25/02/2026
Após oito anos de investigação e mobilização social, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou os mandantes e envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A decisão reconheceu a existência de uma organização criminosa armada, com participação de agentes públicos, responsável pelo planejamento, execução e tentativa de obstrução das investigações.
O julgamento revelou como estruturas do Estado podem ser capturadas por redes criminosas ligadas à milícia, que utilizam a violência, a corrupção e o controle territorial como instrumentos de poder político. A atuação de policiais, ex-parlamentares e autoridades públicas no caso evidencia ainda que o crime não foi isolado, mas parte de um sistema que busca silenciar lideranças populares, especialmente mulheres negras e defensoras de direitos humanos. A condenação reafirma que a violência política não pode ser naturalizada em uma democracia.
A supervisão da execução das penas ficará sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. Para o Geni-UFF, a decisão representa um marco no enfrentamento à impunidade e reforça a importância da pressão da sociedade civil, da família e dos movimentos sociais por justiça. Honrar a memória de Marielle e Anderson exige, além da responsabilização, o combate permanente às milícias e à infiltração do crime organizado nas instituições públicas!