Juliana Canella Valentim

Juliana Canella Valentim

Share

Leitura honesta

Photos from Juliana Canella Valentim's post 24/11/2024

No livro, os dois americanos professores de política, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, produziram um quadro com índices de queda das democracias. Estimulados pela ascensão do trumpismo nos Estados Unidos, e com medo da famigerada democracia não ser resguardada e talvez até maculada, ambos escreveram capítulos que discorrem sobre as recentes democracias latino- americanas em contraposição a antiga (mas nem tanto) democracia americana. Seriam os Estados Unidos a próxima Venezuela? Inclusive não há essa pergunta no livro, mas é exatamente o que os primeiros capítulos respondem (risos novamente).

Segundo os autores, o extremo oposto da democracia é o autoritarismo. Ao contrário do que imaginamos, regimes autoritários são eleitos, rompem a democracia por dentro. O autoritarismo não é instituído pela força, mas sim pela dissolução de regras invisíveis do jogo político que resguardam essa imagem democrática a qual somos familiarizados. Por isso talvez o autoritarismo seja tão preocupante para uma parcela da população. Por trás dos panos, o líder eleito obtém o poder de mudar algumas regras do jogo, e a mudança dessas regras gera um novo parâmetro político e cultural.

______
Leia mais no blog disponível no link da bio ou https://jjcvalentim.wordpress.com

22/07/2024

Se fosse um diário, não funcionaria tão bem. Eu estava vagando novamente pelas redes sociais, como de costume à noite, e me deparei com uma propaganda sobre escrita terapêutica. No post, três dicas eram dadas para estabelecer uma rotina de escrita para, enfim, obter alívio terapêutico dela. Seriam: escrever sobre frustrações, escrever sobre gratidão e uma terceira que não me lembro, ou talvez não tenha lido. O fato é que, no meio da propaganda, já tinha entendido que para escrever mais, bastava escrever. Fim do mistério.

Mas, para além disso, bastava escrever sem as amarras da criticidade a qual tanto devemos o nosso sistema de crenças. Hoje mesmo, durante a sessão de terapia, a psicóloga comentou que eu reservo as piores críticas a mim mesma. Veja, eu já sabia disso, não havia surpresas, mas saber disso e continuar praticando seria uma violência a minha identidade. Entender que o meu espírito crítico rígido está me afetando inconscientemente é como descobrir o grande motivo para falta de conexão com o meu eu-criança. Eu explico.

Quando era criança, uma das minhas brincadeiras favoritas era escrever. Gostava de usar a maquina de escrever, papéis, canetas coloridas, cadernos e posteriormente o computador: daquele enorme bem antigo com torre na horizontal. Meus pais sempre fizeram de tudo para manter o meu espírito escritora que, pensando bem, perdurou por uns bons anos, mas da adolescência para frente, ele foi sumindo gradativamente. Não só sumindo porque os hábitos eram outros, eu precisava pagar a minha dívida com a matemática. Mas sumindo porque quanto mais me esforçava para crescer, mais eu achava longínquo o sonho de ser escritora. A realidade mata mesmo um pouco de quem somos.

E o espírito crítico rigoroso foi crescendo em mim, gerando uma ambiguidade. Não posso escrever porque não sou boa o bastante, mas preciso escrever porque sei fazer isso. Mas, cá entre nós, a coisa foi piorando tanto que por uns anos não conseguia nem mesmo ler o que eu havia escrito. Ler as minhas palavras era vergonhoso porque cada erro contava como mais um degrau para compreensão de que eu não era, e nunca tinha sido, suficiente. Outro dia escrevi: “toda crítica rígida é uma forma de ofensa”. Eu não estava criticando, estava ofendendo.

Com o passar dos anos, entendi que o medo da escrita era algo que invariavelmente eu teria que enfrentar: digo isso como estímulo a você também, somos todos escritores. No mestrado, inclusive, longos períodos de ansiedade, somados à síndrome do pânico foram piorando a minha condição de estudante. Eu escrevia, mas com muito custo, custo mental de esforço e de lacerações do corpo, eu me coçava bastante, tinha marcas nos braços.

Quem diria que era o que parecia ajudar que mais atrapalhava? Criticar arduamente os meus textos só fazia me sentir cada vez menor e, afogada na minha impossibilidade de ser quem eu desejava, eu preferia não ser ninguém, escrevendo o que era mais razoável, da maneira como eu podia (e o quanto eu podia). Também acrescento que eu não dominava muitas técnicas de produção de textos, apesar de ser formada em Letras. Hoje em dia já estou mais experiente, pelo menos nessa área.

