Grupo de Extensão Popular Ignacio Martín-Baró

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O Grupo de Extensão Popular Ignacio Martín-Baró é uma equipe multidisciplinar e multiprofissiona

12/11/2025

📚 Indicação de leitura | Capitalismo dependente e a psicologia no Brasil 🇧🇷

Oi, gente. Tô passando aqui pra recomendar esse artigo do Fernando Lacerda Jr., especialmente a quem se interessa por psicologia crítica, história da psicologia brasileira e a relação entre prática psicológica e projetos de transformação social.

O artigo traça um panorama histórico e político do desenvolvimento da psicologia crítica no Brasil, mostrando como ela emergiu em resposta ao capitalismo dependente e às estruturas sociais injustas que marcam nosso país. Ele divide a trajetória em dois períodos-chave: a ditadura militar (1964-1989) e a redemocratização com hegemonia neoliberal (anos 1990 em diante).

Destaque para a análise de como a psicologia brasileira, em sua origem, esteve atrelada às elites e à manutenção da ordem social, e como, a partir dos anos 1970, surgiram movimentos de "psicologia alternativa" e "contrapsicologia" que buscavam romper com esse modelo. O texto também aborda a influência do marxismo, da psicanálise, de Vygotsky, Foucault, Guattari e outros pensadores críticos na formação de uma psicologia engajada na luta pela afirmação dos direitos dos "de baixo".

Além disso, problematiza desafios atuais, como o chamado "compromisso social" da psicologia, a atuação em políticas públicas e os riscos de institucionalização e esvaziamento político das práticas críticas.

É um artigo denso, mas escrito com clareza e rigor teórico. É uma leitura que me parece bastante acessível. Para quem quer entender como a psicologia pode ser uma ferramenta de libertação, e não apenas de adaptação, considero uma leitura fundamental. 💡📖

📄 Lacerda Jr., F. (2013). Capitalismo dependente e a psicologia no Brasil: das alternativas à psicologia crítica. Teoría y Crítica de la Psicología, 3, 216-263.

29/10/2025

📄 Nota Pública | Pelo fim da política de morte 🚩

O maior massacre da história do Rio não é um "caso isolado". É a encenação cínica, perversa e brutal de uma política da morte. É o resultado de uma guerra aos pobres travestida de "guerra às dr**as" e que pressupõe a criação da figura do "inimigo público": o favelado.

A fabricação do inimigo é um recurso bastante conhecido nos meios militares e uma tática empregada recorrentemente pelos "de cima" para justificar a violência contra os "de baixo".

No Rio, a população favelada é histórica e sistematicamente transformada nesse inimigo, canalizando a frustração social para um alvo fácil porque já fragilizado, desviando a atenção da população de problemas complexos como a corrupção e a má gestão pública, sim, mas sobretudo da íntima associação entre o poder público e as grandes corporações, que lucram com nossa insegurança, nosso suor e nosso sangue. Além disso, a "guerra às dr**as", que nunca alcança os engravatados e playboys da alta sociedade, gera uma coesão artificial e oportuna para os "de cima" em torno de um projeto político repressivo, humilhante e violento, que separa a sociedade entre "nós, os bons, os cidadãos de bem" e "eles, os maus, os favelados", legitimando o extermínio, a execução sumária, a tortura, o desrespeito total pelos direitos humanos e pelos devidos processos legais previstos no Estado Democrático de Direito.

Por trás de tudo isso, opera uma "guerra psicológica" que busca militarizar as mentes ao naturalizar a violência como forma de resolução de conflitos estruturais de uma ordem social profundamente injusta, desigual e desumana.

Portanto, é preciso que se diga: a operação de ontem não foi para trazer segurança ou paz. A história sangrenta do Rio de Janeiro mostra, pra quem quiser ver, que esse caminho não produz os resultados alegadamente esperados. O que aconteceu ontem foi, sim, um espetáculo de terror para consolidar uma estratégia de poder. Enquanto isso, a vida nas favelas segue sendo o custo dessa estratégia.

A extrema direita no poder não é a solução. É a perpetuação do problema.

