18/01/2025
A Modernidade e o Homem Prometeico por Seyyed Hossein Nasr.
Blog sobre traduções, literatura e linguística com entrevistas, traduções e ensaios próprios para discussão em grupo.
18/01/2025
A Modernidade e o Homem Prometeico por Seyyed Hossein Nasr.
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Sad Songs Say So Much Playlist · Caio Zini · 111 items · 1 likes
28/09/2024
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Shake Your Money Maker - The Dancing ones Playlist · Caio Zini · 175 items · 1 likes
28/09/2024
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The Blues is on me Playlist · Caio Zini · 144 items
28/09/2024
28/09/1991 - A ÚLTIMA NOTA DE MILES DAVIS
Miles Dewey Davis III, mais conhecido como MILES DAVIS no meio musical e entre seus fiéis fãs, nascido em 26 de maio de 1926 em Alton, Illinois, Estados Unidos, e falecido aos 28 de setembro de 1991, em Santa Monica, Califórnia, Estados Unidos, por uma doença genética chamada drepanocitose que lhe causou complicações principalmente em seus pulmões, levando-o à morte aos 41 anos. Nesta data de hoje se completam 33 anos desde sua morte, o fim de uma lenda da música e de um dos grandes revolucionários musicais ao lado de Muddy Waters, Cream, Jimi Hendrix, Beatles, Black Sabbath, Kraftwerk, Depeche Mode, New Order, Van Halen, Slayer, Nirvana e Rammstein, por exemplo, mas pouco lembrado por estar mais restrito ao Jazz, o que é injusto, pois ele fundiu a este estilo influências de rock e funk na década de 1970 em seu majestoso álbum chamado BI***ES BREW, o meu preferido. Espero que os músicos atuais o redescubram e o tragam para próximo e assim os influencie, pois a música atual carece dessas influências inspiradoras para criar músicos de competência e trazer a virtuosidade novamente ao mundo da música, pois os estilos musicais, de uma forma geral, estão cada vez mais pobres e simplistas, musicalmente falando.
Filho de uma tecladista e violinista de renome que se vestia de casacos de pele e diamantes, fonte declarada de sua inspiração estilística, Miles cresceu na seção leste de St. Louis, Illinois, um local de alguns dos maiores e mais violentos "motins raciais" dos Estados Unidos, entre os vários já ocorridos no país desde o fim da escravatura. Ao ver e ouvir Charlie Parker e Dizzy Gillespie tocando em St. Louis como integrantes da banda de Billy Eckstine, Miles ouviu o jazz moderno pela primeira vez e isso mudou sua vida. Convenceu sua família a mandá-lo a Nova York e estudar música clássica na prestigiada escola Julliard, em setembro de 1944, participando das aulas durante o dia e pela noite seguia desenvolvendo suas habilidades de improvisação nos clubes de jazz. Ninguém menos que Charlie Parker como seu guru musical e companheiro de quarto. Nessa época, Miles manteve-se fora das dr**as sabendo no efeito negativo que causaria em seus estudos e práticas.
Dois de seus discos que mudaram a música, nesse estágio inicial, foram os aclamados Birth of the Cool e Walkin', ambos lançados em 1957, migrando do Cool Jazz ao novo estilo batizado de Hard Bop, mais galgado no Blues, um dos movimentos de jazz mais importantes dos anos 1950 e início da década de 1960. Em 1955, Davis contava com ninguém menos que o jovem John Coltrane em seu quinteto e encerraram as gravações com o selo Prestige, mudando para a Columbia onde estrearam com nada menos que ‘Round About Midnight. Nas ondas do novo estilo chamado Free Jazz (uma espécie de poemas escritos em versos livres), em meados dos anos 1960, Miles reforma seu quinteto e conta com músicos do naipe de Wayne Shorter, Herbie Hancock, Tony Williams e o baixista Ron Carter, revolucionando a música em estruturas tradicionais e um pulso rítmico regular tratados com uma plasticidade absurda. Sua grande e maior revolução musical aconteceu no final da década de 1960 devido ao florescimento do rock psicodélico e do funk, alinhavando um novo som baseado nas amizades com Jimi Hendrix e Sly Stone, principalmente, além de outras estrelas do rock que renderam a Davis o desejo de formar "a banda de rock mais malvada do mundo." Sua fase jazz-rock chegou de mansinho com os múltiplos teclados e texturas flutuantes de "In a Silent Way", mas a ajuda de novos recrutas, como o guitarrista John McLaughlin e o percussionista brasileiro, Airto Moreira, mudou-se para climas musicais mais acachapantes com os discos BI***ES BREW e JACK JOHNSON. Os críticos de jazz tradicional que já o detestavam, quase tiveram uma síncope com o ataque sônico total da banda elétrica de Davis em meados dos anos 1970 e o uso de guitarras elétricas, percussão pesada, música indiana, algo muito parecido com o que Hendrix causou no mundo do rock ao trazer o Jazz e outros elementos como o pedal de distorção e o wha-wha para sua guitarra aterrorizar os ouvidos mais conservadores e criar uma nova mentalidade musical. É muita revolução a base de muito barulho, novos tempos chegavam.
