Psicóloga e Pedagoga Joyce Donadel

Psicóloga e Pedagoga Joyce Donadel Psicóloga clínica de orientação histórico-cultural, professora de educação infantil.

Escolhi esse livro para falar sobre cuidado com os bebês.A história é um pouco complexa para eles, mas as ilustrações — ...
01/09/2026

Escolhi esse livro para falar sobre cuidado com os bebês.

A história é um pouco complexa para eles, mas as ilustrações — que são lindas demais — também contam a história. Ainda assim, eu não esperava tanto tempo de atenção, até porque escolhi um dia bastante conturbado para fazer a leitura.

E eles ficaram.

Alguns no colo, outros ao meu lado e à minha frente. Ouviram sobre conceitos e interpretações de mundo, talvez, pela primeira vez. E ficaram. Olhos curiosos, atentos.

Eu mediava a leitura pedindo que olhássemos para nossas mãos, e eles me acompanhavam.

Os bebês são fantásticos.

Não subestimem os bebês.

Questionem a estrutura da educação, o suporte que é dado pelo Estado, a qualidade do que é oferecido aos bebês, mas a sua potência, NUNCA!

Dar colo. Oferecer abrigo. Estar presente. Compreender. Escutar. Ser firme. Dar banho. Trocar. Ninar. Proporcionar ambie...
21/08/2026

Dar colo. Oferecer abrigo. Estar presente. Compreender. Escutar. Ser firme. Dar banho. Trocar. Ninar. Proporcionar ambiente seguro e acolhedor. Isso também é educar. Cuidar é educar.
Ninguém tirou isso da cabeça. Cuidar e educar é profissão!

Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEB, 2010

Talvez eu esteja mesmo saindo da educação.Mas não da educação que acredito.Estou saindo de práticas que patologizam, con...
19/08/2026

Talvez eu esteja mesmo saindo da educação.

Mas não da educação que acredito.

Estou saindo de práticas que patologizam, controlam e silenciam a infância.
De uma docência sem autoria, sem reflexão e sem autonomia.

Quanto mais estudo, mais percebo que não quero abandonar a educação.

Quero disputar seus sentidos.

E, nessa, eu fico. ❤️

Sobre colágeno e coragem... Depois que pari Amália, eu disse que nada mais me abalaria, rs. Me senti uma leoa. Pensei: r...
17/08/2026

Sobre colágeno e coragem...

Depois que pari Amália, eu disse que nada mais me abalaria, rs. Me senti uma leoa. Pensei: rapaz, depois desse protagonismo aqui, eu mato qualquer coisa no peito.

Não é bem assim, rs. Muita coisa ainda me abala e me faz sentir uma formiguinha. Uma banca de TCC, por exemplo, é capaz disso, rs.

Mas vamos lá.

Em 2011, eu não quis apresentar meu TCC da graduação.

Em 2017, apresentei o da graduação de Psicologia com cistite e depois de uma caxumba.

E, quase 10 anos depois, apresentei outro trabalho. Tive muita dor de barriga, mas já estava muito mais tranquila. Ou, pelo menos, muito menos nervosa, rs.

Nesse caminho, fui me colocando à prova, com muita ajuda terapêutica — salve, Dani! — e fui construindo, aos poucos, a minha autonomia.

Protagonizei dois partos.

E estou me aproximando dos 40.

Sempre ouvi de mulheres que admiro muito que não se troca o colágeno dos 20 e poucos pela segurança dos 40.

Não sei. Talvez eu trocasse, rs.

Brincadeira.

É que talvez seja justamente isso: a coragem vem com o tempo. Vem com o nosso compromisso e o nosso respeito pela história que estamos construindo.

É muito bom ser jovem, emagrecer fácil, ter colágeno e não ter olheiras.

Mas também é muito bom sentir que, diante das situações que aparecem, eu vou conseguir matar no peito.

Não porque nada mais me abala.

Mas porque eu já sei que posso me abalar — e ainda assim seguir.

A coragem, talvez, seja isso.