Grupo de Estudos,Pesquisas e Extensão Popular Ignacio Martín-Baró

📷 Gabriel de Paiva

Photos from Grupo de Extensão Popular Ignacio Martín-Baró's post 29/10/2025

📚 Indicação de leitura | Crítica e Libertação na Psicologia 🚩

Diante da situação de violência generalizada e da carnificina executada pelas forças e poderes da ordem em El Salvador, na Colômbia e na Nicarágua, na década de 1980, Ignacio Martín-Baró escreveu o seguinte:

"Como podemos, concretamente, apresentar, a partir da especificidade de nosso conhecimento, uma contribuição para enfrentar o problema da violência em nossos países? Em termos simples: O que cada um de nós faria se nossos presidentes nos solicitassem a elaboração de um plano de trabalho para combater, junto com outros especialistas, a violência na região?

[...]

No momento histórico atual, não consigo enxergar qualquer pergunta mais importante para nós, psicólogos. Por isso, com toda a humildade de quem sabe o quanto é limitado o seu conhecimento, mas com a insistência de quem sabe que esse é um assunto vital, no qual está em jogo sua credibilidade científica e profissional, devemos colocar as mãos à obra. Nossos povos julgarão se
nossa contribuição é grande ou pequena, importante ou secundária: em todo caso, que sejamos julgados por acertar ou fracassar em nosso empenho, mas não por termos evitado nosso compromisso."

No instante em que assistimos à maior chacina da história do Rio de Janeiro, executada por um governo comprometido até o pescoço com a guerra aos pobres em nome da paz dos cemitérios, a pergunta de Martín-Baró retorna como se o tivéssemos ainda entre nós: o que podemos fazer, a partir de nosso conhecimento, para enfrentar essa violência institucionalizada que se apoderou de nosso corpo social e que destrói toda possibilidade mínima de convivência?

Como disse também Martín-Baró, noutra ocasião, "se o psicólogo, por um lado, não é chamado a intervir nos mecanismos socio-econômicos que articulam as estruturas de injustiça, por outro é chamado a intervir nos processos subjetivos que sustentam e viabilizam essas estruturas injustas".

20/10/2025

📚 Indicações de leitura | Psicanálise & Marxismo 🚩

Oi, gente! Seguem algumas indicações de livros que ainda não li completamente, mas que pretendo estudar rigorosa e sistematicamente nessas próximas férias, pra compartilhar o conteúdo deles com vocês no semestre que vem. São eles:

📚 A Esquerda Freudiana (Paul A. Robinson)

Este livro é amplamente reconhecido como um estudo clássico e seminal sobre o tema. Na obra, Robinson analisa e debate as tentativas de conciliação entre a psicanálise e o marxismo. O foco principal do livro está na análise detalhada das obras e ideias de três pensadores fundamentais: Wilhelm Reich, que tentou combinar a psicanálise com a política revolucionária; Geza Róheim, que aplicou a psicanálise à antropologia cultural; e Herbert Marcuse, que a utilizou para criticar os efeitos da sociedade capitalista na psicologia humana.

📚 Izquierda Freudiana y Marxismo (Felipe Campuzano)

Este livro, cujo título completo é "Izquierda Freudiana y Marxismo: Teoría y Praxis", é uma investigação sobre as possibilidades de unir os conceitos da psicanálise com a análise de classe e a crítica ao capitalismo do marxismo. A obra traça as linhas de uma "esquerda freudiana" e explora como a teoria psicanalítica pode enriquecer a práxis política revolucionária.

📚 Neurose e Classes Sociais (Michael Schneider)

O título completo desta obra é "Neurose e Classes Sociais: Uma Síntese Freudiano-Marxista". No livro, Schneider realiza uma crítica do projeto reichiano, articulando a psicanálise e o marxismo para argumentar que a sociedade capitalista é intrinsecamente patogênica. O autor demonstra como a lógica do capital, a organização do trabalho e a cultura de consumo geram um "empobrecimento psíquico" massivo, produzindo neuroses e psicoses que são manifestações de um protesto inconsciente contra a exploração e a repressão social. A obra critica tanto a psicanálise burguesa, por sua tendência individualista e adaptativa, quanto o marxismo vulgar, por sua rejeição economicista do sujeito psíquico, defendendo uma análise que revele o potencial revolucionário contido na luta pela emancipação psíquica e social.