Pelo outro lado, o que mais me ajudou a escrever bem, no sentido de fluir o texto pela página e não no sentido de qualidade, foi o próprio prazer de escrever. Na verdade, o prazer de explicar as coisas pelo meu ponto de vista. Existe um enorme prazer em descrever as coisas como estão na sua cabeça e, de repente, ler-se de relance e entender que o possível leitor tiraria dali proveito, senão sobre o seu pensamento, pelo menos sobre uma reflexão para si mesmo. Isso é muito bonito, e saber fazer isso, mais ainda.

Dessa beleza, na minha humilde opinião, nasce não só a obra textual, mas também a identidade única de cada escritor. Dessa coisa de explicar e entender-se. Escrevendo eu entendo a mim mesma com nitidez maior do que apenas convivendo com a minha consciência em silêncio.

_________

Você pode assinar o blog sem custos no meu principal, assim você receberá as crônicas diretamente na sua caixa de e-mails.

17/04/2021

Rua do Alecrim ☘️

15/04/2021

E eu dizia que não gostava de escrever em livros para não manchar a página. Para mim era inconcebíbel rasurar páginas de uma obra já publicada.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Existe um purismo nisso. Uma espécie de tradição no não diálogo com o autor.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Mas a autoria, mais contestada do que já foi, não seria maculada por algumas palavras a mais no papel. Eu lembro de estar numa barca Rio-Niterói (a minha memória é fotográf**a) e não ter papel onde escrever. A falta de apoio fez a letra f**ar assim, mas, pelo menos, a ideia não se perdeu.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
"Eu gosto destes teus desastres em partes/ dessas imagens exigentes de respostas/ concluídas/ deste revólver sempre apontado à testa".

14/04/2021

Entre outras lembranças, Jóquei sempre me traz uma memória de estudante, de quem quer descobrir mais sobre os lugares e sobre as pessoas.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
✨Você também gosta de poesia?

13/04/2021

Essas são as coisas que eu escrevo nos livros, chega a ser engraçado reler algumas anotações tão íntimas de uma leitura pouco crítica e mais inspirada.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Afinal, o que o poema faz lembrar? O que, nos mínimos e discretos detalhes, ele resuscita?

Eu não vou ler rapidinho 10/01/2021

➡No meu microespaço, também parei para pensar que eu não quero ler rapidinho. Ler rapidinho (um livro, um texto de um colega) não aborda o espaço da documentação. E se eu não posso documentar, como fazer para compartilhar o que eu aprendi? Qual a graça..

Eu não vou ler rapidinho ➡No meu microespaço, também parei para pensar que eu não quero ler rapidinho. Ler rapidinho (um livro, um texto de um colega) não aborda o espaço da documentação. E se eu não posso documentar, como…

Michele, pessoa pública 16/12/2020

Precisamente escolhi o livro Minha História porque acreditava que, dentre fofocas e bastidores da Casa Branca, Michele Obama teria muito mais a dizer sobre fama e política do que um especialista. Com a bibliografia, f**a clara a perspectiva do observador. Ela conta a sua história quase em terceira pessoa, passando pelos momentos de infância, adolescência e fase adulta (quando conhece Barack)....

Michele, pessoa pública Precisamente escolhi o livro Minha História porque acreditava que, dentre fofocas e bastidores da Casa Branca, Michele Obama teria muito mais a dizer sobre fama e política do que um especialista. C…

Photos 12/07/2020

💡Essa leitura é diferente, né?
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Eu sei que eu costumo postar livros literários, mas, de uns tempos pra cá, tomei a iniciativa de buscar livros (filmes e séries) que solucionassem algumas das minhas deficiências.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Uma delas é quanto ao Gerenciamento Financeiro.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Como empresária (eu administro da ), precisei aprender sobre Gerenciamento Financeiro de pequenos negócios e foi assim que eu percebi que contas bancárias e transações financeiras não eram o meu ponto forte.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O livro realmente me surpreendeu porque mostra que essa desorganização, na verdade, é resultado de uma forma de pensar.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
No meu LinkedIn, eu já escrevi alguns artigos sobre esse livro e sobre como ele pode ser aplicado no nosso dia a dia.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
A leitura está recomendadíssima.😉

Photos 01/05/2020

⚡️No Dia do Trabalhador, nada melhor do que aproveitar para colocar as leituras em dia⚡️
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O Amaro, aqui nesse trecho, ainda estava tentando encontrar uma forma de ter a Amélia. E, sem querer dar spoiler, ele vai conseguir: e as coisas vão f**ar complicadas 😂
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Você já leu O crime do Padre Amaro? Deixa aqui nos comentários a sua impressão do livro😉

29/04/2020

Amaro, Amaro...
Voltei a ler o Crime do Padre Amaro porque eu precisava saber se o Eça teve a coragem de descrever as entranhas do relaciona entre Amaro e Amélia. Será?

Want your school to be the top-listed School/college?