Como se todo o barulho causado fosse pouco, Miles chegou ao absurdo de colocar dois e às vezes três guitarristas elétricos em estúdio para os discos Agharta, Pangea e Dark Magus ultrapassaram o público de jazz, ligando-se com a vanguarda do punk e pós-punk rock, sendo o álbum mais extremo destes três o Dark Magus que, não se sabe como a Columbia permitiu tal feito, permanece ainda inédito nos EUA, um descuido inexplicável, adquiridos somente como uma importação japonesa que chegou às mãos de roqueiros influentes como o guitarrista Robert Quine (que tocou com Richard Hell e Lou Reed) e o pioneiro do punk-funk James Chance and the Contortions. Miles tinha lançado o Jazz a esferas jamais antes previstas, atingindo diferentes ouvintes de uma maneira explosiva e altamente caótica no início e em meados dos anos 1970 com o agressivo e fresco toque do punk, da New Wave, do Rock Industrial e bandas contemporâneas que se utilizam da guitarra como o Sonic Youth, por exemplo, e os ouvintes que o descobriram nos discos dos anos 1980, como We Want Miles, Tutu ou Siesta, fizeram dessas gravações tão importantes, mesmo cruciais para mantê-lo ainda relevante no sempre mutante mundo da música. Miles é sinônimo de vanguarda musical.
Um fato curioso, uma fofoca do mundo musical. No ano de 1969, Jimi Hendrix em apresentação no renomado Fillmore East, em Nova York, no auge da sua carreira, com seu jeito único de tocar guitarra, cantando e compondo à todo v***r, no auge de sua forma e prestígio, Hendrix se aproximava do fim da vida e, de acordo com o site CheatSheet, o artista batia cabeça para achar um produtor que convertesse o que estava em sua cabeça em gravações completas entre 1969 e 1970, o ano da morte dele e uma das pessoas com quem ele tinha planos de se encontrar era Miles Davis, lenda do jazz, e a dupla já tinha um horário marcado no estúdio para pôr em prática as jam sessions ensaiadas na casa de Miles que já tinha montado a banda, sendo Tony Williams na bateria, como explicou Douglas no livro Hendrix: Setting the Record Straight (1992). Os quatro envolvidos no projeto combinaram de dividir os royalties igualmente. Na então hora marcada no estúdio Hit Factory, de Nova York. Chegando 30 minutos antes do início dos trabalhos, Douglas atende uma ligação do empresário de Davis exigindo US$ 50 mil antes da gravação. Ambos Hendrix e Douglas declinaram o pedido, Davis desistiu e o projeto foi engavetado, recebendo um sonoro "F*da-se," de Hendrix logo após o término da ligação, nas palavras de Douglas. Ambos ainda tinham um encontro marcado para o final do mês de setembro de 1970 no Carnegie Hall, ensaiaando para o possível álbum ao vivo e sua futura edição, mas com a morte de Jimi, invitavelmente o projeto foi arquivado e Miles esteve presente nos funerais de Hendrix, onde tentou em vão tocar seu trumpete, mas foi impedido por Leon, irmão do guitarrista.
