender duas casas e três sobrados, restou-lhe negociar o próprio filho. Como este nasceu livre, é provável que Agostinho tenha falsif**ado um novo papel de batismo com a ajuda de um padre.
“Gama omite o nome do pai para melhor expô-lo. O pai vira algo maior, a imagem da escravidão e do tráfico de escravos. Gama libertou centenas de escravizados de pessoas como o pai dele. Em sua autobiografia, o crime monstruoso e premeditado de Antônio Agostinho não é tratado como um problema pessoal, mas como um problema moral e estrutural. Gama se esconde sempre para colocar em primeiro plano a saga do negro”, diz Lima, que é pesquisador do Instituto Max Planck, da Alemanha.
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