20/08/2026
A GRANDE MANOBRA PAULISTA NA REVOLUÇÃO DE 32
Em 20 de agosto de 1932, há 94 anos, no município de Cunha/SP, durante os combates da Revolução Constitucionalista, os paulistas iniciavam uma fulminante manobra de infantaria sobre as forças governistas. O evento foi considerado uma grande vitória tática do Exército Constitucionalista e se tornou memorável na história do conflito.
Naquele município, nesse dia, as forças paulistas compostas por unidades do Exército da 2ª Região (São Paulo), Força Pública de São Paulo e voluntários desbarataram no bairro do Divino Mestre (8 km ao sul do centro de Cunha) forças governistas compostas por uma coluna de fuzileiros navais sob o comando do capitão-tenente Augusto do Amaral Peixoto e uma coluna composta pelas Forças Públicas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo comandadas pelo capitão João Alberto Lins de Barros.
Conforme artigo da insuspeita Revista Marítma Brazileira, periódico oficial da Marinha Brasileira fundado em 1851:
"Forças da Marinha investiram, neste dia [15 de agosto], pelo centro e pela esquerda, avançando pelo Morro Grande e pela usina de força contra a direita paulista, enquanto forças policiais e voluntários, com um efetivo de 1.200 homens, atacavam pelo bairro rural do Monjolo, em duplo movimento envolvente.
A luta desenvolveu-se feroz: 115 granadas no dia 15, outras 60 na manhã de 16. Debalde, porém. Os 900 defensores de Cunha mantêm-se firmes em suas posições, resistindo ao furioso embate dos atacantes, embora as forças da Marinha tivessem ocupado a usina atacada.
A 20 ocorre a surpresa
O tenente-coronel Mário Abreu, cuidadosamente, havia deslocado suas tropas, em vasto movimento envolvente, pelos dois flancos. De Campos Novos, 250 homens sob o comando do Tenente Meirelles, [da 1ª Cia] do 4º Batalhão de Caçadores, equipados com quatro metralhadoras Hotchkiss, surpreendem, próximo ao Monjolo, a Força Policial do Espírito Santo, a qual debanda, deixando no terreno mais de 60 mortos e considerável quantidade de armamento.
As forças da Marinha, feito o vácuo à sua direita, não conseguem, por sua vez, avançar e veem-se agora ameaçadas, à sua esquerda, pelas forças [do Btl. Arquidiocesano] do Tenente Lacorte, que avançavam de Lagoinha. Eram 250 homens do 4º Batalhão de Caçadores e, à retaguarda, outros 110 [da 2ª Cia] do mesmo Batalhão vindos de Ubatuba, comandados pelos Tenentes Assis Brasil e Zerbini, coadjuvadas, as forças do Exército, pelo 4º, 5º e 8º Batalhões de Cavalaria Paulista (sic), e da Força Pública, sob o comando do Major Adonias Monteiro.
Ameaçada de cerco, a força da Marinha recuou, abandonando o espigão do Divino Mestre e indo fixar-se no Taboão, no dia 25.
No dia 26 de agosto, Nelson de Mello repassou o comando a Amaral Peixoto. Terminara o combate. Cunha resistira. Afastara-se a ameaça de envolvimento da frente paulista no Vale do Paraíba.
As tropas paulistas deixaram, porém, de explorar o sucesso obtido, estabilizando-se a frente, com a ocupação por estes do bairro de Aparição.
(...)
Cunha havia resistido vitoriosamente enquanto necessário, só cessando sua ação ao tornar-se ela inútil pela queda das demais frente de combate, resultantes da impossibilidade de continuar o combate, para as forças paulistas, contra o rigoroso bloqueio naval e o assalto que sofria em toda a extensão de suas fronteiras.
Sua resistência, porém, servia de base às forças políticas que lutavam pela reconstitucionalização do País, que logo viria, pressionada que fora pela longa resistência paulista, e, sob este ponto de vista, Cunha não lutou em vão."
Trecho do artigo “A atuação da Marinha nas operações resultantes do Movimento Constitucionalista de 1932.”, Revista Marítma Brazileira. 2º Trimestre de 2003. Páginas 201-204, Rio de Janeiro.
Na imagem, praças e oficias paulistas do Exército [provavelmente do 4º B.C.] em Cunha/SP na Revolução de 1932.
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