11/10/2025

📚 Indicação de leitura | Psicologia Crítica 🧠

"Psicologia Crítica: definição, antecedentes, história e atualidade" (2019), de David Pavón-Cuellar, constitui uma síntese honesta e abrangente do multifacetado e disputado campo da Psicologia Crítica. Neste livro, Pavón-Cuellar empreende uma exploração histórica e teórica, traçando os antecedentes filosóficos e políticos, passando pelos fundamentos estabelecidos por Vygotsky e Politzer, e percorrendo correntes influentes como o movimento freudomarxista, a herança da Escola de Frankfurt e os desdobramentos foucaultiano e pós-moderno.

O livro examina ainda a crise do pós-modernismo e apresenta as respostas contemporâneas mais relevantes, como a Psicologia da Libertação na trincheira latino-americana e a vertente crítica britânica. O livro se consolida com uma análise das principais orientações teóricas atuais e uma revisão das posições políticas antissistêmicas que caracterizam o vasto campo da Psicologia Crítica: anticapitalistas, antirracistas, anticoloniais, antipatriarcais e antinormativas. ✊🏿🏳️‍🌈🏳️‍⚧️

Resultante de anos de docência e reflexão, este volume posiciona-se como uma referência indispensável para estudiosos, estudantes e todos os interessados em compreender as críticas à disciplina psicológica e suas implicações para a práxis.

Por enquanto, ainda não temos uma tradução para o nosso português, mas o pessoal do já está trabalhando nessa direção. Em breve, portanto, teremos novidades! 😉✊🏻🚩

30/09/2025

Atividade de formação sobre trauma psicossocial com a equipe do , pra qualificar nossa atuação junto ao pessoal do Quilombo da Marambaia em sua luta histórica pelo direito ao território, à memória, à cultura e à identidade quilombola. ✊🏻❤️🚩

20/09/2025

Na última quarta-feira, contamos com a presença de , quem nos brilhou com uma excelente palestra sobre a posição anticolonial diante do pensamento pós-colonial e o giro decolonial, indicando as possíveis relações frutíferas entre Psicanálise e Marxismo.

Em nome do Grupo de Extensão Popular Ignacio Martín-Baró, gostaria de agradecer demais a presença de todo mundo que compareceu à palestra. Foi incrível ver o Auditório do CFCH cheio de pessoas curiosas e engajadas, refletindo juntas sobre como a psicanálise e o marxismo podem nos ajudar a entender e enfrentar a colonialidade que está enraizada muito além do saber - na subjetividade, na cultura e nas estruturas sociais. Foi um momento extraordinário de aprendizado e debate!

Espero que possamos seguir firmes nessa troca e nessa luta por uma psicologia e uma prática verdadeiramente descolonizadoras! 🤗✊🏻🚩

15/09/2025

Livro muito bom, gente. Recomendo demais. Ainda tô no começo, li só até o início do segundo capítulo, mas promete ser muito bom. A propósito, cada capítulo trata de um dos quatro conceitos fundamentais da psicanálise (pro Lacan, inconsciente, repetição, pulsão e transferência), mas o livro está escrito para "leigos". Ou seja, nada de firulas e hermetismos verbais. Uma preciosidade, sinceramente. Até o prefácio do Dunker, de quem não sou tão fã assim, ficou muito bom. Pra quem está interessado em conhecer melhor o que há de melhor na psicanálise, aí está uma boa indicação.

15/09/2025

📚📬 Lista de Transmissão sobre Psicologia Crítica

O Grupo de Estudo, Pesquisa e Extensão Popular Ignacio Martín-Baró, coordenado pelo prof. Dr. Filipe Boechat (IP/UFRJ), acaba de criar um espaço para quem deseja receber materiais e notícias sobre atividades variadas que fortalecem uma visão crítica da Psicologia.