Nas palavras do próprio Davis: "Ele e eu devíamos nos encontrar em Londres depois do Concerto na Ilha de Wight para discutir um disco que finalmente decidimos fazer juntos. Quase fizemos um certa vez, com o produtor Alan Douglas, mas ou não pagavam bastante ou estávamos ocupados demais para fazê-lo juntos. Tínhamos tocado muito juntos na minha casa, apenas fazendo jams, e achávamos que talvez tivesse chegado a hora de fazermos alguma coisa juntos num álbum. Mas as estradas estavam tão engarrafadas na volta a Londres, após este concerto, que não consegui chegar a tempo, e quando cheguei a Londres Jimi não estava mais lá. Eu ia para a França, acho, fazer mais algumas apresentações e depois voltaria à Nova York. Gil Evans me ligou e disse que ia se encontrar com Jimi e queria que eu participasse do encontro. Respondi que iria. Esperávamos a chegada de Jimi quando soubemos que ele tinha morrido em Londres".
Em 1975, logo após gravar esses discos ao vivo, Davis se aposentou por cinco anos para cuidar de sua saúde, pois estava sofrendo de problemas recorrentes, como lesões no quadril e nas pernas, provocando dores quase constantes que, em sua autobiografia, foi descrito como um momento "quase tão sombrio quanto aquele de que eu tinha me tirado quando era um viciado", fazendo uma observação que “sexo e dr**as ocuparam o lugar que a música ocupava em minha vida até então e eu fazia os dois o tempo todo." Embora seus amigos duvidassem que ele tocasse novamente, em 1980 gravou um álbum de retorno chamado "The Man With the Horn". Apesar de tudo, Miles se manteve em turnê e sua desgastante agenda de apresentações, contudo, bem no início de setembro de 1991 ele deu entrada no Hospital e Centro de Saúde St. John, em Santa Monica, Califórnia (EUA), vindo a óbito após sofrer de pneumonia, insuficiência respiratória e um derrame.
De Miles, leiamos o testamento escrito mais honesto e estimulante que um músico norte-americano de seu quilate poderia deixar àqueles que ainda não tinham o espírito da música em seu estado mais puro: “O mundo sempre foi baseado em mudança. Pessoas que não mudam se verão como músicos folk, tocando em museus como filhos da p***. Porque a música e o som se internacionalizaram e não faz sentido tentar voltar para o útero onde você estava. Um homem não pode voltar para o ventre de sua mãe."
Fontes:
Miles Davis: 30 anos da morte do homem que mudou a música - Robert Palmer | Rolling Stone EUA. (https://rollingstone.com.br/musica/miles-davis-30-anos-da-morte-do-homem-que-mudou-musica/)
Por que a colaboração entre Jimi Hendrix e Miles Davis em 1969 deu errado? - Marina Sakai | (https://rollingstone.com.br/noticia/por-que-colaboracao-entre-jimi-hendrix-e-miles-davis-em-1969-deu-errado/)
O encontro entre Miles Davis e Jimi Hendrix - Por Vagner Pitta, Colecionador, Exoticpittajazz
(https://www.collectorsroom.com.br/2009/04/o-encontro-entre-miles-davis-e-jimi.html)
28/09/2024
07/09/1978 - A BATIDA FINAL DE KEITH MOON (Keith Moon)
KEITH JOHN MOON (Wembley, 23 de agosto de 1946 – Mayfair, 7 de setembro de 1978)
Neste mês de setembro celebrou-se também a perda de uma grande lenda do rock britânico e internacional, meu batera preferido de todos os tempos: o lunático KEITH MOON!! Icônico baterista da banda THE WHO, sim, aqueles que destruíam instrumentos e quartos de hotel em suas loucas turnês pela Europa, Estados Unidos e Oceania nas décadas de 1960 e 1970!
Com um comportamento violento desde a infância ou adolescência, após agredir sua mãe, chegou a passar um período em um hospital psiquiátrico londrino, mas sua mãe jamais mencionou o episódio da agressão. Conhecido também por suas loucuras cometidas durante as turnês que, nas palavras de Alice Cooper: "Everything you've heard is true - and you've only heard a tenth of it". Aqui algumas das piores na estrada: usar o microfone da estação de metrô de Finchley Road, em pleno bairro judeu, para imitar a voz de Hi**er ou as ordens da Gestapo, que estavam disponíveis para serem entendidas na atualidade. Sem ser antissemita, Keith conserva sempre esta forma de humor particular (se você pode considerar isso de humor) ao ponto de se disfarçar em oficial nazista, de preferência quando na Alemanha, e autorizar as mídias para um difusor de fotos. Keith sofria de BDP (Borderline Personnality Disorder -Transtorno Borderline de Personalidade), o que significa que a pessoa está permanentemente no limite entre a psicose e a nevrose. É, tudo piora quando se adiciona álcool e dr**as (legais e ilegais) na soma dos fatores. Isso explica seu comportamento?
