23/02/2026
A sexualidade de adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) ainda é tratada como um tabu. Muitos pais e responsáveis acreditam que falar sobre o assunto poderia incentivar práticas se***is precoces ou ferir a “inocência” dos filhos. No entanto, um estudo publicado em novembro na revista Ciência & Saúde Coletiva indica que evitar essa conversa pode ser mais prejudicial por abrir espaço para desinformação e riscos à saúde.
Conduzida pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a revisão identificou que, apesar de pessoas autistas vivenciarem as transformações hormonais da puberdade da mesma maneira que indivíduos neurotípicos, a forma como essas mudanças são percebidas é diferente.
O crescimento de pelos, a primeira menstruação e as mudanças na voz podem não ser imediatamente compreendidas, e a falta de leitura das normas sociais faz com que esses adolescentes tenham mais dificuldade para interpretar limites, privacidade e expectativas associadas ao seu corpo e ao dos outros.
O despreparo para lidar com a sexualidade pode tornar esses jovens mais vulneráveis a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), gravidez não planejada, violência e até não saber identificar possíveis abusos. Esse risco é particularmente elevado entre aqueles que apresentam maior nível de suporte. Essa classificação é definida pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Psiquiátrica Americana (APA), e se baseia no grau de ajuda contínua que o indivíduo autista precisa.
O nível 1 indica necessidade de baixo suporte, com dificuldades sutis de comunicação social e rigidez comportamental, mas preservando autonomia para estudar ou trabalhar. Já o nível 2 envolve uma demanda moderada, com prejuízos mais evidentes na comunicação e na adaptação a mudanças, exigindo apoio frequente no dia a dia. Por fim, o nível 3 corresponde à necessidade de suporte elevado, quando há grandes limitações na comunicação e na autonomia, tornando indispensável ajuda constante para atividades básicas e segurança.
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