20/07/2023
O que difere a escrita do sopro?
Creio que concordamos que a palavra vem depois do pensamento. O pensamento é impressão, assimilação do real. A imagem é linguagem gerada pela impressão. A linguagem pode ser expressa em muitas formas, uma delas é a língua. E a língua é feita de palavras.
O sopro não necessariamente se constitui de palavras, o sopro se constitui de ar e de som. O sopro é onda, é matéria, está no campo dos sentidos. É a impressão no real daquilo que foi impresso na alma. Nem todo som é palavra, mas toda palavra tem som?
A escrita constutuiu-se, a princípio, como uma prática oral. Escrevia-se para se ler em voz alta. Veja, concordamos previamente que o pensamento antecede a palavra, logo a linguagem antecede a escrita. Qual, então, a função das palavras - essas compostas por letrinhas e pelas quais o leitor me encontra?
Onde nos encontramos: no pensamento, no sopro, ou no sentido?
O que lê aquele que lê?
Pois o que escreve, certamente, o faz por meio da linguagem, gerada pelo pensamento, através de uma impressão, organizada em palavras. O sopro é a essência, a palavra é a forma.
Por isso gosto de brisar - a brisa é a palavra descompromissada com os limites da linguagem. Nem todo som é palavra, nem toda palavra tem som, mas todo ar carrega uma mensagem.
Que às vezes é difícil de expressar em palavras. Mas que de muitas maneiras pode ser sentida pelo coração.
luba 🍃
05/05/2023
🌊TREINO DE TECIDO NA PRAIA 🌊
Já pensou em voar com a brisa do mar?
Os treinos são abertos para todas as idades, sendo cobrado um valor simbólico de 20,00 pra ajudar na minha permanência em Niterói enquanto faço o mestrado, pois não tenho bolsa!
📍Quando? aos DOMINGOS
📍Horário: das 9h às 11h
📍Local: praia de Boa Viagem (Niteroi-RJ)
📍Valor: 20,00 (cada dia)
📍O que é? Treino completo de tecido acrobático na praia, com sessão de fortalecimento muscular, prática no aparelho e alongamento final.
👉🏼AS VAGAS SÃO LIMITADAS para o melhor aproveitamento dos treinos, então reserve sua vaga por DM!
👉🏼PARA TODOS OS CORPOS: Qualquer pessoa saudável e apta a realizar exercícios físicos pode experimentar o Tecido Acrobático, um aparelho versátil que comporta desde movimentos iniciantes até técnicas mais avançadas!
Crianças são bem-vindas e até 10 anos, acompanhadas de um adulto, não pagam! Tragam os filhotes ☺️
Tá com dúvida se é pra você? Manda uma mensagem, vamos conversar! 🔥
25/04/2023
Dos stories pro feed, um pouco da minha relação com o conhecimento e das motivações que me trouxeram até aqui, em Niterói, pra fazer meu mestrado em Filosofia ✨🍃
17/08/2022
Ontem foi dia do filósofo e eu queria ter escrito aqui. Queria ter escrito o quanto s filosofia tem me salvado nos últimos anos, o quanto é uma delícia viver filosof**amente. Separei umas fotos pra editar, mas não tava fluindo. Não consegui postar. A noite virou, o dia passou. Por isso que eu, como historiadora, costumo ter preguiça de datas. Elas são tão arbitrárias. Por que eu tinha que escrever sobre uma prática filosóf**a de vida no dia do filósofo (ou da filósofa?).
Viver filosof**amente pra mim é questionar o tempo todo. A mim mesma, o mundo ao meu redor, as regras que me impuseram. Mas isso tudo tem um objetivo. Eu não passo o tempo todo questionando pra criticar, pra julgar, pra ser melhor que ninguém. Eu não quero aprender pra ser boa.
Eu quero aprender pra ser feliz. A filosofia, pra mim, é viver todos os dias com alegria no peito e sentido no coração.
A gente se perde muito no caminho. É normal. São muitos livros, muitas pessoas, muito trabalho burocrático. A gente precisa de dinheiro, precisa limpar a casa. E no fim do dia, será que paramos pra pensar se somos felizes?
Ontem foi dia do filósofo e eu, como uma boa filósofa prática, não quero me alongar demais nas palavras. Quero que vocês vejam.
Essa foto aí foi numa quarta feira à tarde. Quem diria que um dia eu, a mulher que já teve 3 empregos concomitantes, estaria tocando pandeiro numa praia vazia numa quarta feira à tarde?
Não tem sido fácil. Todo os dias faço renúncias. Mas tem sido feliz. E isso é o que mais me importa.
Não quero muito mais do que poder fazer meu som, pegar um sol e curtir uma brisa. Já reparou no nome dessa página? É que eu gosto muito de brisar.