Problemas pessoais à parte, Keith iniciou sua carreira com o grupo de surfmusic BEACHCOMBERS e ficou conhecido na região como o "baterista que batia mais forte", mas logo se enfadaria, pois os músicos era muito educados e gente finas, então ele partirá ao encontro do grupo que o explodirá ao mundo da música: THE WHO que na época ainda eram chamados de THE DETOURS. Nessa idade de descoberta com seu primeiro grupo que ele começa a desenvolver seu gênio destrutivo, mesmo ainda sem ingerir álcool, é também nesta idade que Keith descobre o prazer de devastar certos lugares que ainda não eram quartos de hotel, ele experimentou sua primeira devastação em atear fogo ao vestiário da pista de patinação no gelo de Wembley, onde o gerente havia alugado para ele um par de patins composto por, pasmem... dois pés esquerdos! Então, em sua mente, nada mais justo do que destruir tudo ao seu redor, marcando assim a sua maneira de se divertir.
Ao entrar no THE DETOURS, ao lado de Pete Townshend e Roger Daltrey, substituirá Doug Sandom, um músico muito mais velho, casado e censurado pela esposa que não via com olhos nada bons as saidinhas noturnas de cinco ou seis vezes por semana do esposo. Para se entrosarem como banda e ao mesmo tempo ganharem alguns xelins, o WHO tocava sempre que possível em discotecas, bares, e claro, da menor festa de igreja à menor festa privada onde era preciso de uma atração. A atmosfera entre os músicos era famosa por ser detestável: não é segredo que o Who teve dificuldade em apoiar-se mutuamente. Além disso, as letras são fracas; praticamente pode-se dizer que eles se odiavam e só estavam unidos apenas pela sede de sucesso, o que de fato não mudará este estado de coisas após alcançado, então os desentendimentos rapidamente se transformaram em violência física, principalmente com Roger Daltrey, que não abusava do álcool, enquanto os outros três faziam uso absurdamente alto. Notando que, de modo geral, o público apreciava essas manifestações non-sense, Keith criou a sua marca registrada, sendo considerado “o baterista que destrói o seu instrumento” no final de cada concerto... porém, estas destruições diárias rapidamente lhe poriam em sérios problemas financeiros e com os hotéis onde ficava. Uma espécie de equilíbrio será, no entanto, encontrada quando todos tiverem demarcado o seu território: o baixista John Entwistle propõe-se a ambição de ser o melhor instrumentista dos quatro... o guitarrista Peter Townshend compromete-se a assinar a maior parte das composições do seu repertório e, aliás, torne-se o porta-voz do grupo...Keith e o cantor Roger Daltrey se contentarão em ser “os mais bonitos”, pelo menos é o que anunciam à imprensa. O baterista maluco não hesitou em escrever “I love Keith” na van deles com batom! Mas em 1968, após quatro anos de consumo desenfreado de álcool, seu físico piorou.
O lançamento do álbum duplo “Tommy” em 1969 marcou o início de uma nova era na história do grupo: correndo o risco de colapsar, pelo menos no seu próprio país, pois as vendas do single 45 se tornavam pífias, a sua ópera rock “Tommy” os joga de volta ao primeiro plano bem ao lado dos Beatles e dos Stones. Com “Tommy”, o grupo obtém suas cartas de nobreza e com essa respeitabilidade adquirida, bem, um tanto quanto tarde, Keith nunca mais vai considerar tornar-se baterista de outro grupo. “Porcaria, não vou deixar o Who!” (em 1971, um boato preocupava os fãs: Keith estava prestes a se tornar o baterista dos Beach Boys), declarou ele ao Record Mirror em 2 de agosto de 1969.
Sua impulsividade fez resultar uma série de episódios trágicos em sua vida pessoal, considerando as destruições de quartos de hotéis enquanto alcoolizado, fatos testemunhados por diversos músicos e funcionários e que lhe causaram um prejuízo milhonário, mas foi em 1970 houve um plot twist em sua vida quando saía de um pub londrino. O baterista estava embriagado e acabou sendo ameaçado por skinheads junto ao seu guarda-costas Neil Boland e buscando apaziguar o tumulto, Boland amparou-o até seu carro, mas de tão desesperado, Moon ligou o carro e rapidamente arrancou do local e arrastou seu guarda-costas enroscado no carro, matando-o. Apesar de ter sido inocentado, o episódio marcou Keith e o afundou no uso de dr**as e álcool, prejudicando suas habilidades motoras como instrumentista e afastando os companheiros de trabalho, que gradativamente desacreditavam no artista pelos atrasos constantes. Buscando melhorar, o baterista passou por um longo processo de desintoxicação na segunda metade da década de 1970.