Não a ausência do medo.

Mas a confiança de que, mesmo quando ele vier, eu vou estar aqui.

EscritaRegistro de uma conquistaRegistro da apresentação do meu artigo para a conquista do título de Especialista em Edu...
13/08/2026

Escrita
Registro de uma conquista
Registro da apresentação do meu artigo para a conquista do título de Especialista em Educação Infantil. Quem fez esse registro foi a Profa. Dra. Taís Moura , que compôs a minha banca e que estudou comigo lá em 2008, na UFSCar. Minha orientadora foi minha professora em uma disciplina sobre crianças e infâncias também lá em 2008. A vida tem dessas bonitas coincidências. ❤️

Foram 14 meses.
14 meses de sábados inteiros em São Carlos. Alguns deles com um bebê de apenas 3 meses.
E eu só consegui porque não estive sozinha.
Agradeço imensamente às minhas amigas e colegas de trabalho que tornaram esse percurso possível. Às minhas professoras, que acolheram meu bebê e me acolheram também, sem sequer me conhecer, no puerpério. Sem vocês, eu nem teria conseguido almoçar.
Perdi alguns sábados com a minha família. Perdi o dia das mães do ballet da Amália. Cheguei atrasada em festas. Algumas vezes, precisei escolher entre ficar com meus filhos, que precisavam de mim, ou seguir para as aulas.
E não me arrependo.
Não vou receber um real a mais por tudo isso. Não recebi um único incentivo da Prefeitura — nem mesmo o transporte.
Mas valeu a pena.
Valeu a pena compartilhar uma luta pelas infâncias. Valeu a pena me sentir acolhida. Valeu a pena descobrir que não estou sozinha e, melhor ainda, que ao meu lado estão algumas das melhores referências que tenho na Educação.
Valeu a pena ser contemplada por uma POLÍTICA PÚBLICA que tornou possível esse percurso.
Valeu a pena voltar para casa.
Para a minha casa: a UFSCar São Carlos. ❤️
Que privilégio poder continuar aprendendo onde, em 2008, comecei a me formar professora. E que bonito perceber que, tantos anos depois, continuo escolhendo a mesma coisa: a defesa de uma Educação Infantil pública, potente e comprometida com as infâncias.

Antes de perguntar “o que essa criança tem?”, talvez a gente precise perguntar: “o que essa criança está vivendo?”Crianç...
01/08/2026

Antes de perguntar “o que essa criança tem?”, talvez a gente precise perguntar: “o que essa criança está vivendo?”

Crianças pequenas ainda estão aprendendo a nomear o que sentem, compreender seus limites, lidar com a frustração, construir relações e descobrir maneiras de estar no mundo.

Por isso, me preocupa quando comportamentos infantis são rapidamente transformados em sintomas, dificuldades em transtornos e diferenças em doenças.

Não se trata de negar a importância de avaliações, diagnósticos ou acompanhamentos profissionais quando eles são necessários.

Trata-se de questionar a pressa em patologizar.

Porque uma criança que ouve repetidamente que “não aprende porque tem um transtorno”, que “é assim porque tem alguma coisa” ou que “precisa de um médico para descobrir o que há de errado com ela” também está aprendendo alguma coisa sobre si.

E talvez essa seja a parte mais delicada:

a criança ainda está descobrindo quem é.

Que a gente tenha cuidado para não oferecer, tão cedo, uma explicação sobre ela mesma que limite aquilo que ela ainda pode vir a ser.

A infância não precisa ser corrigida o tempo inteiro.

Às vezes, ela precisa ser observada, escutada e compreendida. 🤎

DesenvolvimentoInfantil Infâncias ProfessorasDaEducaçãoInfantil

Hoje, assisti pela terceira vez ao vídeo da história de uma mãe que recebe, ainda na gestação, a notícia de uma má-forma...
15/05/2026

Hoje, assisti pela terceira vez ao vídeo da história de uma mãe que recebe, ainda na gestação, a notícia de uma má-formação letal de sua filha. Entre algumas possibilidades sugeridas pelos médicos, ela escolhe seguir com a gestação. A bebê morre no parto.