Feliz dia dos filósofos pra todos e todas que escolheram o maior ato revolucionário que se pode ter a nível individual. Já dizia Belchior: a felicidade é uma arma quente.
15/08/2022
Gosto de olhar pra trás e ter a certeza de que eu jamais poderia imaginar o que o futuro me traria.
Correr atrás dos nossos sonhos é viciante. A adrenalina que corre nas minha veias é a mesma que manda todo mundo que não tá comigo se f***r.
Não gostou? Não me importa.
Não acha que eu vou conseguir? Pois coma torta.
Faria diferente? Não te perguntei nada.
Seguir meus sonhos é muito menos sobre chegar e muito mais sobre partir. Zarpar. Navegar nesse mar infinito que é o destino.
Ventos, correntes e tempestades muitas vezes mudam nosso curso. Por isso que gosto de olhar pra trás.
Porque eu jamais poderia imaginar as surpresas que a viagem me traria.
Me alimento dessa curiosidade pelo inesperado. Me preparo pras batalhas, armas em punho.
Pode vir que eu aguento. E se eu cair, levanto de novo.
Olho pra trás e vejo tanta guerra já vencida que isso me dá ânimo pra continuar.
Nada, eu repito, nada pode ser pior que não poder mais Ser quem sou. Estou disposta a lutar porque estou disposta a defender um dos meus bens mais preciosos: a minha vontade.
Eu sonho. Eu quero. Eu me preparo. E eu vôo. 🍃
08/05/2022
imagens de um date comigo
04/05/2022
aos poucos a vida volta a ser vida. pequenos prazeres como ir ao museu de terça porque é de graça e tomar um café sem medo. eu confesso que já nem me lembrava mais o que era só viver. sem ter que sobreviver, sabe? o tempo todo em guerra, o tempo todo atento. agora me atento ao que me faz bem, o que me faz g***r, o que me produz bons afetos. às vezes é dar uma volta de bicicleta, às vezes é atravessar pra outro estado e revisitar os meus. porque tudo muda também, inclusive o que a gente precisa. menos a exposição fixa do MASP coitada, essa ai ainda não aprendeu que a vida é movimento. tem coisa que ninguém merece mais, certo?
eu cresci em museus e boa parte do que eu sou hoje se dá a esse incentivo que tive dos meus familiares. confesso que nem entendo tanto a arte, os conceitos, eu gosto só de andar e olhar. as pessoas, inclusive. quase sempre entro de graça, porque já tenho as manhas e fico pensando quanta potência o templo das musas não desperdiça com esse seu ideal burguês. ao mesmo tempo, f**a ver o Abadias Nascimento no MASP. a gente precisa ocupar os espaços, mas não só. a gente tem que ocupar porque nós faz bem.
19/04/2022
Plantar, cuidar, nutrir, aguardar, podar e colher.
Alguns ciclos são universais. Assim percebo ao observar a natureza e seu simples agir. Sendo eu mesma parte dessa natureza, replico em minha vida as leis racionais do cosmos.
No cosmos, esse grande universo natural, tudo está conectado. As ações têm consequências, assim como nossos atos - regar ou não regar, eis a questão?
Somos frutos. Frutos de nós mesmos, dos nossos feitos, da nossa história. E quando não estamos assim tão doces, o conhecimento da agricultura desenvolvido ao longo dos milhares de anos podem nos dar dicas do que fazer. Podar, acrescentar nutrientes, replantar.
Assim faço com a vida, pacientemente. E ela me presenteia. Às vezes, de forma material. Com uma erva me alimento, com a outra me banho. Aprendi a conviver com as plantas, aprender com as plantas. Elas me mostram Deus, o Deus que eu acredito e procuro exercitar em mim.
Nós também operamos sob a força da Lei. Somos vivos: nascemos, crescemos, morremos. E no meio, deixamos pegadas nesse grande emaranhado de destinos.
09/10/2020
Eu já queria começar esse texto pedindo perdão pelo vacilo, mas é que desde que comecei a estudar filosofia de forma mais prática, eu não consigo olhar o mundo com outros óculos. Recomendo apenas em doses controladas - do contrário, assim como eu, muito em breve você vai estar brisando sobre sua própria coluna.
Como eu já disse no último texto da série, um dos pilares da filosofia estoica é a phýsis, nome chique pro que a gente conhece como física. Que não é exatamente essa física meramente empírica como a estabelecida pela ciência moderna, mas esse assunto f**a pra outro dia. A física estoica se dava na observação das leis naturais - que são reais e indiscutíveis (apesar da galera terraplanista defender o contrário) - para que possamos nos UNIR a elas e permitir que atuem em nosso favor!
Estou aqui batendo na tecla da existência de um destino e eu insisto em dizer que afirmar isso não signif**a que nós somos meramente passivos a uma vontade externa do Cosmos. No 1º texto eu escrevo: trabalhar junto do destino implica que antes aceitemos sua existência. Mas eu sei que isso pode parecer passivo, que talvez seja difícil de entender COMO isso se dá na prática.