Após iniciado seu tratamento em 1976, dois anos depois Keith foi convidado para um jantar com Linda e Paul McCartney, comparecendo com sua namorada Annette. ao chegar em casa, o músico ingeriu 32 cápsulas do medicamento receitado, desmaiando na cama e vindo à óbito, vítima de uma overdose. Em sua autópsia, o legista constatou que 26 das pílulas nem chegaram a dissolver em seu organismo. Seu funeral ocorreu em Londres e contou na presença de músicos e fãs durante uma cerimônia privada, onde seu corpo foi cremado e as cinzas espalhadas pelo jardim do crematório. Foi postumamente introduzido ao Rock'n Roll Hall of Fame em 1990 e foi eleito o segundo melhor baterista de todos os tempos em 2011, ficando atrás apenas de seu amigo e também falecido baterista, John Bonham.
Fontes:
Keiitth Moon batttteur des Who, l''artiste infréquentable - Rédaction : Daniel Lesueur Le 16 Février 2023 (https://www.poptastic-radio.com/keith-moon-batteur-des-who-artiste-in.)
A MORTE DE KEITH MOON, BATERISTA DO THE WHO - WALLACY FERRARI PUBLICADO EM 14/05/2020, ÀS 16H00 (https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/outra-vitima-do-clube-dos-27-a-morte-de-kei)
28/09/2024
18/09/1970 - JIMI HENDRIX, O FIM DA LENDA - Mundialmente conhecido por JIMI HENDRIX, mas nascido Johnny Allen Hendrix, posteriormente alterado para James Marshall Hendrix, na data de 27 de novembro de 1942, na cidade de Seattle, capital do Estado de Washington, EUA, e falecido em 18 de setembro de 1970, aos 27 anos, na cidade de Londres, capital do Reino Unido. Celebra-se hoje 54 anos de sua morte.
Considero Jimi o pai da música moderna, não apenas no âmbito do Rock ou do Blues ou do R&B, mares os quais ele navegou com maestria, mas também da música Pop em geral. Ele é o grande fusor de todos os estilos da música americana até então existentes, cujas raízes vêm do Blues, o antigo estilo musical forjado pelos escravos africanos capturados na África para as lavouras de algodão no sul do país que fomentaram a Revolução Industrial inglesa. Falando em Revolução, esta é a palavra que mais define Jimi, é o que o significa para a música, e das revoluções da História, diria que ele seria a queda da Bastilha musical que veio rompendo com todos os padrões existentes, quebrando muros, paredes, barricadas, explodindo limites e barreiras que separavam o Blues do Rock e do Jazz, principalmente, fundindo-os, amalgamando-os em sua poderosa mini-banda, seu power trio chamado THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE criado em 1966, provavelmente a primeira banda forjada da história da música, responsável por abalar a Swinging London da década de 1960, fazendo todos os grandes nomes não só da guitarra, mas da cena musical geral repensarem suas carreiras, pois muitos pensaram em pendurar as guitarras. Se Jimi fosse um arcano de Tarot, seria A Torre (Ou La Maison de Dieu), exatamente o raio que atinge a torre, pondo-a abaixo; se ele fosse um efeito da natureza, provavelmente um tornado, ou um meteoro; se fosse uma arma, uma bomba H, enfim, podemos escolher qualquer símbolo que remeta a uma mudança repentina, incontrolável e definitiva, eis a sua indelével marca no mundo da música com suas explosivas performances trazendo o melhor do Chitlin' Circuit*.
