03/06/2026
No mês de junho de 1750, o infelizmente famoso Diderot, filósofo iluminista e ateu materialista, incrédulo e fatalista, caminhava pela rua Saint-Louis em Versalhes, no dia da Festa de Corpus Christi. Olhava com indiferença e desprezo para o altar que se acabara de montar, onde seria depositada a Santíssima Eucaristia durante a procissão.
Eis que de repente Diderot ouve no meio do mais profundo silêncio ser entoado o majestoso Lauda Sion Salvatorem, pois a procissão se aproximava. Aparece, então, o clero formando duas longas alas, elevando-se aos ares nuvens de incenso e pétalas de rosas, o ostensório brilhando aos raios do sol, bandeiras religiosas flutuando de todas as partes, uma doce alegria nos semblantes de todos. O canto ficava cada vez mais forte. Diderot, então, se viu interiormente forçado a curvar os joelhos e render adoração àquele Deus a quem negava.
O momento da bênção do Santíssimo Sacramento chega, e Diderot cai desmaiado após a bênção. Correm a socorrê-lo, e o filósofo é, então, levado para uma casa vizinha, onde estava o seu amigo Grimm, com quem viera de Paris.
“Que vos aconteceu, caro Diderot?”
“Tudo isso é realmente majestoso, impressionante, comovente”, responde o incrédulo.
Grimm, então, lhe diz ironicamente: “Se vê mais uma procissão, o caro filósofo se converte.”
Pouco tempo depois, em seus Ensaios sobre a pintura, Diderot confessará: “Nunca pude ouvir aquele grave e impressionante hino entoado pelos padres e respondido por mil vozes de homens, mulheres e crianças, sem que o coração se me apertasse de estranhas e vivas emoções, e dos olhos se me rebentassem as lágrimas.”
18/05/2026
Alguns momentos da Peregrinação da FSSPX a Aparecida em 2026. Mais de 1600 fiéis de todo o Brasil aos pés da Virgem Maria, pedindo o triunfo do seu Imaculado Coração na Santa Igreja, em nossas famílias, em nossas sociedades, em nossa pátria. Que a Virgem Aparecida, Corredentora e Medianeira de todas as graças, abençoe a Fraternidade São Pio X nesses tempos tão difíceis! Que ela faça de todos os seus sacerdotes e fiéis verdadeiros filhos da Igreja Católica Apostólica Romana!
20/02/2026
Dom Fidelis Boeser, OSB (+ 1953) chamava o canto gregoriano de “pulsação do Coração de Cristo”, porque assim como Nosso Senhor é “manso e humilde de Coração”, este canto também é manso e humilde.
O canto gregoriano é um canto manso, pois manifesta a todo tempo grande serenidade, ternura e paz de espírito, mas ao mesmo tempo grande liberdade e profundidade, expressando mesmo os mais íntimos e delicados sentimentos do coração e da alma. Estudos científicos mostram inclusive que o canto gregoriano faz diminuir a tensão arterial e contribui para reduzir a ansiedade e a depressão.
Mas este canto é também um canto humilde, pois é um canto monódico e simples: sem efeitos vocais, sem harmonias, sem cromatismo, sem síncopes, sem grandes intervalos, sem exigir uma grande extensão vocal. Ele é sóbrio e austero. É um servo do texto litúrgico. Ele não visa atrair a atenção sobre si, mas sobre o texto. Não visa produzir efeitos, mas adorar a Deus. Nele se verifica a magnífica frase de São João Batista: “importa que Ele cresça e eu diminua”.
O canto gregoriano é, portanto, como as pulsações do Coração manso e humilde de Nosso Senhor. Por isso, ao revestir a oração tão poderosa da Liturgia da Igreja com a sublimidade deste canto, tão semelhante às pulsações do Coração de Cristo, Deus Pai certamente não deixará de atendê-la. Por isso, de fato, quem canta, reza duas vezes!
28/10/2025
São muitas as diferenças entre a Nova Missa protestantizada e a Missa Romana Tradicional. O duplo Confiteor no início da Missa marca já uma diferença muito significativa quanto ao papel do sacerdote.
Na Missa Tradicional, o sacerdote confessa os seus pecados primeiro e sozinho, dando o exemplo. Vestido como ministro de Cristo e fazendo uma profunda reverência, se reconhece como indigno tanto da sublime missão quanto do tremendo mistério que ele irá representar. Ele repete o gesto do publicano louvado por Nosso Senhor, que, batendo no peito e inclinado, confessava os seus pecados.
Os fiéis dizem o Confiteor em seguida, para deixar clara a distinção entre eles e o sacerdote, e se dirigem ao padre como “pater”: “Eu, pecador, me confesso a Deus Todo Poderoso, à Bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado São Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado São João Batista, aos Santos Apóstolos São Pedro e São Paulo, a todos os Santos, e a vós, padre…”
Na Nova Missa, o Confiteor é rezado apenas uma vez por todos juntos, e o sacerdote não é mais o pai dos fiéis, mas sim outro irmão em igualdade de condições: “Confesso a Deus Todo Poderoso, e a vós, irmãos…”. Agora somos todos irmãos. Como diz o Breve Exame Crítico apresentado pelos Cardeais Otavianni e Bacci ao Papa Paulo VI, no novo rito “o padre não é mais juiz, testemunha e intercessor perante Deus. É, portanto, lógico que ele não mais recite a oração de absolvição que se seguia e que foi agora suprimida (Indulgência, absolvição e remissão dos nossos pecados nos conceda o Senhor onipotente e misericordioso).”. Absolvição e a indulgência são atos plenamente sacerdotais. Abolir essa absolvição e indulgência confunde o padre com os fiéis, fazendo com que ele se torne um mero “presidente da assembleia”.
