12/01/2015
"Classismo Estrutural, o Estado e a Guerra"
http://umanovaformadepensar.com.br/classismo_estrutural_o_estado_e_a_guerra
(...) ao desconstruir sua premissa, vemos que a guerra é, de fato, uma característica central e imutável do capitalismo, pois é simplesmente uma manifestação mais sofisticada das mesmas práticas e valores arcaicos, divisionistas e competitivos.
Assim como uma empresa compete com outras empresas do mesmo gênero por renda para sua subsistência, buscando invariavelmente o monopólio e o cartel quando possível, todos os governos do planeta têm como premissa fundamental, por extensão, a mesma forma de sobrevivência. Usando os EUA como estudo de caso, em 2011 o país ganhou cerca de 2,3 trilhões de dólares apenas em receitas de imposto de renda. (...) Os Estados Unidos são, na verdade, uma corporação em função e forma; com todas as empresas registradas existentes em sua teia jurídica interna sendo consideradas filiais desta instituição paterna que tradicionalmente chamamos de "governo dos EUA".
Portanto, todas as ações do governo dos EUA, juntamente com todos os governos que competem no mundo, devem manter naturalmente uma aguda visão de negócios em operação. No entanto, o que separa essa "corporação-mãe" (EUA) de seus setores subsidiários (empresas) é a escala de sua capacidade de preservar a si mesma e manter uma vantagem competitiva. Sua necessidade de preservar as linhas fundamentais de sua economia é crucial, e um breve olhar na história de como os EUA foram capazes de conquistar e manter o seu status de "império" global mostra essa visão de negócios claramente. De fato, a manifestação pouco difere, em princípio, de como uma corporação específica procura obter um monopólio comercial. Mas, nesse caso, o ideal do monopólio global (império) não é restringido por força de lei, como comumente ocorre com a restrição legal doméstica - é vigorosamente executado no teatro da guerra imperialista.
Na verdade, é interessante, mas não inesperado, que essa própria auto-preservação por ação militar poderia tornar-se um negócio lucrativo poderoso, que muitas vezes melhora a economia do país e, consequentemente, os lucros de suas corporações constituintes. Hoje, podemos estender esses benefícios econômicos para os enormes gastos militares juntamente com a reconstrução de áreas devastadas pela guerra por subsidiárias comerciais dos estados conquistadores, o comprometimento lento da integridade de um país através de tarifas comerciais, sanções e imposição de dívidas para subjugar a população em benefício de indústrias transcontinentais e muitas outras convenções modernas de "guerra econômica".
Este ponto foi provavelmente melhor expressado por um dos oficiais do exército mais condecorado dos EUA no século 20: Major General Smedley D. Butler. Butler foi o autor de um famoso livro lançado após a 1ª Guerra Mundial intitulado "War is a Racket" (A Guerra é uma Fraude), e declarou o seguinte em relação ao negócio da guerra: "A guerra é um crime. Ela sempre foi. É possivelmente o mais antigo, facilmente o mais rentável, certamente o mais cruel. É o único de âmbito internacional. É o único em que os lucros são contados em dólares e as perdas em vidas".
Ele também escreveu, em 1935: "Passei 33 anos e quatro meses em serviço militar ativo e, durante esse período, passei a maior parte do meu tempo como um valentão de luxo para grandes empresas, Wall Street e os banqueiros. Em suma, era um mafioso, um gangster do capitalismo. Ajudei a tornar o México, e especialmente Tampico, seguro para os interesses petrolíferos norte-americanos em 1914. Ajudei a fazer de Haiti e Cuba bons lugares para os rapazes do National City Bank coletarem receitas. Ajudei no estupro de uma meia dúzia de repúblicas da América Central em benefício de Wall Street. Eu ajudei a purificar a Nicarágua para a International Banking House da Brown Brothers em 1902-1912. Eu trouxe a República Dominicana à luz para os interesses açucareiros norte-americanos em 1916. Eu ajudei nas leis de Honduras para beneficiar as empresas de frutas americanas em 1903. Na China, em 1927, eu ajudei a Standard Oil a continuar seu trabalho sem ser molestada. Olhando para trás, eu poderia ter dado a Al Capone algumas sugestões. O melhor que ele fez foi operar seu esquema fraudulento em três distritos. Eu operei em três continentes."
O trabalho monumental de John A. Hobson (1858-1940), "Imperialismo: um estudo", descreveu essa tendência como um "processo social parasita pelo qual um interesse financeiro do estado, usurpando as rédeas do governo, contribui para a expansão imperialista, a fim de prender os sanguessugas econômicos a corpos estrangeiros, de modo a drená-los de suas riquezas para sustentar o luxo doméstico."
Agora, muitos pensariam nestes atos abusivos como de certa forma "corruptos", mas é difícil justificar esse raciocínio em uma visão ampla. O argumento ético e moral de o que é "justo" e "injusto" não tem uma integridade convincente no âmbito do sistema inerente ao capitalismo."
Trecho extraído de: "O Movimento Zeitgeist: uma nova forma de pensar" (http://umanovaformadepensar.com.br/)
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