Nascido nos EUA, mas musicalmente batizado na Inglaterra, aliás, um batismo nada tranquilo, pois foi junto à já famosa banda CREAM, um power trio ainda em formato de Blues Rock e R&B formado por ninguém menos que o Guitar God, Eric Clapton na guitarra, além dos já conhecidos na cena musical, super experientes e competentes Jack Bruce no baixo e vocais, mais Ginger Baker na bateria. Jimi não se acanhou com Clapton e entrou quebrando tudo com a cover de Killing Floor, famosa com o mestre Howlin' Wolf, aliás, quem estava na plateia desta apresentação eram nada menos que o pessoal do Pink Floyd e o show foi decisivo para a estreia da banda no circuito londrino, como mencionou Roger Waters em entrevistas. Quem se abalou foi Eric Clapton que juntamente com seus parceiros de banda, reformularam a direção musical que tinham, uma pena que não durou muito. Quem descobriu Jimi nos palcos novaiorquinos foir Linda Richards, namorada de Keith Richards que imediatamente ligou para Chas Chandler, ex-baixista do The Animals que o convenceu a ir para Londres tomar um banho de loja na Carnaby Street e alistar os membros de sua nova banda. Nos EUA, Jimi tocou com mestres como Little Richard, B. B. King e Isley Brothers. Foi recusado por Ike Turner que admitiu em entrevista que se sentiu ofuscado pelo talento de Hendrix.
A banda THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE, uma espécie da trindade musical, aliás, a mais desvalorizada da história da música, pois ninguém se lembra de Mitch Mitchell, um fantástico baterista de formação jazzística, e de Noel Redding, um baixista que já era um experiente guitarrista de rock da cena e topou ir para o baixo, dizem que foi contratado pela sua farta cabeleira. Essa trindade: Jimi, o bluesman; Mitch, o jazzista e Noel, a alma rockeira, formam o blend mais fantástico que estourou nos altos falantes deste planeta, um som ainda não compreendido, mas ultramoderno. Quem os ouve atualmente não vê nada demais, mas foram os pioneiros deste tipo de Blues Rock psicodélico, dando bases para o hard rock, o heavy metal, o rock progressivo e as bandas de rock alternativo atuais, todas beberam das fontes hendrixianas, conforme confessado pelo guitarrista Ritchie Blackmore, do Deep Purple, seu herdeiro mais fiel e verdadeiro, além de outros como o alemão Uli Jon Roth, o sueco Yngwe Malmsteen, Dave Mustaine, do Megadeth, o inglês e contemporâneo, Robin Trower, entre inúmeros outros.
O disco de estréia, Are You Experienced?, é um tapa na cara. Teve atrasado seu lançamento para não abafar Sgt. Peppers, dos Beatles. Músicas como Hey Joe, Fire, Foxy Lady, Purple Haze, o Blues de Red House e a minha predileta: Third Stone From The Sun, um fusion de primeira, continua sendo um marco na história do rock. No mesmo ano foi lançado o segundo álbum, Axis: Bold As Love, ótimo e marcante, mas a sua obra-prima é o terceiro álbum de estúdio: Electric Ladyland, gravado em seu próprio estúdio na Big Apple, o Electric Lady Estúdios, com a presença de convidados, o que causou o racha na banda com a saída do baixista Noel Redding. As apresentações de Monterey, a sua estreia como Jimi Hendrix em seu próprio país após o batismo inglês, e a do Woodstock, foram muito marcantes e até hoje celebradas. Ele voltaria a revolucionar a música al gravar os shows de ano-novo para cumprir um contrato com a Columbia records, mas desta vez, por pressões dos grupos raciais, como os Panteras Negras, a banda que o acompanha é formada de dois músicos negros: o baixista Billy Cox, seu velho amigo de exército, e o experiente baterista Buddy Miles que já vinha da banda Eletric Flag, então juntos formaram a BAND OF GYPSIES forjando um som de pegada funk, com longos solos e muitos efeitos na longa faixa "Machine Gun", além das demais serem bem diferentes do que ele começou a fazer com a The Experience. Sua meia-irmã, Janie Hendrix, tomou seu espólio e fundou a Experience Hendrix Records, relançando todo seu catálogo remasterizado e desenterrando inúmeras canções e versões que nunca tinham visto o sol. Será que Jimi as aprovaria? Creio que ele é o artista que mais produz postumamente falando. O catálogo póstumo de Hendrix é algo inacreditável, sem contar as edições não autorizadas lançadas pelo seu ex-engenheiro de som, Alan Douglas, em vinil.
Com sua misteriosa morte, segundo a mídia, engasgou com seu próprio vômito, mas os relatórios da policia londrina apontam outra coisa que nunca foi esclarecida, embora seus parceiros de banda e amigos acompanharam a investigação, não foi esclarecido a real causa, pois a mim, ele foi assassinado a mando de seu empresário, Michael Jeffery, que fugiu com seu dinheiro e acabou morrendo em um desastre aéreo.