A mãe demonstra uma lucidez inacreditável diante de uma situação que nos deixa completamente sem chão.

Nos comentários, algumas pessoas a chamavam de “mãezinha”: “Que força a dessa mãezinha!”.
Meu primeira reação foi um pensamento ofensivo, rs. A segunda foi encontrar a razão pela qual me ofendo tanto com a alcunha de “mãezinha”.

A gente é tão humana, tão natural, tão animal durante a gestação e o parto… E, nos primeiros momentos de fragilidade — o puerpério — vem o “mãezinha”. Na primeira oportunidade de nos lembrarem que estamos frágeis, o fazem.

Justamente naquele momento em que, na verdade, deveríamos ser reconhecidas pelo nosso nome e pela nossa história — inclusive pela recém-história de gestar, parir, nutrir.

Agora, dando vazão ao meu primeiro pensamento ofensivo: mãezinha é o ca***ho. Eu sou mulher. Sou mãe. Sou eu!

Nesse Dia das Mães, minhas felicitações vão, de forma especial, às mães atípicas, por quem tenho profunda admiração.A ma...
10/05/2026

Nesse Dia das Mães, minhas felicitações vão, de forma especial, às mães atípicas, por quem tenho profunda admiração.

A maternidade atípica é atravessada por um trabalho intenso, constante e, muitas vezes, invisível aos olhos do mundo. Desejo que essas mães sejam menos julgadas e muito mais acolhidas, respeitadas e valorizadas.

Mulheres que, tantas vezes, sozinhas, abrem mão de si mesmas, de seus planos e de suas carreiras para cuidar do outro. Que lutam diariamente pela dignidade, pelo desenvolvimento e pela qualidade de vida de seus filhos. Que aprendem a compreender sinais, silêncios e necessidades que quase ninguém percebe.

Meu abraço mais apertado a cada amiga que vive a maternidade atípica e a cada mãe das minhas crianças atípicas.
Eu admiro profundamente vocês!

Hoje pela manhã, enquanto eu me organizava para o trabalho e preparava as crianças para a escola, Amália pediu para colo...
16/04/2026

Hoje pela manhã, enquanto eu me organizava para o trabalho e preparava as crianças para a escola, Amália pediu para colocar a calça no irmão. Avisei que seria um desafio — ela, decidida, respondeu com a coragem típica de quem acredita que dá conta e insistiu em tentar. Eu deixei. Fui para a sala terminar outras coisas.

De lá, eu a ouvia: “Para! F**a parado!”, “Chega! Mas que menino chato!”. Ele não para. Se contorce, vira, prende nossos braços com as pernas, luta para escapar — como qualquer bebê nessa fase do desenvolvimento. Amália não sabe disso. E nem precisa saber. Ela é uma criança de quatro anos que quer ajudar, brincar, repetir o que vê, como faz com suas bonecas.

Enquanto eu assistia (e escutava) à cena, pensava em quantos profissionais da educação infantil compreendem os bebês tanto quanto uma criança de quatro anos. Esperam deles o que não podem oferecer: disciplina, silêncio, docilidade corporal. Diante disso, frustram-se, irritam-se — movidos por uma questão essencialmente adulta: o desconhecimento sobre o próprio objeto de trabalho, a primeiríssima infância.

É como um cachorro correndo atrás do próprio rabo: incomoda-se com aquilo que, no fundo, é parte de si. Se todo trabalhador precisa conhecer profundamente aquilo com que trabalha, por que seria diferente com quem trabalha com bebês? Que valor atribuímos a eles — e ao nosso próprio fazer — quando deixamos de aprender sobre aquilo que é, justamente, o centro do nosso trabalho?

Resumo dos últimos dias com meus bebês pequenos e grandes.
14/04/2026

Resumo dos últimos dias com meus bebês pequenos e grandes.

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Piracicaba, SP

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