A menção a Nossa Senhora, aos anjos e Santos como testemunhas e juízes desaparece totalmente da primeira parte, permanecendo somente na segunda parte como intercessores e reduzidos ao anonimato. Concepção democrática e protestante.
São tantas e tão profundas as diferenças entre a Missa Tradicional e a Nova Missa, que nos defrontamos com “a trágica necessidade de escolher”, como disseram os Cardeais Otavianni e Bacci.
27/10/2025
“Oportet illum regnare. É preciso que Ele reine, nos diz São Paulo. Nosso Senhor veio para reinar. E é por isso também que queremos a Missa de São Pio V. Porque essa Missa é a proclamação da realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo.” (Mons. Marcel Lefebvre)
Que grande honra tocar e cantar na Missa Pontifical da Festa de Cristo Rei, celebrada por S. Excelência Revma. Dom Bernard Fellay, no centenário da Encíclica Quas Primas, do Papa Pio XI, sobre a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo! Viva Cristo Rei!
17/10/2025
Há uma tentativa fracassada de grande parte dos músicos católicos contemporâneos em associar o espírito de sacralidade a práticas incompatíveis com ele. É surpreendente que ainda existam tantos lugares onde encontremos violões, instrumentos essencialmente seculares, fornecendo acompanhamento para o canto na liturgia. Isso é ainda mais surpreendente visto que nunca foi difícil discernir a opinião da Igreja sobre esse assunto.
Resumindo a visão dos Papas, Pio XII ensina na Musicae Sacrae de 1955: “Além do órgão, outros instrumentos podem dar uma grande ajuda na consecução da elevada finalidade da música sacra, desde que não toquem nada profano, nada clamoroso ou estridente, e nada em desacordo com os serviços sagrados ou a dignidade do lugar”.
A Instrução pós-conciliar Musicam Sacram explicita: “Os instrumentos geralmente associados e usados apenas pela música mundana devem ser absolutamente excluídos dos serviços litúrgicos e devoções religiosas.”
Na época em que este documento foi escrito, os violões eram - e ainda o são - associados à música mundana – a música da contracultura – e não à música sacra na igreja, que era dominada pelo órgão de tubos e, em certas ocasiões, pelas cordas e instrumentos de sopro.
Em 18 de setembro de 1968, Paulo VI disse o seguinte: “O objetivo principal da música sacra é evocar a majestade de Deus e honrá-la. Que fundamento há para permitir qualquer coisa que seja mesquinha ou banal, ou qualquer coisa que atenda aos caprichos do esteticismo?”
O violão acústico, mesmo tocado em estilo clássico, nunca foi um instrumento usado na igreja. Muito menos um violão tocado no estilo dedilhado e sincopado de música folclórica ou música pop. No final dos anos 1950, esse instrumento significava uma coisa e apenas uma coisa: música de entretenimento secular. Ainda hoje, o violão é um instrumento associado à música secular: sertanejo, pop, rock, reggae, country, jazz, bossa nova...
É por isso que as restrições dos documentos citados acima (às quais mais citações poderiam ser adicionadas) se aplicam tão inequivocamente a esse intrumento; e essas são restrições que nenhum documento da Igreja jamais revogou.
24/02/2025
O Ave Maris Stella é um famoso hino gregoriano composto por São Venâncio Fortunato no século VI em honra de Nossa Senhora. O hino se popularizou muito na Idade Média e é usado ainda hoje nas Vésperas das Festas de Nossa Senhora.
Certo dia, São Bernardo sussurrava esse hino enquanto caminhava pelo mosteiro. Chegando na quarta estrofe, ao cantar as palavras “Monstra te esse Matrem” (“Mostra que sois Mãe”), o santo se encontrava exatamente diante de uma imagem da Santíssima Virgem.
A imagem, então, tomando vida, lançou-lhe um jato de leite nos lábios, interrompendo o canto e dizendo-lhe: “Monstra te esse filium” (“Mostra que sois filho”). São Bernardo entrou em um profundo êxtase de doçura, e após esse fato, aqueles lábios falaram as palavras mais sábias e dominantes ouvidas naqueles tempos na Europa. Essa história foi retratada por muitas pinturas medievais.
Santo Afonso de Ligório nos diz que devemos colocar na Santíssima Virgem toda a nossa esperança e recorrer a ela em toda necessidade, dizendo: Monstra te esse matrem – “Mostra que sois minha mãe”. Mas, cuidado, acrescenta o santo! Ao fazer esse pedido, devemos estar atentos para que, pelas nossas obras, nos mostremos seus dignos filhos e em nada contristemos uma tão boa Mãe: “Monstra te esse filium” - “Mostra que sois filho”.