Seu legado é indiscutível e indelével, suas mudanças na música, sem chance de retorno e revoluções se fazem com armas e ideais, Hendrix usou a guitarra como sua arma e a fusão de estilos como ideais, logo, ecoarão pela eternidade em nossos ouvidos e corações. Um salve a Jimi Hendrix, um salve à sua música!!
Por Caio A. Zini
*Chitlin Circuit, rede de locais de entretenimento ao vivo nos Estados Unidos que atendia ao público afro-americano e contratava artistas negros durante o período de segregação de Jim Crow, do início do século XX até a década de 1960. Os clubes do Chitlin Circuit apresentavam uma variedade de atos que incluíam música, dança e comédia e desempenharam um papel crucial na popularização do blues, jazz, rhythm and blues (R&B) e rock and roll. Após o apogeu do Chitlin Circuit, uma rede contemporânea de clubes e teatros negros continuou a operar e a exibir talentos estabelecidos e novos.
Origens do nome: O nome “Chitlin Circuit” deriva da palavra chitlins, que vem de chitterlings, o termo para um prato sulista que consiste em intestinos de porco fritos ou cozidos com especiarias e aromáticos. Um alimento básico dos hábitos alimentares negros desde a era da escravidão, os chitlins há muito são considerados uma iguaria pelos afro-americanos. Muitos locais de apresentação no Circuito Chitlin serviam chitlins e outros pratos de soul food, e os artistas às vezes eram compensados com uma refeição em vez de dinheiro. Fonte: https://www.britannica.com/topic/chitlin-circuit
28/09/2024
LUCHINO VISCONTI DI MODRONE (02/11/1906, Milão - 17/03/1976, Roma) - Cineasta italiano da escola do Neorrealismo Italiano, junto a diretores como Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Michelangelo Antonion. No ano de 1942, o crítico de cinema Antonio Pietrangeli utiliza o termo Neorrealismo pela primeira vez, em referência ao filme "Obsessão", de Visconti. O período neorrealista do cinema italiano, conhecido como a Era de Ouro do cinema italiano, a mais prestigiada escola do cinema italiano do pós-guerra, teve seu auge no final dos anos 1940. Paralelamente a este movimento, aconteceram a Nouvelle Vague na França, o Cinema Novo no Brasil, o Cinema Livre na Inglaterra, a Escola de Cinema Polonesa e diversos outros ao redor do mundo, inspirando até diretores do movimento Cinema Paralelo Indiano. O movimento naufragou rapidamente na década de 1950, fazendo com que a maioria de seus filmes fracassasse nas bilheterias, pois a pobreza e o desespero retratados pelo cinema neorrealista, terminava por deixar a população desmoralizada, ansiando por mudanças e a ter esperanças de prosperidade. O público pagante deixou de ter interesse em ver sua própria imagem na tela. Dois dos mais importantes precursores do Neorrealismo. Em 1936, conheceu o cineasta Jean Renoir; assinando os figurinos de “A Country Party”. Foram o diretor francês Jean Renoir, com "Toni" (1935), e o italiano Alessandro Blasetti, com "1860" (1934). A obra do diretor francês influenciou tanto Luchino Visconti quanto Michelangelo Antonioni, que trabalharam com ele. Visconti tornou-se assistente de Renoir em “Les Bas-fonds” (1937).
Filho do duque de Modrone, uma prestigiada família aristocrática lombarda, Luchino foi um homem mundano, apaixonado por pintura, teatro e arte lírica. Para se distanciar das suas origens aristocráticas, por vezes trouxe à tona sua ascendência burguesa, e até popular, através da sua mãe que veio de uma família de industriais e ele reproduzia seu dito: "criaram-se pela força do pulso". Alterna a ousada adaptação de obras contemporâneas (Jean Cocteau, Erskine Caldwell, Tennessee Williams, Arthur Miller) com o renascimento de grandes clássicos (Shakespeare, Dostoiévski, Tchekhov, Goldoni) encenados de forma revolucionária. A sua paixão pelos palcos levou-o então (a partir de 1954) a dirigir óperas, em particular para o La Scala de Milão. É autor de uma das versões mais famosas de La Traviata, com Maria Callas. Ao longo de sua carreira, até sua morte em 1976, Luchino Visconti nunca deixou de alternar seu trabalho como cineasta – dirigiu um total de 14 longas-metragens – com teatro e ópera. Apelidado de "Il maestro", trouxe a fama a atores como Claudia Cardinale, Alain Delon, Romy Schneider, Maria Callas, Marcello Mastroianni, Helmut Berger e muitos outros.