Pois eu vou usar aqui um exemplo que mais prático, impossível: a nossa postura.
Mas Luísa, o que minha postura tem a ver com isso?
Pensa comigo: uma lei natural que simplesmente não dá pra negar é a gravidade, certo?
Aceitamos cegamente que se largamos algo no espaço, ele cai. Mas, no geral, ignoramos por completo que a gravidade também atua sobre a nossa coluna, pesando bem acima de nossos ombros. Passamos boa parte dos nossos dias mal sentados, olhos em telas, cabeça voltada para baixo. Com o tempo, atrofiamos algumas musculaturas, esticamos outras e retif**amos nossa estrutura óssea - o corpo tem memória. Somos uma sociedade corcunda porque somos passivos à força da gravidade.
Mas nós podemos fazer uma contra-força. Se eu te disser pra esticar essa coluna ai, você consegue, mesmo que seja desconfortável num primeiro momento. Basta saber ativar a musculatura correta. Compreender os eixos anatômicos e aprender que quando tá tudo encaixado, a gravidade pode, sim, agir em nosso favor. Saber nos "encaixar" é agir junto das forças da natureza.
Não vai ser de uma hora pra outra, mas se você prestar bastante atenção no seu corpinho, é possível botar essa coluna no lugar. Mas você vai ter que agir, vai ter que fortalecer esse tronco aí, muito provavelmente vai precisar se exercitar. Há um caminho. Tem que compreender, tem que se alinhar.
Pois bem: e se eu te disser que também dá pra fazer isso com o destino?
04/10/2020
Os cachorros me acordaram às 5h da manhã com latidos para o nada. Todo ser é capaz de sentir o cheiro das despedidas. Tentei dormir mais um pouco, mas eles não quiseram. Às 6h saí da cama, alimentei-os, comi uma singela banana. Por aqui a cabeça já acorda a mil. Hoje, além de todo o movimento matinal, ela também estava triste. Sentei para meditar, agindo contra o frenesi do meu próprio corpo. Fiz o meu yoga diário, como uma boa garota branca nas américas. A cabeça já raciocinava melhor, mas o peito ainda estava apertado. Decidi sair pra andar.
Enquanto calçava meus sapatos, percebi que estou aqui há um mês mas que ainda não tinha saído pra andar. Essa coisa do enclausuramento entrou mesmo na nossa cabeça. Enfiei uma mochila nas costas que não tinha nada que prestasse, sem água, sem nada. Só fui. Por sorte, fiz um companheiro no caminho, que ia adiante, como quem abrisse os caminhos.
Na primeira bifurcação da estrada, peguei o caminho menos íngreme. Encontrei uma clareira e gritei. Foi bom, sim, mas ainda não era ali. A sensação do caminho mais fácil é de insuficiência. Eu precisava continuar subindo. Sem água, sem nada, só subir. E conforme eu escalava, mais densa se tornava a minha respiração. Profunda. Pesada. Forte. Em nenhum momento hesitei. Em nenhum momento minha boca secou. O vento que entrava pelas minhas narinas era o mesmo vento que balançava as árvores.
Até que cheguei no ponto mais alto. Mas eu ainda sentia que não era ali. Algo me dizia que precisava seguir pela estrada, mesmo que ela começasse a descer. Não precisei andar muito pra avisar grandes pedras cravadas no morro. Gargalhei. Nada estava mais óbvio naquele momento de que eu tinha chegado onde precisava chegar.
Num primeiro momento não entendi como chegaria até elas, um pouco distantes da estrada. Mas meu novo amigo chegou antes de mim, me mostrando que havia um pequeno caminho. Tive que arrancar uns galhos, passar debaixo da cerca de arame, ralar as costas. No pasto, percebi que estava de bermuda e sem galocha. Meu ímpeto foi voltar atrás, estou em terras de cascavel. Mas eu sabia que não tinha chegado até ali à toa. A cada passo que dava, com extrema atenção, pedia licença. Meu amigo me mostrando o caminho, sempre adiante. E então cheguei. E gritei o grito que me era destinado. Existe uma voz pesada que vem do fundo da minha barriga e encontra com o coração.
Enquanto descia, leve de chorar tudo que tinha pra ser chorado, as mais coloridas borboletas voavam junto a mim. Lembrei da minha infância, as borboletas sempre me acompanhavam, chamava até atenção das outras pessoas. A menina das borboletas. Todo ser é capaz de sentir o cheiro do amor despretensioso e genuíno. Aproveitei pra passar na casa de uma amiga da família, dessa de gerações. Bebi água, tomei café. Estava faminta. E então aquela senhora magrinha, de força cravada na memória das dobras do corpo, disse: é que a Luísa sempre foi corajosa.