30/07/2016
JASON BOURNE
Filmes que envolvem o mundo da espionagem sempre fizeram – e fazem – sucesso. Desde filmes mais sóbrios, como o recente Ponte dos espiões, de Steven Spielberg, até a famosíssima franquia James Bond (com altos e baixos ao longo de seus por enquanto 50 anos), passando pelos filmes da série Missão Impossível, que não foi feita para ser levada a sério, e pelos filmes do agente Jack Ryan (que já foi encarnado por Alec Baldwin, Harrison Ford, Ben Affleck e mais recentemente, Chris Pine).
Nesta tradição estão os filmes da franquia Jason Bourne, interpretado pelo belo e talentoso Matt Damon. Já são três filmes, e um quarto, com o mesmo mote, interpretado por Jeremy Renner, que a despeito de sua experiência em filmes de ação (Renner é o Gavião Arqueiro dos Vingadores e já trabalhou em um dos filmes da Missão Impossível), não tem o carisma de Damon. O resultado é que o filme sem Damon foi um fracasso, de público, e de crítica.
E eis que anos depois, Jason Bourne volta à ativa... O título do filme é simples assim: Jason Bourne. O que é legal neste filme, a meu ver, é que não se trata de uma estória mirabolante de uma agência governamental dos Estados Unidos combatendo uma mega ameaça terrorista. Nada disso. O filme é a narrativa pessoal de um homem que quer fazer as pazes consigo mesmo, com seu passado, um homem que faz o tempo todo a mesma pergunta da maravilhosa, belíssima e inesquecível música The Logical Song, do genial Roger Hodgson, nos tempos de glória do Supertramp: Please, tell me: who I am? (“Por favor me diga, quem sou eu?”). Damon é simplesmente perfeito ao fazer um olhar perdido, como quem olha e não vê o que está ao seu redor, como se estivesse olhando para dentro de si mesmo.
Nesta busca, o atormentado Bourne se vê às voltas com a poderosa agência de inteligência estadunidense. O filme trata de uma questão atualíssima, que pode muito bem cair como tema da redação no ENEM este ano: em nome da segurança nacional, o governo pode levantar, colecionar e armazenar dados de todo os cidadãos? Como discernir os limites entre particular e público na era da informação? Já em 2004 o tema da redação do ENEM foi a questão da liberdade de informação e como evitar abusos nos meios de comunicação. Tema semelhante foi o de 2011: viver em rede no século XXI. Na era pós-Snowden e o Wikileaks este tema é extremamente atual. Qualquer governo tem o direito de fazer um Big Brother gigante, e espionar tudo da vida de todo mundo?
Esta é a grande questão do filme, adornada, como não poderia deixar de ser, com explosões, tiroteios, muita pancadaria e perseguições frenéticas de carro e de moto, que os americanos adoram...
Jason Bourne é diversão garantida, e, como já foi dito, proporciona boa discussão sobre uma questão candente do nosso tempo.