Em 1942, aos seus 37 anos, o próprio Visconti financiou e dirigiu seu primeiro longa-metragem, “Obsessão" (Ossessione). Filmado fora dos estúdios com o intuito de recriar a “realidade” social italiana de maneira mais fiel quanto podia, este filme virá a ser o precursor e também um manifesto do neorrealismo porque deixou claro que algo muito original estava acontecendo no país, revelando uma Itália além de paisagens pitorescas, expondo seus aspectos pobres, ordinários e insignificantes. Após algumas exibições, “Obsessão” foi banido pelos fascistas e por suspeitas de ligações próximas com a resistência comunista, Visconti é preso e alguns de seus amigos são executados. Libertado pelos Aliados, em 1944, Visconti começou a dirigir teatro, onde rapidamente alcançou imenso sucesso.
No auge do Neorrealismo, em 1948, Luchino Visconti adaptou "I Malavoglia", um romance de Giovanni V***a que foi escrito durante o movimento realista denominado "Verismo", no século 19 (o qual fundamentou as bases do Neorrealismo, por vezes referido como "Neoverismo"). Em sua adaptação, Visconti modernizou o universo da história, o que resultou em uma pequena, porém notável mudança no tom da narrativa. O filme resultante disso, "A Terra Treme (La Terra Trema)", foi estrelado somente por atores não profissionais e filmado na mesma vila onde se localizava o romance. O neorrealismo de Visconti já é vítima de miragens: os personagens não querem sobreviver, mas aliar o amor louco ao sucesso material. O neorrealismo revela a futilidade de um mundo precário, mas para além do impasse material, a angústia dos personagens viscontianos reside na impossibilidade de vivenciar a ilusão do amor.
Depois de "Sandra" (1965), um filme de menor alcance, cujo tema é o incesto, estrelando Giacomo Leopardi e Claudia Cardinale, Visconti deu início ao seu projeto faraônico em torno de temas mitológicos, contudo, ele não a completaria, embora iniciada em 1969 com "The Damned", onde dirigiu seu próprio amante, Helmut Berger. Enquanto produzia a última parte de sua tetralogia, Luchino Visconti sofreu um ataque que o deixou meio paralisado. As filmagens foram canceladas.
Adaptou Thomas Mann com "Morte em Veneza", em 1971, obra mortal e fascinante com o grande Dirk Bogarde, que apresenta uma reflexão sobre a inevitabilidade da morte e que foi seguida pelo imponente "Ludwig", em 1972, com Helmut Berger, tratando uma obra de cinco horas sobre o rei Ludwig II da Baviera, um dos mais magistrais governantes.
Solitário, doente, ainda conseguiu entregar dois filmes finais, "Violência e Paixão" (1974), uma autobiografia mal disfarçada, com Burt Lancaster e Helmut Berger; e "O Inocente" (1976), com Laura Antonelli e Giancarlo Giannini, baseado no romance de Gabriele D'Annunzio. Ele morreu logo após completar uma primeira edição que não o satisfez, sem embargo, esta não aclamada obra não sofrerá com sua prematura morte.
Outros filmes amplamente aclamados de Visconti incluem "Bellissima" (1951; The Most Beautiful) e "Siamo donne" (1953; We the Women), ambos estrelados por Anna Magnani; "Rocco e i suoi fratelli" (1960; Rocco and His Brothers); e "Il gattopardo" (1963; The Leopard), baseado no romance de Giuseppe di Lampedusa sobre um aristocrata tradicional com convicções liberais, um personagem com quem Visconti se identificou fortemente; "Lo Straniero" (1967; The Stranger); "La caduta degli dei" (1969; The Damned).
Fontes:
https://cinedweller.com/celebrity/luchino-visconti/
https://www.passioncinema.ch/luchino-visconti-laristocrate-du-peuple/
https://institut-iliade.com/luchino-visconti-portrait-du-dernier-guepard/
https://www.cinematheque.fr/cycle/luchino-visconti-406.html