21/03/2022
Na verdade, quando fiz graduação em Letras, não havia nenhuma disciplina que tratasse de inclusão. Talvez no curso de Pedagogia seja diferente (espero!), mas se algum profe se interessar pelo tema, em geral, precisa buscar cursos de especialização, pós-graduação …
Na minha experiência, já tive/tenho alunos com Asperger, TDAH, paralisia física e cerebral, autismo, síndrome de Down e tantos outros. Em todas essas situações (SEM EXCEÇÃO!) os colegas eram/são empáticos, receptivos, amigos e protetores. Em troca, recebiam a mesma amizade e consideração dos colegas. Funciona como uma via de mão dupla em que todos se beneficiam.
Dependendo da escola, havia mediadoras que acompanhavam os alunos e faziam um trabalho super importante!
Usei o mesmo material, os mesmos textos porque TODOS faziam parte da turma. Isso é ótimo porque a disciplina permite abordagens diferentes para uma mesma obra literária e, no final das contas, a literatura acaba sendo uma disciplina inclusiva por excelência.
As atividades precisam de alguma adaptação dependendo do aluno. Quando temos a mediação, certamente é mais fácil. Quando não temos, não podemos dar conta de tudo sozinhos!
Na escola pública, essa realidade é bem complicada. Tive um aluno esquizofrênico não medicado e fiquei totalmente impotente com relação a isso. Finalmente, a família entendeu e fez sua parte.
Nem tudo são flores.
Precisamos nos aperfeiçoar com relação a inclusão. As políticas públicas precisam olhar para todos de forma empática e respeitosa.
Há vários artigos científicos que podem ajudar as equipes escolares a dar suporte aos professores. Há sites confiáveis para consulta. Não basta jogar o aluno na sala e dizer ao professor “se vira aí”. Tem que se dar suporte, formar profissionais aptos. Dinheiro tem!!! Educação tem verba. Falta vontade política.
Inclusão é importante para TODOS os alunos. É uma oportunidade maravilhosa de aperfeiçoar valores importantes e necessários na atual conjuntura mundial: empatia, respeito, amizade. Nossos alunos estão prontos. Façamos a nossa parte e vamos mudar o que há de obsoleto no Brasil!!
Resistir não é mais suficiente, mudanças precisam acontecer.