Em nossa lista de transmissão, você receberá indicações de:

✅ Eventos, cursos e palestras
✅ Projetos e programas de extensão
✅ Artigos, livros, filmes e materiais diversos

O link para acesso é esse aqui:
🔗 https://chat.whatsapp.com/Hgecr8z3VvR8KuUesF9hC3

Compartilhe com quem você acha que tem a ganhar e que venha a somar! 🤝✊🤗

Aula Inaugural do Curso Contribuição Histórica dos Religiosos e Religiosas na História do Brasil 28/09/2021

"Aula Inaugural do Curso Contribuição Histórica dos Religiosos e Religiosas na História do Brasil

📚Nesta terça feira, 28 de Setembro, às 18h, teremos nossa aula inaugural do nosso Curso sobre a Contribuição Histórica dos Religiosos e Religiosas na História do Brasil, onde receberemos Jaime Amorim (MST), Dom Limacedo (Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife) e Marcelo Barros (CEBI).

📽️Link de transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=UUa3p6bSE50

✅Se ainda não fez a sua inscrição no curso, faça no link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfi1c5gIcNIdyVyozbgt6unkMFfR4gEcyTMB0JgBZVd-1wSxg/viewform?usp=sf_link "

Aula Inaugural do Curso Contribuição Histórica dos Religiosos e Religiosas na História do Brasil Nesta terça feira, 28 de Setembro, às 18h, teremos nossa aula inaugural do nosso Curso sobre a Contribuição Histórica dos Religiosos e Religiosas na História...

28/09/2021

O Núcleo Maringá da ABRAPSO (Associação Brasileira de Psicologia Social) convida estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais, professores(as), membros de instituições e coletivos de Maringá e região para a live "Saúde mental, crises e contextos de exceção: reflexões sobre o compromisso social da psicologia" e que ocorrerá no dia 20 de outubro de 2021 às 19h.

A live será com os professores Luiz Carlos da Rocha, Leandro Carmo Souza e será mediada por Jenniffer Lucas.

ACESSO:
O evento será transmitido pelo canal do Youtube da ABRAPSO Nacional e poderá ser acessado pelo link:
https://www.youtube.com/watch?v=qDrJOtzjkZM

SUA PARTICIPAÇÃO:
As perguntas, dúvidas e comentários poderão ser feitas pelo CHAT do YouTube da Abrapso Nacional ao longo da transmissão.

CERTIFICADOS:
Serão emitidos certificados aos participantes do encontro online. Para a certificação, solicitamos o preenchimento do formulário de inscrição que será disponibilizado no CHAT do YouTube da Abrapso Nacional no dia do evento.

Mais informações dos três debatedores:

- Luiz Carlos da Rocha, mestre e doutor em Psicologia Social pela USP e professor de Psicologia Social da Unesp, é membro da Abrapso desde sua fundação e foi professor das primeiras turmas de Psicologia da UEM. Estudioso das instituições de controle social, foi um dos introdutores da ênfase histórica em Psicologia Social e da critica à produção de falsos efeitos de verdade nos saberes institucionais e no imaginário público.

- Leandro Carmo de Souza, graduado em Psicologia (2005-2009), com especialização em Teoria Histórico-Cultural (2010-2011) e mestrado em Psicologia (2011-2013), pela Universidade Estadual de Maringá. Desde 2014 trabalha como psicólogo vinculado à Secretaria de Saúde do município de Maringá e como professor em Instituição de Ensino Superior. Atuou como diretor do Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e outras Dr**as (CAPS AD) e como coordenador da Equipe do Consultório na Rua, entre 2017 e 2019. Atualmente trabalha em Unidade Básica de Saúde.

- Jenniffer Lucas, psicóloga (CRP 08/22481), mestra em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá. Atualmente exerce a clínica psicanalítica, é professora universitária e coordenadora de grupos de estudos em Psicanálise. É membra do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicanálise e Gêneros (LEPEPSIG-UEM) e da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), núcleo de Maringá. É colaboradora do Conselho Regional de Psicologia (CRP-PR) na Comissão de Direitos Humanos, no Conselho editorial da Revista CadernoS de PsicologiaS, além de representar o CRP-PR na Frente pelo Desencarceramento do estado do Paraná. Atua nos seguintes temas de pesquisa: fundamentos da Psicanálise; Teoria Crítica da Sociedade; Direitos Humanos e Justiça; populações encarceradas; violência contra as mulheres.

E-mail para dúvidas: [email protected]

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